Ativista seguia em comboio humanitário que foi impedido de atravessar a fronteira com o Egito, num dos pontos de verificação no território libanês. MNE confirma a detenção e diz estar a acompanhar a situação e a prestar proteção consular.
Uma cidadã portuguesa encontra-se detida na Líbia depois do comboio humanitário onde seguia ter sido intercetado pelas autoridades do país. O comboio tinha Gaza como destino mas, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que já confirmou a presença da portuguesa no local, foi impedido de atravessar a fronteira com o Egito.
“A cidadã nacional não terá sido autorizada a passar a fronteira com o Egito num dos pontos de verificação no território da Líbia, que, por motivos de segurança, só permite a passagem de cidadãos egípcios e líbios”, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros em comunicado.
O MNE indicou ainda que a mulher, "encontra-se detida em Bhengazi, juntamente com um grupo de cidadãos de outras nacionalidades, sob a autoridade da polícia local, “alegadamente por cometimento de uma infração”.
O Governo português garante que "tem vindo a acompanhar a situação da cidadã nacional e a prestar proteção consular através da Embaixada de Portugal em Tunes, em estreita coordenação com as autoridades italianas no quadro dos instrumentos de cooperação europeia em matéria consular”. Segundo o comunicado, os trabalhos envolvem ainda as embaixadas em Roma, Ancara e no Cairo. Além disso, voltou a reforçar que as viagens para a Líbia são desaconselhadas aos viajantes portugueses.
Ana Margarida França Santana Baptista faz parte de um grupo de dez ativistas detidos, segundo denunicou ontem a Global Sumud Flotilha.
"Vários participantes da Caravana Global Sumud foram detidos pelas Forças Armadas Árabes da Líbia (LAAF) e pelas autoridades do leste da Líbia (Governo de Salvação Nacional) após terem atravessado a linha 5+5 perto de Sirte, de boa-fé, para conduzir negociações pacíficas em nome da caravana e facilitar a entrega de ajuda humanitária a Gaza", indicaram em comunicado.
Nas redes sociais a organização partilhou um vídeo da portuguesa, reforçando que haviam perdido o contacto com ela, enquanto exigiam "medidas imediatas para esclarecer o seu paradeiro e garantir a sua segurança".
O comboio humanitário terrestre, que opera sob a mesma organização da flotilha humanitária, partiu de Zlitan, no sábado, mas ficou parado nos arredores de Sirte no dia seguinte.
Segundo a organização, a última comunicação do grupo foi recebida às 15h22, hora local, do dia 24 de maio, quando um delegado informou que o grupo estava a ser transferido para três carrinhas brancas. "Desde então, não foi estabelecido qualquer contacto direto", indicaram.
O dispositivo é composto por mais de 30 veículos, entre ambulâncias, casas móveis e camiões de ajuda humanitária. Cerca de 200 pessoas de mais de 25 países seguem no comboio humanitário, incluindo profissionais de saúde, engenheiros, educadores e observadores jurídicos procurando entregar ajuda na Faixa de Gaza.