Zelenskyy tem insistido num encontro com Putin, defendendo que só conversações frente a frente poderão levar a um acordo sobre o território.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy propôs um encontro presencial com Vladimir Putin numa carta aberta dirigida ao líder russo esta quinta-feira, afirmando que está preparado para um “cessar-fogo total”.
A carta representa uma das raras ocasiões em que Zelenskyy se dirigiu diretamente a Putin desde a invasão em grande escala lançada pela Rússia em 2022 e é a primeira vez que envia uma carta diretamente ao líder russo.
“A escolha é sua agora. Chega de guerra. A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra”, escreveu Zelenskyy, acrescentando: “A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra através de um diálogo direto entre nós — e o senhor. Estou a propor uma reunião.”
“São os líderes que resolvem as questões fundamentais. Sempre foi assim e sempre será”, escreveu Zelenskyy, sugerindo que Putin “marque uma data concreta para essa reunião”.
“Não tenha medo de seguir o caminho que leva para fora desta guerra. É isso que agora se exige, acima de tudo, de si.”
“Após 26 anos no poder, a idade começa a fazer-se sentir. E, com o tempo, o cansaço que sente só vai aumentar.”
A presidência ucraniana confirmou que, embora a carta tenha sido enviada a Moscovo, também foi partilhada com os parceiros de Kiev, incluindo os EUA.
“Esta guerra é uma escolha pessoal sua”
Zelenskyy iniciou a carta referindo que, quando Vladimir Putin chegou ao poder há mais de 26 anos, “muitas pessoas na Ucrânia tinham uma opinião positiva sobre si”.
“Era assim que as coisas eram. Mas isso agora pertence ao passado.”
Zelenskyy afirmou que agora “a esmagadora maioria dos ucranianos vê com bons olhos o facto de os nossos drones de longo alcance terem feito uma visita à abertura do seu fórum em São Petersburgo, percorrendo uma distância de mais de 1.000 quilómetros”.
“Como sabe muito bem, essa distância não é o limite das nossas capacidades.”
“Passou quase metade dos seus 26 anos no poder na Rússia a travar uma guerra contra a Ucrânia”, afirmou Zelenskyy, acrescentando que, independentemente do que Putin possa ter dito sobre a NATO, a geopolítica ou a língua russa, isso não passava de um falso pretexto para a guerra.
“Esta guerra é uma escolha pessoal sua — uma guerra sem causa real. É assim que a História a irá recordar.”
Zelenskyy sublinhou que, mesmo que a Rússia não se importe com as baixas militares, a Ucrânia importa-se.
“Estamos a perder pessoas e cada perda é dolorosa para nós. Mesmo quando a proporção de perdas ucranianas para perdas russas é de um para cinco ou um para seis, isso continua a ter um peso enorme.”
“Nós, na Ucrânia, não queremos uma guerra permanente”, afirmou Zelenskyy na carta aberta.
“Sabemos muito bem que a vida sem guerra é infinitamente melhor. E queremos alcançar isso.”
Zelenskyy disse ainda estar “convencido de que a maioria dos russos também reagiria positivamente a isto — e o senhor sabe disso.”
“Muitos não acreditavam que a Ucrânia fosse capaz de resistir durante tanto tempo. O senhor não acreditava nisso. E aqueles que o aconselharam também não acreditavam. Isso foi um erro.”
Zelenskyy tem apelado repetidamente a uma reunião com Putin, afirmando que só as conversações cara a cara permitirão chegar a um acordo sobre o território.
O Kremlin afirmou na quinta-feira à noite que Zelenskyy é bem-vindo a encontrar-se com Putin em Moscovo “a qualquer momento”
“Zelenskyy pode vir a qualquer momento a Moscovo”, citou a comunicação social estatal o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentando que Putin ainda não tinha visto a carta de Zelenskyy.