As negociações desta semana constituem a sétima ronda de conversações mediadas por Washington desde que o Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Médio Oriente, em março, com disparos de mísseis contra Israel, em apoio ao seu aliado, o Irão.
O Líbano e Israel realizaram na terça-feira, em Roma, uma nova ronda de conversações mediadas pelos EUA, com Beirute a procurar a retirada gradual de Israel do sul do país.
As delegações dos dois países chegaram pela manhã à embaixada dos EUA na capital italiana, onde as discussões deverão decorrer até quinta-feira.
Nas negociações realizadas em Washington, em junho, Israel e o Líbano chegaram a um entendimento sobre um acordo-quadro que envolve o desarmamento do Hezbollah, uma retirada gradual das forças israelitas do sul do Líbano e a mobilização do exército libanês para a região, começando em áreas-teste conhecidas como "zonas-piloto".
As negociações desta semana constituem a sétima ronda de conversações mediadas por Washington desde que o Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Médio Oriente, em março, com disparos de mísseis contra Israel, em apoio ao seu aliado, o Irão.
Israel respondeu com intensos ataques aéreos e uma invasão terrestre que, segundo o Líbano, causaram a morte de mais de 4.300 pessoas.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou na terça-feira que as negociações diretas trariam "nada mais do que vergonha, humilhação e sucessivas concessões" ao Líbano.
Num discurso televisionado, criticou também o presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmando que este "não agiu como árbitro, nem como figura unificadora, mas tornou-se parcial e divisivo**, o que é incompatível com o seu papel e com a força do Líbano".**
Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, instou o Líbano e Israel a "prosseguirem num espírito construtivo, identificando soluções comuns que permitam a plena implementação do acordo-quadro", informou o seu Ministério.
Após as conversações do mês passado, as forças armadas de Israel retiraram-se dos arredores da aldeia de Zawtar al-Gharbiya, uma das primeiras zonas-piloto.
O exército libanês destacou-se para a zona e permitiu que os residentes inspecionassem as suas casas e negócios.
Zonas-piloto
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou numa reunião do Conselho de Ministros na segunda-feira que o seu país estava a envidar "esforços no sentido de sucessivas retiradas de Israel do território libanês, conduzindo a uma retirada total".
Um responsável do Departamento de Estado dos EUA tinha declarado à agência noticiosa AFP que as discussões desta semana iriam "incluir a expansão do processo das zonas-piloto, a resolução de todas as questões fronteiriças pendentes e o trabalho num acordo abrangente de paz e segurança".
Na segunda-feira, o embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, alertou que "avançar demasiado depressa corre o risco de pôr em perigo precisamente os civis que este processo se destina a proteger".
"É melhor dedicar o tempo necessário para fazer isto bem à primeira. Isso permitirá que as zonas-piloto subsequentes avancem de forma mais eficiente", afirmou Issa.
"Ambas as partes têm de chegar a acordo sobre um processo claro e exequível antes de prosseguirem."
A mobilização do exército libanês constitui um grande teste, com os especialistas a manifestarem dúvidas quanto à capacidade das autoridades para desarmar o Hezbollah — que se opõe ao acordo com Israel e se recusa a entregar as suas armas — e para impedir novas atividades militares por parte de grupos não estatais.
Os observadores afirmam que o compromisso de Israel de se retirar também será posto à prova quando forem selecionadas as zonas-piloto em áreas totalmente sob a sua ocupação.
A violência no Líbano diminuiu desde o acordo entre o Líbano e Israel e a assinatura, em junho, de um acordo preliminar entre os EUA e o Irão sobre o conflito no Médio Oriente.
No entanto, o Líbano continua a registar ataques e bombardeamentos israelitas intermitentes, bem como detonações e demolições em aldeias do sul.