Michael O'Leary aponta Wizz Air e airBaltic como companhias aéreas em risco. Companhia húngara nega.
O presidente executivo da Ryanair, Michael O'Leary, afirma que duas ou três companhias aéreas europeias "podem entrar em falência" antes do fim deste ano devido à forte subida dos preços do petróleo.
O dirigente da maior companhia aérea europeia avança que a guerra no Irão já custou à Ryanair um valor extra de 50 milhões de dólares (42,6 milhões de euros) em custos de combustível só em abril.
"Se o petróleo se mantiver nestes níveis, em outubro ou novembro duas ou três companhias aéreas europeias podem falir, como a Wizz Air, que quer processar-me mas não terá tempo para isso, e a airBaltic", afirmou ao jornal italiano Il Sole 24 Ore.
"Uma coisa boa para o nosso negócio, porque haverá menos concorrentes".
A Wizz Air desmentiu estas afirmações. A Euronews Travel contactou a airBaltic para obter uma reação.
Letónia aprova empréstimo de 30 milhões de euros à airBaltic
No início deste mês, o parlamento da Letónia aprovou um empréstimo de curto prazo de 30 milhões de euros à airBaltic para "atenuar o impacto negativo do conflito na região do Médio Oriente na situação financeira da empresa".
O empréstimo tem de ser reembolsado até 31 de agosto deste ano.
A airBaltic é a companhia aérea de bandeira da Letónia e pertence maioritariamente ao governo letão. O grupo Lufthansa detém ainda uma participação minoritária de 10% na empresa.
A principal base da companhia fica em Riga, mas a empresa opera também centros de operações em Tallinn, capital da Estónia, em Vilnius, capital da Lituânia, e em Tampere, na Finlândia.
A airBaltic assegura rotas de curta distância sobretudo para destinos europeus, com alguns voos para o Norte de África e o Médio Oriente.
'Completamente falso': Wizz Air responde
A Wizz Air afirma que os comentários de O'Leary são "completamente falsos".
"A Wizz Air tem uma situação financeira sólida, ampla liquidez e financia as suas aeronaves com 18 meses de antecedência, com as empresas de leasing e outros financiadores a disputarem intensamente cada oportunidade", disse um porta-voz da Wizz Air num comunicado enviado à Euronews Travel.
"Trata-se de uma empresa com uma estabilidade clara. A Wizz Air é uma das companhias aéreas mais protegidas do setor face às rápidas oscilações do preço do combustível e a nossa frota é já composta em 75% por aeronaves da família A320neo, o que lhe confere uma vantagem estrutural de custos face a qualquer outra companhia na Europa, graças a um consumo de combustível significativamente mais baixo e a uma maior eficiência. A Wizz Air mantém também relações de longa data com os principais credores e fabricantes, continuando a executar a sua estratégia de frota sem interrupções".
"Continuamos a expandir rapidamente a nossa presença em Itália e noutros mercados-chave. O nosso foco mantém-se exatamente onde deve estar: oferecer as tarifas mais baixas, operar a frota de aeronaves mais jovem e eficiente em termos de combustível e servir milhões de clientes!", acrescenta a companhia.
A companhia aérea húngara de baixo custo Wizz Air tem bases em Budapeste, Bucareste e Londres Luton, voando para mais de 200 destinos em todo o mundo.
Não é a primeira vez que O'Leary põe em causa a viabilidade a longo prazo da Wizz Air.
Já em 2019, o líder da Ryanair apontava a Wizz Air como uma das várias companhias europeias que poderiam vir a ser alvo de aquisições nos próximos anos, numa entrevista ao The Mail On Sunday
Desde então, repetiu declarações semelhantes, ao ponto de o presidente executivo da Wizz Air, József Váradi, ter ironizado: "Acho que com ele já falimos pelo menos dez vezes", numa entrevista ao G7.