Na próxima época turística, a pequena ilha do Mar Jónico deverá constar na lista de milhares de turistas estrangeiros, graças à adaptação cinematográfica da epopeia de Homero.
Ítaca, no mar Jónico, ao largo da costa ocidental da Grécia continental, fica afastada dos destinos turísticos mais populares do país e, apesar das águas cristalinas e das enseadas impressionantes, nunca foi um dos destinos habituais dos viajantes. Agora, porém, depois da estreia cinematográfica da “Odisseia” de Christopher Nolan, baseada na famosa epopeia de Homero, amiradores de Homero e de Ulisses passam a incluir Ítaca nos seus roteiros.
“Aprendi grego quando era criança e estudei a Odisseia. Gosto de Ulisses. Este é o meu sonho”, diz a advogada italiana Giorgia Ongarato, que chegou emocionada a Ítaca.
O presidente da Câmara de Ítaca espera que, depois do filme de Hollywood, o turismo aumente, embora sublinhe que isso só ficará claro na próxima época turística: “Ainda não se nota uma grande afluência de visitantes na ilha por causa do filme. Consideramos que esse planeamento será feito a partir do próximo ano, à medida que o filme for estreando, gradualmente, em todo o mundo. Assim, todos vão querer vir à ilha”, sublinha Dionysis Stanitsas.
Por outro lado, há empresários em Ítaca que já veem a ilha tornar-se conhecida em todo o mundo graças ao filme: “Os turistas com quem tenho contactado já falam disso e dizem que acreditam que vai surgir algo de positivo. Embora o filme ainda não tenha sido lançado em todas as salas de cinema, já começou a dar visibilidade à ilha e a aumentar a sua notoriedade”, nota Chími Hótsa, dono de um restaurante.
Os proprietários das lojas de recordações sabem há anos qual é o principal motivo que leva os turistas a Ítaca, e não é outro senão Homero e a “Odisseia”: “As pessoas vêm porque conhecem a lenda de Ulisses e Homero, que escreveu a Odisseia. Penso que esse é o motivo principal, mas é também uma ilha pequena e muito bonita”, diz Ioanna Griva, proprietária de uma loja de recordações.
A exposição permanente “Luz sobre a Ítaca homérica”, na aldeia de Stavros, apresenta achados arqueológicos que ligam a Ítaca atual à pátria de Ulisses. Teagan Messing, turista norte-americana formada em antropologia, considera, no entanto, que o filme tem pouco em comum com o texto original: “Acho que é uma boa forma de despertar o interesse de mais pessoas por Homero e, em geral, pela mitologia. Mas, certamente, o filme não é fiel ao texto original.”
Por seu lado, o filólogo e arqueólogo Spyros Kouvaras mostra-se otimista em relação ao turismo de Ítaca, mas sublinha que tudo se deve ao próprio Homero: “A partir do próximo ano esperamos um aumento significativo dos visitantes, e podemos dizer que isso também vai afetar meses que normalmente são ‘mortos’, como outubro, talvez até novembro, bem como março e abril, que costumam ser meses tranquilos em Ítaca. Concluo dizendo que, por detrás disto, está o filme de Nolan numa primeira fase, mas, por detrás do filme de Nolan, está Homero”.