A declaração surgiu depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter afirmado que Israel não tinha concordado com um plano para Gaza apoiado pelos EUA.
As Forças de Defesa de Israel continuarão a “operar proativamente” em Gaza, segundo Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelitas.
Zamir fez estas declarações após uma deslocação operacional, na quarta-feira, durante a qual se reuniu com vários comandantes israelitas de topo, que o informaram sobre a situação no terreno, segundo um comunicado divulgado pelos militares.
“Na Faixa de Gaza, desferimos um golpe contra o Hamas, enfraquecemo-lo de forma significativa e alterámos a situação de segurança”, disse Zamir. “O exército israelita continuará a atuar de forma proativa e de acordo com o princípio que estabelecemos: eliminar as ameaças e, em todas as circunstâncias, defender as comunidades e os seus residentes e salvaguardar a sua segurança”.
As declarações surgem depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter afirmado que Israel não aceitou um plano para Gaza apoiado pelos Estados Unidos, que prevê a retirada das forças israelitas do território e o desarmamento do grupo militante Hamas.
“O presidente Trump e a sua equipa pensam que conseguem levar o Hamas a desarmar e a desmilitarizar-se em Gaza”, disse Netanyahu numa mensagem em vídeo divulgada na terça-feira.
“Estamos a analisar isso. Enviaram-nos um esboço, não concordámos”, prosseguiu, acrescentando: “Não é a nossa proposta. Enviámos os nossos comentários”.
Trump anunciou, na semana passada, que o seu Conselho da Paz tinha alcançado aquilo a que chamou um acordo “histórico” sobre o “desarmamento completo do Hamas e de todos os outros grupos armados em Gaza”, que, segundo disse, abriria caminho à transição para um novo governo palestiniano.
Segundo Trump, o acordo prevê a retirada das forças israelitas de Gaza, enquanto uma Força Internacional de Estabilização trabalharia com uma nova unidade da polícia palestiniana para administrar o território.
Jennifer Gavito, investigadora sénior não residente na Scowcroft Middle East Security Initiative, do Atlantic Council, afirmou que “atores externos” serão “indispensáveis para o sucesso desta proposta”.
“O Egito e o Qatar terão de continuar a exercer forte pressão sobre o Hamas para que cumpra os seus compromissos”, disse Gavito, acrescentando que Trump terá também de exercer “enorme pressão sobre Netanyahu” para que o plano resulte.
A guerra entre Israel e Gaza rebentou após os ataques de 7 de outubro de 2023 do Hamas contra Israel, que mataram mais de 1 200 pessoas e em que 251 outras foram feitas reféns e levadas para Gaza.
Israel lançou uma ofensiva militar em Gaza na sequência dos ataques, que já causou mais de 73 000 mortos, segundo o ministério da Saúde de Gaza.