A Bulgária, membro da NATO e da União Europeia, tem fornecido ajuda militar à Ucrânia desde que a Rússia lançou a sua invasão em grande escala em 2022.
A Bulgária vai deixar de fornecer armas dos seus próprios arsenais à Ucrânia, afirmou o primeiro-ministro do país esta quarta-feira, apelando à "procura de uma solução diplomática" para pôr fim à guerra.
Embora a indústria de defesa do país deva continuar a ser um dos principais fornecedores de munições para Kiev, o primeiro-ministro Rumen Radev afirmou que o Governo está a pôr termo ao fornecimento de armas do exército búlgaro à Ucrânia.
"Já demos o suficiente, enquanto o nosso país continua a sofrer danos socioeconómicos com esta guerra sangrenta", declarou aos jornalistas, antes de uma reunião do Governo.
Radev, visto como próximo da Rússia e defensor do diálogo com Moscovo, tomou posse em maio, após o seu partido ter conquistado a maioria nas eleições legislativas.
Na quarta-feira, afirmou estar "convencido de que uma solução pacífica para a guerra na Ucrânia não será alcançada por via militar".
"Por isso, voltamos a apelar a uma abordagem abrangente e realista deste conflito e à procura de uma solução diplomática", acrescentou.
As declarações de Radev vão ao encontro das do ministro da Defesa, Dimitar Stoyanov, que afirmou na terça-feira que a guerra não será resolvida no campo de batalha.
"O que estamos a testemunhar é uma guerra de desgaste e, por mais armamento que se acumule, o único resultado é a perda de vidas humanas", afirmou.
"A Ucrânia precisa de mais pessoas, não de mais armas. Já tem armamento suficiente, por isso não prevemos fornecer mais armas ao exército ucraniano".
A Bulgária, membro da NATO e da União Europeia, tem prestado ajuda militar à Ucrânia desde que a Rússia lançou a sua invasão em grande escala em 2022.
Os envios de armamento, sobretudo de fabrico soviético, desempenharam um papel importante nas primeiras fases da guerra. Devido a controvérsias políticas internas, esses fornecimentos foram feitos sobretudo através de países terceiros.
Stoyanov afirmou que é altura de se sentar à mesa das negociações "para procurar uma paz justa, definida por ambas as partes".
"Claro que o papel da UE é extremamente importante", disse, acrescentando que "seria difícil atribuir-lhe o papel de mediador, pela simples razão de que a UE também tem apoiado a Ucrânia neste esforço de guerra".
Stoyanov anunciou ainda que a Bulgária pretende aumentar a despesa em defesa para 5% do PIB até 2030.
A Bulgária forneceu armas à Ucrânia a partir dos seus arsenais militares, incluindo sistemas de defesa aérea e mísseis terra-ar, tendo sido compensada por isso através do Mecanismo Europeu de Paz da UE.
Embora vários governos búlgaros tenham salientado a sua relutância em fornecer armas diretamente à Ucrânia, a indústria de defesa do país é um dos principais fornecedores de munições destinadas a Kiev.
O partido de centro-direita GERB, liderado pelo ex-primeiro-ministro Boyko Borissov, criticou os planos para pôr fim à ajuda militar à Ucrânia, alegando que tal minaria a "confiança na Bulgária como aliada".