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Espanha estima que 60 mil migrantes tenham entrado em Ceuta em 24 horas

Migrantes atravessam de Marrocos para o enclave espanhol de Ceuta, quinta‑feira, 30 de julho de 2026.
Migrantes atravessam a partir de Marrocos até ao enclave espanhol de Ceuta, na quinta-feira, 30 de julho de 2026. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Christina Thykjaer
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A chegada em massa de imigrantes sobrecarregou a capacidade de resposta em Ceuta e provocou uma crescente inquietação entre os parceiros europeus. Itália estuda a possibilidade de suspender o Acordo de Schengen com Espanha e a França já anunciou um reforço da vigilância na fronteira.

Segundo as autoridades, pelo menos 60 mil migrantes atravessaram a fronteira de Marrocos para o enclave espanhol de Ceuta nos últimos dias, enquanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chegava para gerir a maior crise migratória do país dos últimos anos.

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Na sexta-feira, a polícia informou também que continuam a chegar muitas mais pessoas ao enclave.

As autoridades espanholas afirmaram que irão tentar expulsar o mais rapidamente possível os que entraram ilegalmente, apesar de uma decisão judicial que impôs novas restrições às regras especiais de "rejeição na fronteira", que permitem expulsões imediatas. Segundo os últimos dados, mais de metade das pessoas já terão regressado a Marrocos.

À chegada a Ceuta, Sánchez declarou: "Concluímos das nossas conversações com as autoridades marroquinas que as redes de tráfico de seres humanos fizeram uma interpretação egoísta de uma decisão do Supremo Tribunal". Essa interpretação "espalhou-se como fogo nas últimas horas".

Na quinta-feira, migrantes eufóricos percorriam as ruas de Ceuta, agradecendo à polícia espanhola e gritando: "Adeus, Marrocos, olá, Espanha".

A polícia e a Guarda Civil em Ceuta pareciam fazer pouco para intervir, embora alguns agentes tenham tentado encaminhar os recém-chegados para o centro local de acolhimento de migrantes.

Até ao momento, 57 pessoas morreram ao tentarem chegar ao território espanhol, segundo fontes policiais.

As imagens difundidas nas últimas horas mostram milhares de pessoas a atravessar a fronteira, muitas delas a contornar os esporões que separam Marrocos de Ceuta. Entre os recém-chegados predominam homens jovens, embora também tenham sido vistas famílias com mulheres e crianças. Esta sexta-feira, soldados espanhóis começaram a colaborar no regresso de centenas de imigrantes a Marrocos.

Rachid Sbihi, representante de uma associação profissional da Guardia Civil em Ceuta, classificou a situação como “grave crise humanitária”.

Segundo explicou, milhares de imigrantes, entre eles numerosos menores não acompanhados, passaram a noite a dormir em parques e passeios, enquanto outros vagueiam pelas ruas sem um lugar onde ficar.

Migrantes atravessam de Marrocos para o enclave espanhol de Ceuta, na quinta-feira, 30 de julho de 2026. (Foto AP/Antonio Sempere)
Migrantes atravessam de Marrocos para o enclave espanhol de Ceuta, na quinta-feira, 30 de julho de 2026. (Foto AP/Antonio Sempere) AP Photo

“As pessoas continuam a entrar. Os reforços que chegaram só conseguem atender os feridos e as necessidades humanitárias mais urgentes. A situação é caótica”, afirmou em declarações à AP. Nas redes sociais, numerosos moradores queixaram-se da situação de insegurança criada pela crise nas ruas de Ceuta.

Perante o agravamento da situação, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, mobilizou o Exército na quinta-feira e deslocou-se a Ceuta na sexta-feira, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, a fim de seguir de perto a evolução da crise e coordenar a resposta do Governo.

Para já, as autoridades marroquinas não explicaram as causas desta chegada massiva de pessoas nem fizeram declarações sobre o sucedido. Também não é claro o que provocou o brusco aumento dos cruzamentos fronteiriços, embora as chegadas já tivessem aumentado nos últimos dias.

Preocupação na Europa: Itália pondera suspender acordo Schengen com Espanha

A dimensão da crise migratória em Ceuta começou a gerar preocupação entre vários governos europeus. Itália avaliou a possibilidade de suspender temporariamente a aplicação do espaço Schengen com Espanha, para reforçar os controlos fronteiriços e evitar possíveis movimentos secundários de migrantes para outros países da União Europeia.

Na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, manifestou-se favorável a suspender temporariamente o espaço Schengen com Espanha, ao considerar que a imigração irregular e descontrolada representa “um perigo para a segurança nacional”. As declarações provocaram uma resposta imediata do ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, que qualificou a mensagem como “imprópria” e anunciou a convocação do embaixador italiano em Madrid.

“Esta mensagem é imprópria de um ministro dos Negócios Estrangeiros de um país parceiro e amigo, de quem esperamos solidariedade europeia e não demagogia partidária. Os factos de hoje têm relação com uma sentença, nada a ver com o que diz o tweet. Convoquei para amanhã o embaixador de Itália”, afirmou Albares.

França reforça controlos na fronteira com Espanha

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, afirmou esta sexta-feira que os controlos na fronteira com Espanha serão reforçados.

"À luz da situação no enclave de Ceuta, dei ontem à noite instruções para intensificar imediatamente os controlos na fronteira com Espanha. Além disso, estou a mobilizar a Força de Intervenção Rápida nas Fronteiras para realizar controlos exaustivos", afirma o ministro do Interior francês.

Autoridades espanholas "sobrecarregadas"

As autoridades espanholas afirmaram estar "completamente sobrecarregadas" com a situação, segundo relata o El Mundo.

Apenas 55 agentes se encontravam na linha da frente quando a situação eclodiu, de acordo com o jornal espanhol.

As forças ativas no terreno são "três ou quatro vezes inferiores ao que seria necessário para fazer face a algo como isto", afirma ao El Mundo David Gomez, secretário de comunicação da Associação Profissional de Justiça da Guarda Civil.

Este afluxo representa a maior chegada de migrantes a Ceuta desde 2021 — predominantemente jovens e adolescentes —, tendo sido registadas 18 mortes durante a travessia, de acordo com dados divulgados na sexta-feira de manhã pela mesma fonte.

Este número de entradas significa que a população do enclave aumentou mais de 50%, uma vez que cerca de 83 mil pessoas vivem atualmente em Ceuta.

Outras fontes • AFP, AP

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