O país está entre os dez que mais recuaram ao nível da liberdade de expressão, apesar de manter um desempenho intermédio neste indicador.
“A democracia consegue resistir numa era de conflito?”: esta é a pergunta que serve de mote ao relatório sobre oEstado Global da Democracia deste ano, que vai ser apresentado na tarde desta terça-feira.
O documento é da autoria do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (Internacional IDEA), com sede em Estocolmo, destaca Portugal enquanto um dos países que teve uma maior queda dos resultados.
Na Europa houve um declínio em 77 indicadores e avanços em 42 indicadores. Os maiores recuos registam-se na Rússia e na Geórgia (oito indicadores), seguidos por três países, dois deles da União Europeia: Portugal, Eslováquia e Arménia (seis indicadores).
No caso da deterioração da liberdade de expressão, Portugal está mesmo entre os dez países com quedas mais acentuadas nos últimos cinco anos, apesar de manter resultados intermédios. Esta lista é encabeçada pelo Afeganistão e Myanmar.
O relatório indica Portugal, juntamente com a Alemanha e o Reino Unido, como exemplos de países que, apesar de terem desempenho alto ao nível dos indicadores, mostraram mesmo assim uma deterioração democrática, em particular com quedas nas liberdades civis e eleições credíveis.
Tendência de estagnação
Os dados globais refletem uma tendência de estagnação. Assim, em 81% dos casos em que eram possíveis mudanças, estas não aconteceram. O documento explica que a maioria dos países mostra desempenhos médias e baixas, condições intermédias frágeis que os redatores consideram preocupantes.
“Quando houve mudanças na qualidade da democracia, esta foi mais negativa do que positiva”, pode ler-se ainda.
Assim, 57% dos 98 países avaliados sofreram um declínio em pelo menos um indicador, em comparação com os resultados de há cinco anos. Em 2015, esta percentagem era de 31%.
Em particular a situação nos Estados Unidos é dada como um exemplo preocupante.
“O presidente Donald Trump acumulou rapidamente poder no ramo executivo e utilizou-o para promover um conjunto restrito de objetivos pessoais e para procurar retaliar contra quem parece ser inimigo”, pode ler-se no documento.