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Irão renova ameaças em Ormuz após conversações de Doha

Navios comerciais no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, em 30 de junho de 2026
Navios comerciais observados no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, 30 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Aleksandar Brezar
Publicado a Últimas notícias
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Teerão ameaçou responder com força a navios que se desviem das rotas aprovadas no estreito de Ormuz, apesar de mediadores falarem em progresso positivo nas conversações indiretas EUA-Irão em Doha. Nova ronda só depois do funeral do aiatola Ali Khamenei, que começa no sábado

O Comando conjunto das forças armadas iranianas advertiu, esta quinta‑feira, que os navios que atravessam o Estreito de Ormuz devem seguir as rotas aprovadas por Teerão ou arriscam uma "resposta enérgica", agravando ainda mais as tensões em torno de uma via marítima crucial para o comércio internacional.

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O estreito, estreita entrada do Golfo Pérsico, tornou‑se um dos temas centrais nas negociações para alcançar um fim permanente da guerra no Irão.

O comunicado do comando militar Khatam al‑Anbiya, difundido pela televisão estatal iraniana, surgiu depois de diplomatas dos Estados Unidos e do Irão se terem reunido com mediadores no Qatar, na quarta‑feira.

Não é claro o que motivou de imediato a ameaça iraniana. No entanto, o Comando Central das forças armadas norte‑americanas (CENTCOM) divulgaram um comunicado sobre uma reunião com responsáveis da região, realizada no Bahrein, no qual se lia que "os líderes sublinharam o compromisso partilhado com o livre fluxo do comércio através do Estreito de Ormuz".

Essa expressão parece ter irritado Teerão, que se prepara para o funeral, a começar este fim de semana, do falecido aiatola Ali Khamenei, morto nos ataques norte‑americano‑israelitas contra Teerão, na ofensiva inicial da guerra, em fevereiro.

"Qualquer incumprimento, desvio da rota designada ou desrespeito pelos protocolos de navegação da República Islâmica do Irão no Estreito de Ormuz será respondido de forma imediata e contundente pelas forças armadas, pondo em risco a segurança dos navios infratores", afirmou o comando conjunto iraniano.

O mesmo comunicado considera que a permanência de aviões de combate norte‑americanos sobre o estreito "gera insegurança nesta via marítima e ameaça a segurança regional".

"Qualquer tentativa dos Estados Unidos de interferir em questões de segurança ou qualquer ação perturbadora no Estreito de Ormuz será considerada uma ameaça à soberania nacional do Irão e receberá uma reação rápida e decisiva", acrescentou o aviso iraniano.

Irão e Estados Unidos acordaram, no âmbito de um entendimento‑quadro, permitir a passagem de navios sem pagamento de taxas durante 60 dias. Ainda assim, Teerão insiste em controlar as rotas das embarcações e cobrar posteriormente direitos de passagem, quebrando décadas de prática na via marítima.

Estados Unidos e vários países do Golfo afirmam que não aceitarão essas taxas. Uma iniciativa de Omã e de uma agência da ONU para abrir uma nova rota junto à costa omanita desencadeou ataques em todo o Médio Oriente no último fim de semana, elevando a tensão numa altura em que se multiplicam as tentativas de encontrar um terreno comum para pôr fim, de forma permanente, à guerra.

A mais recente escalada ocorreu quando o Comando Central norte‑americano anunciou, no fim de semana, ter atacado dez alvos militares iranianos devido à "continuação da agressão iraniana contra a navegação comercial".

Irão afirmou ter retaliado com ataques contra bases norte‑americanas no Kuwait e no Bahrein, países que condenaram Teerão.

Apesar disso, as trocas de fogo parecem ter abrandado nos dias que antecederam as conversações desta semana no Qatar.

Concluída ronda de conversações em Doha

Irão e Estados Unidos concluíram uma ronda de conversações indiretas em Doha, indicaram esta quinta‑feira os mediadores, numa altura em que prosseguem os esforços para fazer avançar as negociações e reduzir as tensões entre as duas partes.

Desde então, o presidente norte‑americano Donald Trump e os mediadores Qatar e Paquistão têm dado sinais de que a via diplomática se mantém.

"Os mediadores qatariota e paquistanês concluíram reuniões separadas com os negociadores norte‑americanos e iranianos em Doha, na quarta‑feira, com progressos positivos", referiram os dois países mediadores em comunicado, esta quinta‑feira.

No final da ronda, o vice‑ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, que chefiou a delegação de Teerão, afirmou ter sido alcançado um acordo para criar até quinta‑feira um canal de comunicação destinado a sinalizar e registar alegadas violações do memorando.

