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Europa tem "talvez seis semanas de combustível para aviões", alerta diretor da Agência Internacional de Energia

Avião da Lufthansa estacionado no aeroporto de Munique, 13 de abril de 2026
Avião da Lufthansa estacionado no aeroporto de Munique, 13 de abril de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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Na semana passada, o Conselho Internacional de Aeroportos da Europa escreveu à Comissão Europeia, afirmando que a escassez de combustível para aviões poderia começar no início de maio, se os petroleiros não começassem a passar pelo Estreito de Ormuz.

A Europa tem "talvez seis semanas ou mais de combustível para aviões", disse na quinta-feira o diretor da Agência Internacional da Energia (AIE), alertando para a possibilidade de cancelamento de voos "em breve" se o fornecimento de petróleo continuar bloqueado pela guerra do Irão.

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O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, traçou um quadro preocupante das repercussões globais daquilo a que chamou "a maior crise energética que alguma vez enfrentámos", decorrente do corte do petróleo, do gás e de outros fornecimentos vitais através do Estreito de Ormuz.

"No passado, havia um grupo (de música) chamado Dire Straits [situação difícil, numa tradução literal]. Atualmente, a situação é grave e vai ter grandes implicações para a economia mundial. E quanto mais tempo passar, pior será para o crescimento económico e para a inflação em todo o mundo", afirmou.

O impacto será "preços mais elevados (da gasolina), preços mais elevados do gás, preços elevados da eletricidade", disse Birol.

A dor económica será sentida de forma desigual, com alguns países "a serem mais atingidos do que outros", disse, referindo o Japão, a Coreia, a Índia, a China, o Paquistão e o Bangladesh como estando na linha da frente da crise energética.

Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional da Energia, discursa na sede da AIE em Paris, 16 de abril de 2026
Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional da Energia, discursa na sede da AIE em Paris, 16 de abril de 2026 AP Photo

"Os países que mais sofrerão não serão aqueles cuja voz é muito ouvida. Serão sobretudo os países em desenvolvimento. Os países mais pobres da Ásia, de África e da América Latina", afirmou.

"Depois chegará à Europa e às Américas", acrescentou, falando a partir do seu gabinete em Paris.

Se o Estreito de Ormuz não for reaberto, "posso dizer que em breve ouviremos a notícia de que alguns voos da cidade A para a cidade B poderão ser cancelados devido à falta de combustível para aviões".

Birol insurgiu-se contra o sistema de "portagens" que Teerão terá criado para alguns navios, permitindo-lhes atravessar o estreito mediante o pagamento de uma taxa. Segundo Birol, a transformação deste sistema numa regra permanente poderia abrir um precedente que poderia ser aplicado a outras vias navegáveis.

"Se a alterarmos uma vez, poderá ser difícil voltar atrás", afirmou. "Será difícil ter um sistema de portagens aqui, aplicado aqui, mas não lá".

"Gostaria que o petróleo fluísse incondicionalmente do ponto A para o ponto B", afirmou.

Escassez em maio ou junho

Na semana passada, o Conselho Internacional de Aeroportos da Europa escreveu à Comissão Europeia dizendo que a escassez de combustível para aviões poderia começar no início de maio, se os petroleiros não começassem a navegar através de Ormuz.

O tráfego na via navegável, através da qual transitava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra, foi quase totalmente bloqueado desde que a guerra com o Irão começou com os ataques aéreos israelo-americanos em 28 de fevereiro.

Birol avisou que a Europa poderia enfrentar uma escassez de combustível para aviões "talvez no início de maio", mas a situação varia consideravelmente em todo o continente.

Um avião da Air France descola no Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma, 6 de novembro de 2025
Um avião da Air France descola no Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma, 6 de novembro de 2025 AP Photo

A Áustria, a Bulgária e a Polónia dispõem de reservas confortáveis. Para a Grã-Bretanha, a Islândia e os Países Baixos, a situação é oposta. França está algures no meio. E o impacto não será o mesmo para todos os aeroportos e companhias aéreas.

"Os aeroportos mais pequenos, situados no interior do país, estarão numa posição mais fraca do que as principais plataformas de correspondência", afirma Rico Luman, economista do banco ING.

"Não se tratará de uma paragem total, mas de um cancelamento parcial em algumas companhias aéreas e aeroportos", acrescentou.

Problemas graves de abastecimento

As companhias aéreas têm pouca visibilidade para planear os seus horários de voo.

A Airlines for Europe (A4E), uma associação comercial que inclui a Air France-KLM, a Lufthansa e a Ryanair, tem instado a União Europeia a começar a fornecer informações em tempo real sobre as reservas de combustível de aviação nos aeroportos.

A informação teria de ser fornecida pelos fornecedores de combustível, que não se mostram muito entusiasmados com a possibilidade de entregar dados comerciais sensíveis aos seus principais clientes.

A TotalEnergies avisou que, se o abastecimento de petróleo do Golfo continuar bloqueado em junho, não poderá abastecer todos os seus clientes.

Um avião da British Airways descola do aeroporto de Heathrow, 22 de março de 2025
Um avião da British Airways descola do aeroporto de Heathrow, 22 de março de 2025 AP Photo

"Se esta guerra e este bloqueio durarem mais de três meses, começaremos a enfrentar sérios problemas de abastecimento em alguns produtos, como o combustível para aviões", disse o presidente executivo da empresa, Patrick Pouyanne, na segunda-feira.

A Airlines for Europe (A4E) também sugeriu que a Comissão Europeia autorizasse excecionalmente a importação de combustível de aviação dos EUA, que é produzido de acordo com normas ligeiramente diferentes das do resto do mundo.

As questões regulamentares, políticas e logísticas significam que há poucas hipóteses de tal acontecer num futuro próximo.

Outras fontes • AP, AFP

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