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Soldados é que decidem a guerra na Ucrânia, não conversas, diz Lavrov

Um soldado reage enquanto um lançador múltiplo BM-21 «Grad» dispara contra posições russas perto de Kostiantynivka, na região de Donetsk, Ucrânia, em 4 de junho de 2026.
Soldado reage enquanto sistema de lançamento múltiplo BM-21 «Grad» dispara contra posições russas perto de Kostiantynivka, região de Donetsk, Ucrânia, 4 de junho de 2026. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
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Chefe da diplomacia russa criticou carta aberta de Zelenskyy a Putin e afastou a possibilidade de negociações diretas com Kiev.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, criticou uma carta aberta que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, dirigiu ao homólogo russo, Vladimir Putin, classificando-a como grosseira e afirmando que serão as armas a falar.

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Sergey Lavrov salientou na segunda-feira que Moscovo está descontente por a carta ter sido "divulgada pelo mundo inteiro", alegando que "as pessoas educadas não se comportam assim".

Lavrov afirmou ainda que, para o Kremlin, isso "mostra que a Ucrânia não tem interesse em negociar", apesar das numerosas tentativas de Kiev para iniciar conversações com Moscovo.

O chefe da diplomacia russa reiterou a declaração anterior de Putin, segundo a qual "não são as negociações, mas sim as ações dos envolvidos" na linha da frente da guerra que a Rússia trava "que são decisivas para o desfecho" da invasão em larga escala lançada por Moscovo.

Na semana passada, o presidente ucraniano divulgou uma carta aberta dirigida a Putin, propondo conversações diretas entre os dois presidentes.

Putin rejeitou a proposta durante o Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, na sexta-feira, afirmando que "não vê qualquer sentido em reunir-se com Zelenskyy".

A iniciativa de Zelenskyy foi depois retomada pelos líderes de França, da Alemanha e do Reino Unido que, juntamente com o presidente ucraniano, divulgaram no domingo uma declaração conjunta em que enunciaram cinco condições que consideram necessárias para uma "paz justa e duradoura".

Entre elas figuram um cessar-fogo imediato e abrangente e negociações com base na atual linha de contacto.

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, afastou a iniciativa europeia durante o briefing de segunda-feira, afirmando que os líderes europeus minam os próprios apelos à paz ao continuarem a prestar apoio militar à Ucrânia.

"Gostaria de salientar que Macron, Starmer e Merz estão todos a tentar falar de paz. Ao mesmo tempo, sublinham a intenção de ajudar a Ucrânia a produzir novos tipos de armas", afirmou.

Moscovo também critica os EUA

Lavrov afirmou na segunda-feira que os Estados Unidos "infelizmente" não mostram interesse em regressar ao que Moscovo diz ter sido um "entendimento alcançado em Anchorage" no verão passado.

"Espero muito que a experiência de fracassos anteriores, quando o Ocidente se recusou a cumprir acordos que ele próprio apoiara, não se repita em relação ao acordo do Alasca", afirmou o chefe da diplomacia russa.

"Mas, até agora, para grande pesar nosso, os nossos parceiros americanos não mostraram qualquer interesse nisso."

Lavrov manifestou a sua desilusão e "preocupação" com uma declaração do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que disse recentemente, numa audição no Congresso, que Washington não pode atuar como mediador porque apoia a Ucrânia.

"O mesmo foi dito pela conhecida Kaja Kallas e por várias outras figuras da União Europeia e da Comissão Europeia", acrescentou Lavrov.

Durante as audições de 3 de junho, Rubio afirmou também que os Estados Unidos não veem uma via militar para pôr fim ao conflito.

Disse que a guerra só pode ser travada por via diplomática, mas que isso é dificultado pela falta de vontade de compromisso das partes.

Segundo Rubio, Washington continua a apoiar todos os esforços destinados a estabelecer a paz, pois considera que a guerra na Ucrânia não tem solução militar.

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