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Costa defende decisão inesperada de abrir canal diplomático com a Rússia

António Costa.
António Costa. Direitos de autor  European Union, 2026.
Direitos de autor European Union, 2026.
De Jorge Liboreiro & Maria Tadeo
Publicado a Últimas notícias
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A decisão inesperada de António Costa de abrir um canal diplomático com a Rússia marcou a cimeira de quinta-feira, com vários líderes a queixarem-se de não terem sido consultados antes do telefonema

António Costa, presidente do Conselho Europeu, defendeu a decisão surpresa de abrir um canal diplomático com o Kremlin para avaliar se existem condições para negociações de paz, uma possibilidade que a sua equipa concluiu não ser, para já, viável.

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O assunto dominou a cimeira de quinta-feira dos líderes da UE em Bruxelas.

Não surgiu uma explicação clara para a razão pela qual Costa, que fez da manutenção da unidade dos 27 um tema central da sua presidência, considerou que era o momento certo para contactar Moscovo. No início da semana soube-se que o chefe de gabinete, Pedro Lourtie, manteve várias conversas telefónicas com um dos principais conselheiros do presidente russo, Vladimir Putin.

Embora o seu gabinete não o tenha confirmado, percebeu-se que se tratava de Yuri Ushakov.

"O presidente explicou que tinha pedido ao seu gabinete para abrir um canal diplomático com a Rússia. O objetivo era estar preparado, quando chegasse o momento certo, para defender os interesses da UE. Estamos a falar de contactos breves, sem trocas de fundo e sem negociações, apenas diplomatas a fazer trabalho diplomático", disse um responsável europeu.

"O ponto mais importante é que os europeus continuem coordenados sobre a forma de se relacionarem com a Rússia e sobre qual deve ser a posição da UE", acrescentou o responsável, sublinhando que coordenar os 27 é a função do presidente do Conselho.

De acordo com o mesmo responsável, "vários líderes" indicaram que Costa seria o "representante natural" dos interesses do bloco, o que sugere algum apoio à sua eventual nomeação como enviado especial para conversações diretas com a Rússia.

O nome de Costa tem sido apontado nas últimas semanas para um cargo não isento de riscos.

Os líderes da Bélgica, Eslovénia e Áustria estiveram entre os que saudaram a decisão de Costa na quinta-feira. Eslováquia e Bulgária são também consideradas favoráveis.

"Qualquer passo que possa conduzir a uma cessação das hostilidades e a negociações deve ser bem-vindo", afirmou o primeiro-ministro esloveno, Janez Janša .

Ainda assim, vários Estados-membros manifestaram discordância.

Polónia, países bálticos e países nórdicos estiveram entre os que levantaram reservas, disseram vários diplomatas à Euronews. Na origem da divisão está o facto de nem todos acreditarem que este seja o momento certo para qualquer tipo de aproximação à Rússia, enquanto outros sugerem que a tarefa seja gerida no formato E3, que reúne Alemanha, França e Reino Unido. O E3 tem vindo a explorar formas de abrir o seu próprio canal com o Kremlin.

Costa não realizou consultas alargadas com as capitais nacionais antes de decidir testar se seria possível abrir um canal com os russos. O seu círculo próximo insistiu que o político português avançou encorajado pela Ucrânia, que tinha pedido aos europeus um papel mais ativo no processo de paz, incluindo através de contactos com a Rússia.

"É importante ter uma voz e uma presença fortes neste processo, e vale a pena determinar quem irá representar especificamente a Europa", afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, no mês passado, após conversar com Costa.

Na quinta-feira, as conclusões da cimeira aprovadas pelos 27 líderes referiram, pela primeira vez, que a UE está pronta para "reforçar o seu envolvimento" nas negociações.

Mesmo assim, a comunicação diplomática ocorreu dias antes de essas conclusõesserem aprovadas, o que levanta a questão de saber se Costa tinha mandato ou se agiu apenas com o apoio de alguns Estados-membros. A Euronews falou com vários responsáveis de diversos países que disseram não ter sido consultados e ter sabido do assunto através da comunicação social. Ainda assim, um desses diplomatas afirmou que saudava o esforço do presidente.

O episódio evidencia as profundas divisões entre os Estados-membros na abordagem à Rússia.

"Tanto a Ucrânia como a Europa sempre foram muito claras em afirmar que, em última análise, serão necessárias negociações para chegar a um acordo de paz duradouro", disse o primeiro-ministro neerlandês, Rob Jetten.

"Mas, enquanto os russos não estiverem disponíveis para isso, temos de ajudar a Ucrânia a ganhar vantagem no campo de batalha."

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