Portugal juntou-se esta quarta-feira a vários países europeus na condenação do comportamento do ministro israelita Itamar Ben-Gvir, classificando como “humilhante” o tratamento dado aos ativistas da Flotilha Global Sumud e exigindo a libertação imediata dos cidadãos portugueses detidos.
Vários líderes europeus denunciaram esta quarta-feira o comportamento "inaceitável" do ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir, e o tratamento "humilhante" dos ativistas da Flotilha Global Sumud.
Em causa está a divulgação de um vídeo pelo ministro israelita Ben-Gvir que mostrava os ativistas amarrados e forçados a ajoelhar-se. O executivo português já se pronunciou, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros a censurar a ação do governante israelita.
"Portugal condena veementemente o comportamento intolerável do Ministro israelita Ben Gvir e o tratamento infligido aos ativistas da flotilha em humilhante violação da dignidade humana", pode ler-se numa publicação partilhada esta quarta-feira nas redes sociais do ministério tutelado por Paulo Rangel.
Na flotilha, que pretendia levar ajuda humanitária até Gaza e que foi intercetada pelas forças israelitas, seguiam dois médicos portugueses que terão sido detidos.
Nesse sentido, o ministério realça ainda que "o Governo português tem estado em permanente contacto com as autoridades israelitas para garantir a libertação imediata dos cidadãos nacionais, com garantias de proteção, que agora se torna ainda mais urgente".
O ministro Paulo Rangel recebe esta tarde o Encarregado de Negócios de Israel, onde irá exigir a libertação dos portugueses e expor os "pedidos de esclarecimento já previstos". Além disso, pretende abordar esta "grave violação dos direitos dos cidadãos".
Entre o coro de críticas está também a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que classificou de "inaceitável" o tratamento dos ativistas da flotilha de Gaza detidos por Israel.
Meloni pediu a libertação imediata de qualquer cidadão italiano detido e exigiu um pedido de desculpas de Israel.
"É intolerável que esses manifestantes, entre os quais há muitos cidadãos italianos, sejam submetidos a este tratamento, que viola a dignidade humana", disse Meloni numa declaração publicada nas redes sociais, referindo-se ao vídeo publicado pelo ministro Ben Gvir.
"Itália também exige um pedido de desculpas pelo tratamento infligido a esses manifestantes e pelo total desrespeito mostrado aos pedidos explícitos do governo italiano", disse Meloni.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, também convocou o embaixador israelita em Itália depois da divulgação do vídeo por Ben-Gvir sobre os ativistas da flotilha detidos em Ashdod.
"O que se vê no vídeo do ministro Ben-Gvir é absolutamente inaceitável e contrário a qualquer proteção elementar da dignidade humana. Em coordenação com a presidente do Conselho, ordenei a convocação imediata do embaixador de Israel em Itália", escreveu Tajani no X.
Ben-Gvir publicou no X um vídeo gravado no porto de Ashdod que mostra alguns ativistas de joelhos, com a cara no chão, de mãos atadas e rodeados por agentes de segurança.
As autoridades israelitas iniciaram no porto de Ashdod as operações de desembarque dos 430 ativistas da Global Sumud Flotilla, a missão marítima com destino a Gaza e a bordo da qual seguiam ativistas pró-palestinianos.
"Bem-vindos a Israel, é assim que recebemos os apoiantes do terrorismo",escreveu Ben Gvir na publicação.
O vídeo também foi criticado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, que disse ter solicitado a convocação do embaixador de Israel em França.
"A segurança dos nossos compatriotas é uma prioridade constante", escreveu no X.
"O que quer que se pense desta flotilha — e já indicámos em várias ocasiões a nossa desaprovação desta iniciativa — os nossos compatriotas que nela participam devem ser tratados com respeito e libertados o mais rapidamente possível."
O chefe da diplomacia espanhola também condenou o tratamento dos ativistas como "monstruoso".
"Esse tratamento é monstruoso, vergonhoso e desumano. Exigo desculpas públicas de Israel", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, numa declaração em Berlim, publicada no X, acrescentando que o Encarregado de Negócios de Israel em Madrid foi convocado em protesto.
Entretanto, a ministra dos Negócios estrangeiros da Irlanda, Helen McEntee, disse que ficou "horrorizada e chocada" com o vídeo.
A ministra irlandesa exigiu a libertação imediata dos ativistas "ilegalmente detidos". Entre os detidos está Margaret Connolly, irmã da presidente irlandesa, Catherine Connolly.
Polémica também se instalou no interior do governo israelita
A publicação do vídeo também suscitou uma dura repreensão por parte do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
"A forma como o ministro Ben Gvir tratou os ativistas da flotilha não está em linha com os valores e normas de Israel. Instruí as autoridades competentes para deportar os provocadores o mais rápido possível", garantiu Netanyahu em comunicado.
Ben Gvir também foi criticado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Sa'ar.
"Deliberadamente causou danos ao nosso Estado nesta exibição vergonhosa e não pela primeira vez. Desfez os esforços tremendos, profissionais e bem-sucedidos feitos por tantas pessoas, desde soldados das FDI até funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros e muitos outros. Não, não é o rosto de Israel", escreveu Sa'ar numa publicação no X.
A Flotilha Global Sumud partiu da Turquia na semana passada, na mais recente tentativa dos ativistas de romper o bloqueio de Israel ao território palestiniano, depois de as forças israelitas terem intercetado uma frota dos ativistas no mês passado.
As autoridades israelitas disseram que 430 ativistas a bordo da flotilha estavam a caminho de Israel, enquanto o grupo de direitos Adalah disse que alguns já haviam chegado ao porto de Ashdod e estavam detidos lá.
Israel controla todos os pontos de entrada em Gaza, que está sob bloqueio desde 2007.
Durante a guerra na Faixa de Gaza, desencadeada pelo ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023, o território sofreu graves carências de alimentos, medicamentos e outros mantimentos essenciais, com Israel por vezes a interromper completamente as entregas de ajuda humanitária.