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Governo português diz que não há razão para suspender Schengen mas reforça controlo de fronteiras no sul

O primeiro-ministro português Luís Montenegro numa imagem de arquivo
O primeiro-ministro português Luís Montenegro numa imagem de arquivo Direitos de autor  AP Photo
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De Bárbara Cruz
Publicado a Últimas notícias
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Em comunicado, o Governo de Luís Montenegro garante que foi informado "desde a primeira hora" pelo governo espanhol, que deu garantias de que "fará reverter o fluxo de milhares de pessoas" que chegaram a Ceuta.

O Governo português divulgou esta sexta-feira um comunicado sobre a crise migratória em Ceuta, sublinhando que tem mantido contacto com o governo espanhol "desde a primeira hora" e que as autoridades portuguesas estão "articuladas com as congéneres espanholas e a agir em concertação".

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"O Governo português, em articulação com os parceiros europeus, segue com grande preocupação a crise migratória em Ceuta. Lamentam-se, uma vez mais, as vítimas mortais", lê-se na nota divulgada pelo Executivo ao início da tarde.

"Desde a primeira hora, tem sido informado pelo governo espanhol, que tem dado garantias de que, em estreita coordenação e cooperação com as autoridades marroquinas, fará reverter o fluxo de milhares de pessoas nestas semanas e, em especial, nos últimos dois dias", esclarece o comunicado, que acrescenta: "O Governo português reafirma que a integridade do sistema Schengen depende de um rigoroso controlo de fronteiras e do combate determinado a todas as formas de imigração ilegal".

O Governo português não refere, portanto, qualquer iniciativa para a suspensão do Tratado de Schengen, como fizeram outros países, nomeadamente Itália e Finlândia. No entanto, André Ventura, presidente do Chega, da extrema-direita portuguesa, já veio pedir a suspensão do tratado para impeder a entrada de imigrantes ilegais.

A nota do Governo divulgada esta sexta-feira reforça ainda que "Portugal mantém-se em contacto permanente com os Governos de Espanha e Marrocos. Neste âmbito, as autoridades portuguesas, designadamente a GNR e a Polícia Marítima, estão articuladas com as autoridades congéneres espanholas e a agir em concertação".

Reforço de fronteiras

Em declarações aos jornalistas ao final da tarde, o primeiro-ministro Luís Montenegro reiterou que não há razão para suspender o acordo de Schengen, mas sim motivos para reforçar o controlo das fronteiras terrestre e marítima do sul do país. "A questão merece acompanhamento mas com ponderação", disse Montenegro, lembrando que a passagem de Ceuta para Espanha continental é sujeita a controlos mais apertados do que as fronteiras entre países europeus abrangidos pelo espaço Schengen.

"A situação é grave", admitiu, reforçando porém que o país não vai suspender acordo de Schengen.

Segundo as autoridades, pelo menos 60 mil migrantes atravessaram a fronteira de Marrocos para o enclave espanhol de Ceuta nos últimos dias, enquanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chegava para gerir a maior crise migratória do país dos últimos anos.

Até ao momento, 57 pessoas morreram ao tentarem chegar ao território espanhol, segundo fontes policiais.

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