Participações por violência doméstica em Portugal aumentaram 13,3% no segundo trimestre de 2026 face aos primeiros três meses do ano, totalizando 7.871 ocorrências reportadas às autoridades. Dados da CIG revelam ainda um número recorde de reclusos por este crime nas prisões portuguesas.
O número de participações por violência doméstica às autoridades portuguesas entre abril e junho deste ano aumentou de forma significativa face ao primeiro trimestre deste ano.
De acordo com os dados mais recentes divulgados pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), foram participadas 7.871 ocorrências por violência doméstica à Polícia de Segurança Pública (PSP) e à Guarda Nacional Republicana (GNR) nos meses de abril, maio e junho.
Este valor representa um aumento de 13,3% face ao primeiro trimestre de 2026, quando foram registados 6.949 casos. Comparativamente ao período homólogo, representa uma subida de quase 2%, tendo em conta que entre abril e junho de 2025 houve 7.718 ocorrências participadas por violência doméstica.
Neste segundo trimestre de 2026 foram assassinadas sete pessoas em contexto de violência doméstica: cinco mulheres, uma criança e um homem. Entre janeiro e março deste ano, foram seis as pessoas assassinadas em contexto de violência doméstica, todas elas mulheres.
Na primeira metade deste ano, registaram-se assim treze homicídios voluntários em contexto de violência doméstica, menos dois do que em igual período de 2025.
Nunca houve tantos reclusos por crimes de violência doméstica
As prisões portuguesas contabilizavam neste segundo trimestre do ano 1.643 reclusos presos pelo crime de violência doméstica, sendo que 415 encontravam-se em prisão preventiva e os restantes 1.228 a cumprir pena de prisão efetiva. Nunca houve tantos reclusos ou arguidos em prisão preventiva por crimes de violência doméstica desde que a CIG começou a divulgar esta série estatística, em 2018.
Em comparação com o primeiro trimestre, quando havia 1.607 reclusos por crimes de violência doméstica nas prisões portuguesas, há uma subida pouco expressiva. Relativamente ao segundo trimestre do ano passado, é possível constatar um aumento de 12,4%, uma vez que nessa altura estavam presos 1.461 agressores, 1.066 dos quais a cumprir pena efetiva e 395 em prisão preventiva.
Estavam em vigor 1261 medidas de coação de afastamento de agressores em relação às vítimas, 910 com vigilância eletrónica, e estavam integradas 3118 pessoas em programas para agressores, 210 em meio prisional e 2908 na comunidade.
Mulheres e crianças são maioria das vítimas acolhidas
Quanto às medidas de proteção das vítimas, os dados da CIG mostram também que no segundo trimestre de 2026 havia 6.522 pessoas abrangidas pela medida de proteção por teleassistência.
Foram acolhidas na Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica (RNAVVD) 1390 pessoas, entre 688 crianças, 681 mulheres e 21 homens, e foram transportadas 491 vítimas para acolhimento na RNAVVD.