A OpenAI e a Anthropic afirmam negociar acordos de segurança e privacidade com o sindicato de professores norte-americano, mas a Google, principal fornecedora de tecnologia educativa nas escolas dos EUA, não esclarece se tenciona oferecer garantias semelhantes.
Microsoft introduz limites e normas de privacidade para a sua IA nas escolas dos Estados Unidos, negociadas com o segundo maior sindicato de professores do país, numa altura de crescente contestação à IA e ao tempo passado ao ecrã.
O acordo (fonte em inglês), assinado na semana passada, proíbe o uso de companheiros de IA ou de funcionalidades “concebidas para criar ligação emocional ou dependência” ou pensadas para manter os alunos envolvidos durante mais tempo do que a tarefa de aprendizagem exige.
As normas têm força legal e obrigam à realização de auditorias independentes para verificar o cumprimento.
No âmbito deste acordo alargado, a Microsoft afirma que não utilizará dados de alunos ou professores para treinar sistemas de IA, salvo uma exceção limitada para dados que possam ajudar a proteger os alunos. Garante que os dados recolhidos não podem ser vendidos, usados para publicidade ou para desenvolvimento de produtos.
O acordo inclui ainda medidas de auditoria e transparência que obrigam a empresa a explicar às famílias, em linguagem simples, como funcionam as suas ferramentas e que dados recolhem.
“Esta norma define uma fasquia elevada para a privacidade das crianças e a segurança da IA, e vamos alargar este acordo a todos os distritos escolares do país”, afirmou Brad Smith, vice-presidente e presidente da Microsoft, em comunicado.
Segundo a empresa, as normas vão aplicar-se aos contratos escolares da Microsoft em todos os Estados Unidos a partir de 1 de novembro.
Europa precisa de um travão à IA nas salas de aula?
A IA já começa a entrar nas salas de aula europeias e os jovens recorrem cada vez mais a chatbots para lá dos trabalhos escolares.
Um estudo da Comissão Europeia (fonte em inglês) com utilizadores precoces em escolas secundárias na Finlândia, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo e Espanha concluiu que os alunos utilizam IA generativa para explicar temas difíceis, praticar competências e preparar exames.
Já um estudo austríaco de 2026 concluiu que 60% dos jovens entre os 11 e os 17 anos inquiridos tinham pedido conselhos a chatbots de IA sobre questões como stress, conflitos ou desgostos amorosos, enquanto 30% tinham partilhado preocupações ou sentimentos com estes sistemas.
Alguns governos europeus já começam a impor limites ao uso por alunos mais novos.
A Noruega (fonte em inglês) anunciou este ano que as crianças entre cerca de seis e 12 anos não devem, em regra, usar diretamente IA generativa para trabalhos escolares, enquanto os alunos entre aproximadamente 13 e 15 anos podem começar a experimentá-la com cautela.
A França (fonte em inglês) permite que os alunos aprendam sobre IA já no ensino básico, mas defende que não devem usar diretamente IA generativa. O uso em sala de aula, sob supervisão, pode começar a partir dos 13 ou 14 anos.
Um documento consultado pela Euronews sugere que a Comissão Europeia vai propor a exclusão de menores de 15 anos de serviços online considerados de risco, como os chatbots de IA, numa proposta legislativa que será publicada na quinta-feira.
OpenAI e Anthropic em negociações sobre salvaguardas semelhantes
Embora especialistas considerem relevantes as disposições de segurança do acordo nos EUA, alguns alertam que salvaguardas mais robustas não devem ser interpretadas automaticamente como um apoio a uma maior utilização de IA nas escolas.
“Temo que um quadro tão mediático como este seja mal interpretado e que as escolas pensem: ‘Se estão a fazer um bom trabalho em matéria de privacidade e segurança de dados, então isso significa que devemos usar a ferramenta’”, afirmou Josh Golin, diretor executivo da organização norte-americana de segurança online Fairplay.
Golin defende que as normas só serão eficazes se outras grandes empresas de IA também aderirem.
“A Google vai adotar este quadro? Essa é uma grande questão”, afirmou.
A Google foi alvo de críticas nos EUA depois de, em agosto, ter alargado as ferramentas com Gemini no Google Classroom às contas escolares usadas por alunos menores de 18 anos.
Críticos descrevem esta expansão como mais um passo na competição entre gigantes tecnológicos para instalar os seus produtos de IA nas escolas e chegar a utilizadores mais jovens. A Google diz que o Classroom é usado por mais de 150 milhões de professores e alunos em todo o mundo.
O sindicato de professores norte-americano está também em negociações com a OpenAI e a Anthropic, que saudaram publicamente o acordo com a Microsoft.
A OpenAI, criadora do ChatGPT, classificou-o como “um marco importante para a segurança e a privacidade da IA nas escolas”. A empresa afirmou que tem trabalhado com o sindicato de professores e espera concluir em breve o seu próprio acordo.
A Anthropic, responsável pelo Claude, disse também apoiar os esforços para promover uma utilização responsável da IA na educação e que está a trabalhar com o sindicato em normas de segurança e privacidade.
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