Os dois médicos portugueses que participavam na Flotilha Global Sumud aterraram esta sexta-feira de manhã no Porto e denunciaram torturas e espancamentos sistemáticos por parte das autoridades israelitas durante a detenção.
Já estão em Portugal os dois médicos que participaram na Flotilha Humanitária Sumud e foram deportados por Israel, após um período de detenção durante o qual afirmam ter sofrido torturas, tanto físicas como psicológicas, e relatam ter visto soldados israelitas a balear e partir membros a outros ativistas.
Sorridentes e ambos de keffiyeh pelas costas, Gonçalo Reis e Beatriz Bartilotti aterraram esta sexta-feira de manhã no Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, vindos de Istambul. À chegada, descreveram como "horríveis" as condições de detenção que sofreram por parte das autoridades israelitas, mantidos durante vários dias num "barco-prisão" e depois numa prisão no meio do deserto, junto à fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza.
Ao Jornal de Notícias, Gonçalo Reis contou: "Bateram-me, apertaram as algemas com muita força, ainda não sinto três dedos. Deram-me cotoveladas e pontapés". O médico ativista conta que os maus-tratos por parte dos guardas israelitas eram comuns durante a detenção e "duas pessoas foram baleadas, uma na perna e outra no braço".
"Felizmente não levei nenhum tiro"
Mais grave ainda é o relato feito por Beatriz Bartilotti, que diz "ter contado pelo menos 35 pessoas com os membros partidos". "Fomos espancados sistematicamente, obrigados a estar ajoelhados durante horas. Houve pessoas que ficaram aleijadas. Eu tive sorte porque não levei nenhum tiro e não parti nenhum braço", contou ainda a ativista aos nossos colegas do JN.
Os médicos pedem uma ação mais firme por parte do governo português perante Israel, com o mundo ainda em choque com o vídeo em que o ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, humilha um grupo de ativistas detidos. Uma prática condenada até pelo próprio primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, que disse que "não está em linha com os valores e normas de Israel".
O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, disse que Portugal apoia possíveis sanções da União Europeia a Ben-Gvir e a suspensão temporária do acordo de associação UE-Israel. Também o Presidente da República, António José Seguro, expressou "total repúdio e condenação" perante as "humilhações públicas de seres humanos e tratamentos indignos".
A embaixadora e o cônsul de Portugal em Israel tentaram encontrar-se com Reis e Bartilotti antes de deixarem o país, mas foram impedidos pelas autoridades israelitas, o que motivou também um protesto por parte de Portugal.