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Sexo de polvos: cientistas descobrem braço sensorial que deposita esperma

Os investigadores concluíram que o braço de acasalamento é um órgão sensorial que, tal como os outros braços dos polvos, está repleto de ventosas com recetores quimio-táteis.
Investigadores concluíram que o braço de acasalamento é um órgão sensorial que, tal como os outros braços dos polvos, está coberto de ventosas com recetores quimio-táteis. Direitos de autor  Diane Picchiottino
Direitos de autor Diane Picchiottino
De Rebecca Ann Hughes
Publicado a Últimas notícias
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Polvos machos conseguem fecundar uma fêmea, mesmo quando não conseguem ver a parceira sexual.

Quando os polvos acasalam, o macho mantém a fêmea, literalmente, a uma distância de braço.

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Para o acto, o macho tem um braço especial, chamado hectocótilo, que utiliza para depositar um saco de esperma no interior do sistema reprodutor da fêmea.

No entanto, os cientistas não sabiam ao certo como é que esse braço encontra o local exacto quando o macho não consegue ver o que está a fazer. Agora, um novo estudo revelou como é guiado o hectocótilo.

Polvos machos “saboreiam” hormonas das fêmeas

Durante o acto sexual, o polvo macho introduz o hectocótilo no manto da fêmea – uma estrutura em forma de saco, atrás dos olhos, que alberga todos os principais órgãos, incluindo os reprodutores – e tacteia até encontrar o oviduto.

Como o faz foi agora explicado num artigo (fonte em inglês) publicado esta semana na revista Science.

Os investigadores concluíram que o braço de acasalamento é um órgão sensorial que, tal como os outros braços dos polvos, está coberto de ventosas que contêm recetores quimiotáteis.

Nos outros sete braços, esses recetores ajudam o animal a “provar” o ambiente em redor, funcionando como uma língua para localizar alimento ou identificar micróbios nocivos.

Mas no hectocótilo, que é normalmente mantido junto ao corpo quando não está em acasalamento, a função destes recetores não era clara.

Durante a investigação, os cientistas verificaram que o oviduto da fêmea produz enzimas que geram a hormona sexual progesterona.

Descobriram que os recetores permitem ao braço de acasalamento dos machos detetar a progesterona, o que significa que conseguem fecundar a parceira mesmo sem verem o parceiro sexual.

Os investigadores constataram também que braços especializados amputados de polvos machos se moviam em resposta à progesterona – mas não quando entravam em contacto com outras hormonas semelhantes.

Ao analisar células do hectocótilo de três indivíduos, a equipa detetou até três vezes mais recetores quimiotáteis e três vezes mais neurónios no braço de acasalamento do que num braço normal.

Polvos conseguem acasalar sem ver

É comum os animais recorrerem à deteção de hormonas durante os processos de acasalamento, mas o órgão sensorial de deteção é normalmente diferente daquele que liberta o esperma.

Nos polvos machos, porém, o hectocótilo assume as duas funções, algo que os investigadores associam à natureza solitária destes animais.

“Faz sentido que o braço funcione ao mesmo tempo como sensor e órgão de acasalamento porque, nestes encontros fortuitos, o braço tem de conseguir localizar a fêmea, localizar o oviduto e iniciar muito rapidamente a cópula ou seguir em frente”, explicou ao jornal britânico The Guardian o professor Nicholas Bellono, autor sénior do estudo na Universidade de Harvard.

A preferência dos polvos pela independência também representou um desafio para as experiências de laboratório.

Um par macho-fêmea foi colocado num tanque e separado por uma divisória, pois estes animais tendem a tornar-se agressivos e podem matar-se.

A divisória tinha orifícios que permitiam aos polvos estender os braços e aproximarem-se um do outro.

Os cientistas tencionavam retirar a divisória quando os polvos já estivessem familiarizados, mas ficaram surpreendidos ao ver o macho estender o braço de acasalamento por um dos orifícios e introduzi-lo no manto da fêmea.

Os investigadores colocaram outros casais no mesmo dispositivo experimental e verificaram que o mesmo se repetia.

Importa salientar que o comportamento foi idêntico em escuridão total, o que sustenta a hipótese de que os polvos conseguem acasalar sem sequer verem o outro.

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