Publicação viral que anunciava a morte de uma tartaruga de 193 anos acaba ligada a esquema fraudulento com criptomoedas. Saiba o essencial.
Relatos sobre a morte do animal terrestre vivo mais velho do mundo revelaram-se uma fraude ligada às criptomoedas.
A notícia de que Jonathan, a tartaruga de 193 anos que vive na ilha de Santa Helena, tinha morrido começou a circular ontem (1 de abril) nas redes sociais.
Uma conta na X (antigo Twitter) que se fazia passar por Joe Hollins, o veterinário que trabalhou com o réptil na ilha a oeste de África, no Atlântico sul, escreveu estar de coração partido ao anunciar a morte do "gigante gentil" que "sobreviveu a impérios, guerras e gerações de humanos".
A publicação somou quase dois milhões de visualizações em 24 horas, na sua maioria mensagens de condolências.
"Lamento imenso saber disto", escreveu um utilizador. "193 anos é mais do que uma vida. Viu em silêncio gerações irem e virem enquanto levava a sua vida calma e serena naquela ilha."
"Foi um embuste"
Mais tarde, porém, Hollins confirmou no Facebook que nem sequer tem conta no X e que algo mais sinistro estava em curso.
"Foi um embuste", diz Anne Dillon, responsável pela comunicação na ilha. "Não tenho todos esses detalhes, só posso assegurar que ele está bem vivo."
Hollins também classificou a notícia como uma fraude e não apenas uma partida do Dia das Mentiras. "O burlão está a pedir donativos em criptomoedas", escreveu. "É uma burla."
Vários meios de comunicação alteraram rapidamente os títulos depois de perceberem que a morte não era verdadeira. A publicação original no X passou a exibir uma "nota de contexto" a alertar que a conta está a pedir donativos em criptomoedas.
A tartaruga mais velha do mundo
O Guinness World Records lista Jonathan, uma tartaruga-gigante das Seychelles, como o animal terrestre vivo mais velho do mundo e a tartaruga mais idosa de sempre. Calcula-se que tivesse cerca de 50 anos quando foi levada para Santa Helena, em 1882.
Dillon afirma que a tartaruga continua a percorrer os jardins da residência do governador na ilha, mais conhecida por ter sido o local de exílio de Napoleão Bonaparte após a derrota frente aos britânicos em Waterloo, em 1815.
Bonaparte morreu ali em 1821, cerca de uma década antes de se supor que Jonathan tenha dado os primeiros passos naquela que viria a ser uma vida muito longa.