Este é mais um caso que entra para as duras estatísticas de aumento de casos de violência doméstica contra crianças.
Uma discussão conjugal terá terminado numa tragédia ainda sem explicação. Na madrugada de domingo, em Santarém, um homem de 33 anos ter-se-á atirado do oitavo andar com a filha de 4 anos ao colo, tendo ambos morrido na sequência da queda.
Em declarações à agência Lusa, a Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) informou que recebeu o alerta para o incidente por volta das 03h00. Segundo os testemunhos recolhidos, "houve uma discussão e depois o adulto terá saltado da janela do oitavo andar, onde vivia com a filha de 4 anos".
A mesma fonte confirmou que o homem tinha antecedentes de violência doméstica e um processo relacionado com esse crime.
A investigação está agora a cargo da Polícia Judiciária.
No final de maio, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género divulgou indicadores estatísticos que revelam que, entre janeiro e março deste ano, oito pessoas foram vítimas de homicídio voluntário, das quais duas eram crianças.
Na última semana, Portugal deparou-se também com outro caso mediático: o de uma madrasta que alegadamente matou uma menina de 8 anos por vingança contra o pai da criança.
Dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), relativos aos últimos cinco anos, mostram que a violência doméstica se destaca como a forma de violência mais prevalente (61,7%) contra crianças e jovens.
Entre 2022 e 2025, foram identificados agressores maioritariamente do sexo masculino (61,9%), sendo que, em 39,6% das situações, o agressor era a mãe ou o pai da vítima.
Casos mediáticos que entraram para as estatísticas de violência contra crianças em Portugal
Há casos que o país jamais se esquecerá, não só pela sua brutalidade, mas principalmente por terem sido contra crianças.
- Lara, oito anos, Valpaços Lara vivia com o pai e a madrasta, a autora do crime, tendo sido inicialmente dada como desaparecida. Acabou por se revelar mais um caso de homicídio de menores.Eulália, a madrasta da menina, confessou o crime poucas horas após o pai ter dado a filha como desaparecida. Segundo o que foi possível apurar, a mulher de 48 anos foi buscar a criança à escola e, para se vingar do pai, com quem mantinha uma relação conturbada que alegadamente teria terminado, decidiu asfixiar a criança até à morte.
O corpo de Lara foi encontrado na serra da Padrela, em Vila Pouca de Aguiar, após a autora do crime ter dado indicações à Polícia Judiciária no momento da confissão.
A mulher encontra-se atualmente em prisão preventiva. Alegou perante o juiz ser vítima de violência doméstica, "ouvir vozes" e ter problemas emocionais. Está indiciada pelos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver, que poderão resultar numa condenação de até 25 anos de prisão.
- Jéssica, três anos, Setúbal
Em 2022, no verão, mais concretamente a 24 de junho, o país acordou com o chocante caso de uma menina de três anos, vítima de maus-tratos, encontrada morta em Setúbal.
Os pormenores do caso foram muito difusos, levando o próprio juiz a declarar, durante o julgamento, que "chega-se a um ponto em que se conclui que não é possível esclarecer todos os contornos deste caso".
Jéssica foi espancada até à morte pela ama e pela sua família, tendo sido mantida em cativeiro até a mãe efetuar um pagamento.
A mãe foi acusada de negligência por, alegadamente, ter ignorado o sofrimento da criança quando esta foi recuperada, o que, segundo o juiz, poderá ter contribuído para a sua morte.
Os quatro arguidos foram condenados à pena máxima de 25 anos de prisão.
- Valentina, nove anos, Atouguia da Baleia
O caso remonta a 2020 e começou por ser conhecido pelo público como o desaparecimento de uma criança. O próprio pai, mais tarde acusado de homicídio, no dia 7 de maio de 2020, declarou o desaparecimento da filha no posto da GNR em Peniche. As buscas começaram e reuniram centenas de operacionais.
A esperança de encontrar a criança com vida dissipou-se três dias depois, quando o pai confessou o crime e indicou o local onde ocultara o corpo.
Sandro, pai de Valentina, agrediu a filha e deixou-a inanimada num sofá durante várias horas. O Ministério Público (MP) acusou pai e madrasta de a deixarem “a agonizar, na presença dos outros menores, indiferentes ao sofrimento intenso da mesma”.
Segundo o relatório da autópsia, a morte de Valentina “foi devida a contusão cerebral com hemorragia subaracnoideia”.
O tribunal condenou os arguidos pelos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver e simulação de sinais de perigo, em coautoria. O pai foi ainda condenado por violência doméstica.
Valentina não vivia com o pai, mas terá ido passar uma temporada com o progenitor para a mãe conseguir trabalhar em tempo de pandemia.
- Joana Cipriano, oito anos, Portimão
A 12 de setembro de 2004 desaparecia, na aldeia da Figueira, em Portimão, Algarve, Joana Cipriano, uma menina de oito anos. A mãe, Leonor, chegou mesmo a pedir ajuda à comunicação social para descobrir o paradeiro da filha.
No entanto, no ano seguinte a justiça portuguesa provou que a criança foi assassinada pela própria mãe e pelo tio (João Cipriano), mas o corpo nunca foi encontrado.
O tribunal deu como provado que Joana tinha sido brutalmente agredida pelos dois. O tio terá mesmo confessado que deu os restos mortais da criança aos porcos.