Beirute anunciou o início da mobilização para as regiões do sul do Líbano, enquanto o Presidente Aoun se prepara para uma reunião decisiva com Donald Trump, na terça-feira, que encerra a sua visita de quatro dias a Washington
O exército do Líbano anunciou esta terça-feira que começou a deslocar-se para uma zona no sul do país, uma de três "zonas-piloto" definidas num acordo com Israel para desarmar o Hezbollah.
O anúncio coincide com visita do presidente libanês Joseph Aoun a Washington, que mediou o acordo com Israel.
O Estado hebraico invadiu o Líbano durante a recente guerra com os militantes do Hezbollah, apoiados pelo Irão, e continua a ocupar partes do país apesar de um acordo de cessar-fogo em vigor.
Até agora, as tropas israelitas apenas controlam a periferia de uma das chamadas zonas-piloto, permanecendo por resolver a ocupação de outras áreas. As forças armadas libanesas já estão presentes nas outras duas zonas-piloto.
"Unidades militares começaram a ser destacadas esta manhã para Zawtar al-Gharbieh", na região de Nabatieh, informou o exército em comunicado.
O comunicado surge numa altura em que Aoun se prepara para uma reunião, esta terça-feira, com o homólogo norte-americano, Donald Trump, no final de uma visita de quatro dias, com o objetivo de garantir uma calma duradoura num país devastado por meses de guerra e ocupação.
O encontro histórico de Joseph Aoun com Trump ocorre num momento em que o Líbano e Israel mantêm raras conversações diretas, mediadas por Washington. O Líbano espera que este diálogo leve à retirada de tropas israelitas de vastas áreas do sul do país, mas as negociações ainda não produziram resultados concretos nesse domínio.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, já tinha afirmado não ter intenção de retirar tropas israelitas da região, argumentando que, na ausência de uma frente interna contra o Hezbollah, os militares manterão a sua presença para proteger as regiões do norte de Israel.
Em 26 de junho, Líbano e Israel anunciaram um "acordo-quadro" que define um plano para a retirada das forças israelitas do sul do Líbano, bem como para o desarmamento do Hezbollah, que durante décadas manteve uma forte presença na região.
O documento prevê ainda etapas rumo a um eventual acordo de paz entre os dois países, que nunca mantiveram relações diplomáticas formais e têm estado, pelo menos nominalmente, em estado de guerra há quase 80 anos, desde a criação de Israel.
O Departamento de Estado norte-americano anunciou na segunda-feira que foram postas em prática operações em três aldeias consideradas parte de uma "zona-piloto", sem adiantar detalhes sobre o que isso implica.
Duas das três aldeias, Froun e Srifa, não estão sob controlo militar israelita e o exército libanês está presente nesses locais, enquanto forças de Israel permanecem em parte de Zawtar al-Gharbieh.
Em comunicado, exército libanês indicou que se prepara para a retirada israelita de Zawtar al-Gharbieh e que começou a enviar tropas para a zona esta terça-feira.
As Forças Armadas israelitas (IDF) afirmaram que "irão ajustar a sua postura de forças numa das áreas-piloto, de forma a permitir que as Forças Armadas Libanesas cumpram a sua missão", sem especificar a localização. Um porta-voz da IDF acrescentou que as retiradas ainda não começaram e não avançou qualquer calendário para a sua implementação.