Paulo Rangel convocou o embaixador, reforçando que os dois cidadãos portugueses foram detidos num contexto de “violação do direito internacional”. Ordem dos Médicos diz acompanhar “a situação com preocupação”.
O ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador israelita em Lisboa depois da notícia de que dois médicos portugueses a bordo da flotilha Global Sumud, com destino a Gaza, tinham sido detidos. A confirmação foi dada pelo ministro Paulo Rangel, reforçando que estas detenções, à semelhança do que já aconteceu no passado, ocorreram "em violação do direito internacional".
"Uma vez que esta ação de Israel, tal como a anterior de há umas semanas, foi feita em águas internacionais e, portanto, em violação do direito internacional, e dado que nós queremos garantir um tratamento de respeito absoluto pela integridade e pelos direitos fundamentais dos cidadãos em causa, convocámos hoje mesmo para o ministério o embaixador de Israel para fazermos o nosso protesto e para exigirmos esse tratamento e a reposição da legalidade internacional assim que possível", afirmou o ministro português à agência Lusa, à margem de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros jordano, Ayman Safadi, no Palácio das Necessidades.
À agência portuguesa o ministro confirmou que o Governo está a acompanhar a situação, mantendo o contacto permanente com as autoridades israelitas "no sentido de garantir, por um lado, a libertação imediata destas pessoas e, por outro lado, que sejam tratadas com todo o respeito e com garantia de todos os seus direitos fundamentais".
Durante o dia de ontem, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português tinha informado em comunicado que tinha "conhecimento de que dois cidadãos nacionais integravam a flotilha", mas que nenhum tinha contactado o Estado português. "No entanto, as famílias já estabeleceram contacto com as autoridades portuguesas a fim de sinalizar a participação dos seus familiares", indicaram as autoridades nacionais.
"Médicos devem ser protegidos e respeitados em todas as circunstâncias"
A Ordem dos Médicos também já se pronunciou, explicando que "acompanha com bastante preocupação" o caso dos dois clínicos detidos, indicando estar em contacto com o MNE e com o Ministério da Saúde, "no sentido de acionar todos os mecanismos diplomáticos necessários ao regresso seguro dos dois cidadãos, assim como da garantia plena da integridade física e psicológica dos dois portugueses".
“Os médicos devem ser protegidos e respeitados em todas as circunstâncias. Nunca podem ser alvo de violência, intimidação ou qualquer forma de condicionamento, independentemente do contexto político ou militar”, indicou em comunicado o o Bastonário, Carlos Cortes, reforçando que o organismo continuará a "acompanhar o caso com a máxima atenção, mantendo contacto permanente com as autoridades portuguesas".
As forças israelitas intercetaram ao largo de Chipre a flotilha Global Sumud, composta por cerca de 50 embarcações que tinham partido do sul da Turquia na semana passada. Os navios foram intercetados em águas internacionais, 250 milhas náuticas a oeste de Chipre. Pelo menos 31 embarcações foram interceptadas na operação até segunda-feira à noite.
O Jornal de Notícias identificou os cidadãos portugueses detidos como Maria Beatriz Barroca Bartilotti Matos e Gonçalo Dias, que se encontravam na embarcação Tenaz.