Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Bloqueio dos EUA aos portos iranianos entra em vigor. Trump ameaça destruir "navios de ataque"

O contratorpedeiro de mísseis guiados USS Porter (DDG 78) no Mar Mediterrâneo, 7 de abril de 2017
O contratorpedeiro de mísseis guiados USS Porter (DDG 78) no Mar Mediterrâneo, 7 de abril de 2017 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Numa mensagem publicada nas redes sociais no domingo, Trump disse que o seu objetivo era desminar o Estreito de Ormuz e reabri-lo a toda a navegação, mas que o Irão não pode lucrar com o controlo da principal via navegável de carga.

O bloqueio naval dos Estados Unidos (EUA) aos portos do Irão entrou em vigor na segunda-feira, com o presidente norte-americano Donald Trump a avisar que quaisquer navios de ataque serão "eliminados" se tentarem romper o bloqueio.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

"A marinha do Irão está no fundo do mar, completamente destruída - 158 navios. O que não atingimos foi o pequeno número de navios, a que chamam 'navios de ataque rápido', porque não os considerámos uma grande ameaça", escreveu Trump numa publicação na sua plataforma Truth Social.

"Atenção: Se algum desses navios chegar perto do nosso bloqueio, será imediatamente eliminado, usando o mesmo sistema letal que usamos contra os traficantes de droga em barcos no mar."

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou o início do bloqueio de todos os portos e zonas costeiras do Golfo iraniano, e o Serviço de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) disse ter recebido avisos de que o bloqueio se aplica a todo o tráfego de navios, independentemente da bandeira.

Trump anunciou nas redes sociais que iria bloquear a rota comercial estratégica do Estreito de Ormuz, que já tinha exigido que Teerão reabrisse totalmente, depois de o vice-presidente JD Vance ter abandonado as negociações de paz com uma delegação iraniana em Islamabad, no fim de semana, sem um acordo.

Captura de ecrã de uma publicação na conta Truth Social do Presidente dos EUA, Donald Trump, 13 de abril de 2026
Captura de ecrã de uma publicação na conta social Truth do Presidente dos EUA, Donald Trump, 13 de abril de 2026 @realDonaldTrump

"Presumivelmente, a intenção de Trump é tentar privar o Irão de receitas de exportação e obrigar os principais clientes de petróleo do Irão, em particular a China, a pressionar Teerão a acabar com o seu bloqueio do estreito", disse o think tank The Soufan Centre.

Apesar das ameaças, não há indícios de um recomeço imediato da guerra, que foi interrompida com um cessar-fogo que entrou em vigor na semana passada, depois de ter mergulhado a região em violência.

Os preços do petróleo, que tinham caído com a trégua, subiram cerca de 8% na segunda-feira, com os principais contratos WTI e Brent a ultrapassarem os 100 dólares (85 euros) por barril.

O fracasso das conversações do fim de semana destruiu as esperanças de um acordo rápido para acabar permanentemente com a guerra, que já matou milhares de pessoas e lançou a economia mundial na agitação desde o seu início em finais de fevereiro.

O tráfego através do estreito, uma rota fundamental para o transporte mundial de petróleo e gás, tem sido fortemente restringido desde o início da guerra, com o Irão a permitir apenas a passagem de alguns navios que servem países amigos, como a China.

A incerteza reina

"O bloqueio será aplicado de forma imparcial contra navios de todas as nações que entrem ou saiam dos portos e zonas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Arábico e no Golfo de Omã", afirmou o Comando Central dos EUA, acrescentando que o bloqueio terá início às 15h00 CET de segunda-feira.

As forças norte-americanas não impedirão os navios que transitam pelo estreito de e para portos não iranianos, acrescentou.

Numa publicação nas redes sociais no domingo, Trump disse que o seu objetivo era limpar o estreito de minas e reabri-lo a toda a navegação, mas que o Irão não deve ser autorizado a lucrar com o controlo da via navegável.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com os jornalistas depois de desembarcar do Air Force One na Base Conjunta Andrews, 12 de abril de 2026
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com os jornalistas depois de desembarcar do Air Force One na Base Conjunta Andrews, 12 de abril de 2026 @realDonaldTrump

Nicole Grajewski, professora assistente no Centro de Investigação Internacional da Sciences Po, disse que o bloqueio dos EUA "não é um sinal coercivo menor", mas pode ser considerado um recomeço efetivo da guerra.

O comando militar do Irão emitiu uma declaração classificando o bloqueio como um ato criminoso de pirataria.

"Se a segurança dos portos da República Islâmica do Irão nas águas do Golfo Pérsico e do Mar Arábico for ameaçada, nenhum porto do Golfo Pérsico e do Mar Arábico estará seguro", advertiu em comunicado.

A China, a grande potência rival de Washington e um dos principais importadores de petróleo iraniano, também criticou o plano.

"O Estreito de Ormuz é uma importante rota de comércio internacional de mercadorias e energia e a manutenção da sua segurança, estabilidade e fluxo desimpedido é do interesse comum da comunidade internacional", afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, instando o Irão e os EUA a não reacenderem a guerra.

Petroleiros e cargueiros alinham-se no Estreito de Ormuz, visto de Khor Fakkan, 11 de março de 2026
Petroleiros e cargueiros alinhados no Estreito de Ormuz, vistos de Khor Fakkan, 11 de março de 2026 AP Photo

Entre os aliados de Washington na NATO, muito criticados por Trump pela sua relutância em segui-lo na guerra, a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, disse que o bloqueio naval planeado "não faz sentido".

"É mais um episódio de toda esta espiral descendente para a qual fomos arrastados", afirmou.

Numa entrevista à rádio BBC, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que o Reino Unido não vai aderir ao bloqueio, acrescentando que "não está a ser arrastado" para a guerra.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que França e o Reino Unido iriam organizar uma conferência esta semana com países preparados para se juntarem a uma "missão multinacional pacífica" para proteger o estreito, mas que seria "estritamente defensiva" e operacional apenas quando as circunstâncias o permitissem.

Outras fontes • AP, AFP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Estreito de Ormuz não é da competência da NATO, diz Espanha após ultimato de Trump

UE rejeita "joint venture" de Trump para cobrar portagens a navios no Estreito de Ormuz

Bloqueio dos EUA aos portos iranianos entra em vigor. Trump ameaça destruir "navios de ataque"