Gharibabadi adiantou que as discussões abrangeram igualmente os ativos iranianos congelados, cuja libertação Teerão exige como parte de qualquer acordo.

Segundo o responsável, as partes analisaram também a utilização de parte de um montante inicial de seis mil milhões de dólares e acordaram que bens necessários ao Irão seriam adquiridos e disponibilizados.

"Até agora, o processo de desnuclearização do Irão está a correr bem", declarou Trump aos jornalistas, na quarta‑feira, antes de embarcar no Air Force One.

Em junho, Washington e Teerão acordaram um memorando de entendimento, mediado pelo Qatar e pelo Paquistão, que prevê uma trégua de 60 dias, suspendendo a guerra desencadeada pelos ataques norte‑americano‑israelitas no final de fevereiro, bem como a reabertura do Estreito de Ormuz, então bloqueado.

Mas o acordo, composto por 14 pontos, estabeleceu igualmente um calendário para negociações destinadas a pôr fim de forma definitiva ao conflito e a resolver questões como o regime de circulação em Ormuz, o financiamento da reconstrução do Irão e o futuro do programa nuclear da República Islâmica.

Uma fonte conhecedora do processo indicou à AFP, sob condição de anonimato, que as negociações indiretas em Doha se concentraram sobretudo nas disposições relativas ao Estreito de Ormuz, ficando o dossiê nuclear reservado para uma análise mais aprofundada em rondas posteriores.

Irão: funeral do aiatola em primeiro lugar

Próxima ronda de conversações indiretas entre Estados Unidos e Irão ocorrerá depois do funeral do aiatola iraniano.

Ali Khamenei, aiatola de 86 anos, foi morto a 28 de fevereiro, na residência oficial situada no centro da capital iraniana, no primeiro dia da guerra. O poder passou rapidamente para o filho, Mojtaba Khamenei.

O funeral público de Ali Khamenei começa no sábado, com o corpo em câmara ardente no vasto complexo situado no centro de Teerão, que acolhe as grandes orações de sexta‑feira, cerimónias oficiais e encontros religiosos.

Em comunicados separados, Qatar e Paquistão referiram que as partes acordaram manter o diálogo, "com a próxima reunião a ser marcada para o mais breve possível após as cerimónias fúnebres".

O enterro está previsto para 9 de julho, no santuário do imã Reza, na cidade de Mashhad, no nordeste do país, local de nascimento de Khamenei e cidade mais sagrada do Irão.

Continua a não ser claro se Mojtaba Khamenei, que não foi visto em público desde a morte do pai, participará no funeral em algum momento.

Desde a sua nomeação, Mojtaba Khamenei tem transmitido mensagens escritas à nação, lidas na televisão estatal.

Anteriormente, órgãos de comunicação norte‑americanos tinham noticiado que Mojtaba Khamenei ficou gravemente ferido, com o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, a descrevê‑lo como "desfigurado".

Teerão ainda não comentou oficialmente estas alegações.

Líbano aguarda retirada israelita

Na frente libanesa, os combates entre Israel e o Hezbollah têm sido relativamente limitados, embora a Agência Nacional de Notícias tenha comunicado um ataque, na noite de quarta‑feira, contra a cidade de Nabatieh, no sul do país, sem referir vítimas.

O Líbano continua à espera de que Israel inicie a retirada das chamadas "zonas piloto", onde o Exército libanês deveria instalar‑se, de acordo com um acordo‑quadro entre os dois países.

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, afirmou na quarta‑feira que o exército israelita permanecerá "até nova ordem" nas áreas que descreve como "zonas de segurança" no Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza.

O presidente libanês, Joseph Aoun, defendeu esta quinta‑feira as negociações com Israel, afirmando que não constituem uma traição e garantindo que não cederá "um único centímetro do território do Líbano", segundo a presidência.

A atual guerra eclodiu a 2 de março, quando o Hezbollah – o grupo armado mais forte do chamado "Eixo de Resistência" apoiado pelo Irão, que inclui também os Houthis do Iémen, o Hamas em Gaza e milícias no Iraque – lançou mísseis contra Israel em retaliação pelos ataques norte‑americano‑israelitas que mataram Ali Khamenei.

Israel respondeu com bombardeamentos aéreos e uma ofensiva terrestre que, segundo as autoridades, já provocaram a morte de mais de 4 200 pessoas no Líbano.

Teerão insiste que qualquer acordo de paz permanente com os Estados Unidos deve incluir o fim dessa guerra paralela e a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano, que ocupam parcialmente.

Outras fontes • AP, AFP

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