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Irão reivindica vitória e Israel mantém posição no primeiro teste ao acordo dos EUA

Polícias passam em frente a um enorme pano com a bandeira iraniana na praça da Revolução Islâmica, em Teerão, 14 de junho de 2026
Polícias passam diante de um enorme pano com a bandeira iraniana, na Praça da Revolução Islâmica, em Teerão, 14 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Aleksandar Brezar
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Teerão afirmou que os EUA "foram forçados a assinar" uma rendição e os militares iranianos disseram que os inimigos "não tiveram alternativa senão aceitar a derrota", enquanto Israel avisou que as FDI ficarão no Líbano, Síria e Gaza "por tempo indeterminado".

Acordo inicial entre os EUA e o Irão alcançado no domingo já enfrenta obstáculos, numa altura em que Teerão afirma que pretende controlar o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz como vencedor da guerra, enquanto Israel insiste em manter o território conquistado no Líbano na batalha contra o Hezbollah.

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Depois de o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, ter confirmado em declarações televisivas que o acordo de princípio pôs fim imediato à guerra, ficando pendente um "acordo final" após mais 60 dias de conversações, a agência noticiosa Fars adiantou que será estabelecido, através da cooperação entre o Irão e Omã, um enquadramento jurídico para a navegação nas águas do golfo Pérsico.

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou inicialmente no domingo que a via marítima crucial tinha sido reaberta, com o levantamento do bloqueio naval dos EUA. Mais tarde recuou, afirmando que isso ficava dependente da assinatura do acordo na Suíça, na sexta-feira.

O Estreito de Ormuz tem cerca de 38 quilómetros de largura no ponto mais estreito, o que significa que tanto o Irão como Omã controlam a passagem, por onde circula habitualmente um quinto do petróleo e dos carregamentos de GNL mundiais, bem como outras mercadorias.

Teerão já tinha afirmado que iria introduzir portagens para os navios em trânsito, sugerindo que cobraria taxas de passagem em conjunto com Omã, uma alegação que Mascate rejeitou de imediato, alegando que não é legal cobrar quaisquer taxas porque o Estreito de Ormuz é uma passagem natural e não artificial.

O Irão publicou ainda no final de maio um mapa em que reclama controlo regulamentar sobre uma faixa do Estreito de Ormuz que se estende profundamente pelas águas territoriais dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, o que levou cinco Estados do Golfo a advertirem formalmente as companhias de navegação, através da Organização Marítima Internacional (IMO), para não cumprirem essas instruções.

Teerão tem, até agora, apresentado o anúncio como uma vitória para a República Islâmica, com a televisão estatal iraniana a exibir no domingo à noite uma faixa com a mensagem: "Os EUA foram forçados a assinar um acordo para pôr fim à guerra".

O comando operacional Khatam al-Anbiya, das forças armadas da República Islâmica, divulgou um comunicado separado no domingo à noite em que afirmava que "os inimigos humilhados não têm alternativa senão aceitar a derrota e render-se perante um povo inspirado por Deus e pelos soldados do Todo-Poderoso".

"Ao imporem a sua vontade divina e férrea aos adversários, provaram que não há outra opção para o inimigo senão reconhecer a derrota", acrescentou o Khatam al-Anbiya.

Gharibabadi afirmou também que o Irão "derrotou os EUA no campo de batalha militar", acrescentando que "as forças armadas iranianas terão sempre o dedo no gatilho para enfrentar as conspirações dos inimigos".

Campanha de Israel mantém-se

Israel, que participou no primeiro ataque da guerra a 28 de fevereiro, afirmou desde então que as suas operações vão continuar, apesar do anúncio de que o acordo se aplica a todas as frentes, incluindo o Líbano.

"O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e eu seguimos uma política clara segundo a qual as Forças de Defesa de Israel (FDI) permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por um período ilimitado, para proteger a fronteira e as comunidades israelitas desses locais contra elementos jihadistas", declarou na segunda-feira o ministro da Defesa, Israel Katz.

Já o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, classificou o acordo anunciado no domingo como "mau para Israel e para todo o mundo livre, ponto final".

"Teremos de continuar, por nossa conta e de forma criativa, a campanha para derrubar o regime e garantir que o Irão nunca terá armas nucleares", acrescentou Smotrich.

O Irão criticou anteriormente os EUA e Trump por não conseguirem travar Israel e a sua intervenção contra o Hezbollah, aliado de Teerão no Líbano.

Teerão afirmou também repetidamente que o fim das hostilidades no Líbano é uma condição prévia para um acordo de paz com os EUA e tem reiterado essa posição.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou num comunicado que falou separadamente na segunda-feira com os homólogos turco, iraquiano e egípcio para exigir que Israel cesse todas as hostilidades contra o Líbano.

Araghchi atribuiu aos EUA a responsabilidade pela implementação do acordo e agradeceu aos três países o apoio ao cessar-fogo e aos esforços diplomáticos.

O grupo xiita libanês Hezbollah é o componente mais poderoso daquilo a que o Irão chama Eixo da Resistência, uma rede de grupos armados em todo o Médio Oriente, que inclui o Hamas em Gaza, os houthis no Iémen e milícias xiitas no Iraque, que Teerão financia, arma e dirige.

A rede foi construída ao longo de décadas pela Força Quds do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e funciona como principal instrumento de influência regional do Irão.

Israel está envolvido numa intervenção militar contra o Hezbollah desde os primeiros dias da guerra com o Irão, que começou com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irão no final de fevereiro e que resultaram na morte do aiatola Ali Khamenei.

O Hezbollah lançou uma série de ataques com mísseis contra Israel em resposta à sua morte, desencadeando o conflito em curso.

A campanha israelita provocou a morte a 3.700 pessoas, feriu quase 11.500 e deslocou mais de 1,5 milhões desde março, segundo responsáveis estatais libaneses.

Detalhes do acordo permanecem incertos

O acordo surge após semanas de negociações tensas e de ameaças periódicas de novos confrontos, mas os respetivos detalhes continuam pouco claros.

A agência noticiosa iraniana Mehr noticiou que os EUA irão desbloquear 12 mil milhões de dólares (10,3 mil milhões de euros) em ativos iranianos congelados antes do início das negociações.

A mesma agência citou um "memorando de entendimento" de 14 pontos entre os dois países, segundo o qual serão libertados 24 mil milhões de dólares (20,6 mil milhões de euros) em ativos iranianos congelados durante o período de negociações de 60 dias que começará após a assinatura do acordo de princípio.

A administração Trump não comentou de imediato estes detalhes, que poderão revelar-se polémicos numa altura em que os EUA intensificam os esforços para pôr termo às ambições nucleares de Teerão e lidar com o seu stock de urânio altamente enriquecido, que se diz ter sido enterrado por ataques norte-americanos no ano passado.

Numa entrevista ao New York Times no domingo, Trump afirmou que os EUA ainda negoceiam se Teerão suspenderá o enriquecimento durante 20 anos.

Deixou a entender que poderia aceitar uma suspensão de 15 anos, mas salientou que não queria negociar através da comunicação social.

A Casa Branca já tinha rejeitado anteriormente como falsas as alegadas versões preliminares do acordo divulgadas na imprensa.

Outras fontes • AFP

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