Em comunicado, o Governo de Luís Montenegro garante que foi informado "desde a primeira hora" pelo governo espanhol, que deu garantias de que "fará reverter o fluxo de milhares de pessoas" que chegaram a Ceuta.
O Governo português divulgou esta sexta-feira um comunicado sobre a crise migratória em Ceuta, sublinhando que tem mantido contacto com o governo espanhol "desde a primeira hora" e que as autoridades portuguesas estão "articuladas com as congéneres espanholas e a agir em concertação".
"O Governo português, em articulação com os parceiros europeus, segue com grande preocupação a crise migratória em Ceuta. Lamentam-se, uma vez mais, as vítimas mortais", lê-se na nota divulgada pelo Executivo ao início da tarde.
"Desde a primeira hora, tem sido informado pelo governo espanhol, que tem dado garantias de que, em estreita coordenação e cooperação com as autoridades marroquinas, fará reverter o fluxo de milhares de pessoas nestas semanas e, em especial, nos últimos dois dias", esclarece o comunicado, que acrescenta: "O Governo português reafirma que a integridade do sistema Schengen depende de um rigoroso controlo de fronteiras e do combate determinado a todas as formas de imigração ilegal".
O Governo português não refere, portanto, qualquer iniciativa para a suspensão do Tratado de Schengen, como fizeram outros países, nomeadamente Itália e Finlândia. No entanto, André Ventura, presidente do Chega, da extrema-direita portuguesa, já veio pedir a suspensão do tratado para impeder a entrada de imigrantes ilegais.
A nota do Governo divulgada esta sexta-feira reforça ainda que "Portugal mantém-se em contacto permanente com os Governos de Espanha e Marrocos. Neste âmbito, as autoridades portuguesas, designadamente a GNR e a Polícia Marítima, estão articuladas com as autoridades congéneres espanholas e a agir em concertação".
Segundo as autoridades, pelo menos 60 mil migrantes atravessaram a fronteira de Marrocos para o enclave espanhol de Ceuta nos últimos dias, enquanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chegava para gerir a maior crise migratória do país dos últimos anos.
Até ao momento, 34 pessoas morreram ao tentarem chegar ao território espanhol, segundo fontes policiais.