Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Mais de 400 mil eleitores votam em Cabo Verde nas legislativas

Arquivo (7.05.2026): As pessoas passam por um grafite de Amílcar Cabral num edifício na Praia, em Cabo Verde,
Arquivo (7.05.2026): As pessoas passam por um grafite de Amílcar Cabral num edifício na Praia, em Cabo Verde, Direitos de autor  Misper Apawu/AP
Direitos de autor Misper Apawu/AP
De Manuel Ribeiro
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

De território colonizado a país independente com uma das democracias mais estáveis de África. Cabo Verde elege hoje um novo governo para os próximos 5 anos nas eleições legislativas.

Mais de 400 mil eleitores cabo-verdianos votam neste domingo para eleger o novo governo para os próximos cinco anos de legislatura. Considerado um dos sistemas democráticos mais estáveis de África, o país, com cerca de 525 mil habitantes, é representado por 72 deputados eleitos que compõem a Assembleia Nacional.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Entre os cinco partidos na corrida, destaca-se o Movimento para a Democracia (MPD), do atual chefe de governo, Ulisses Correia da Silva, que procura renovar para um terceiro mandato consecutivo. O atual primeiro-ministro promete melhorar o serviço nacional de saúde, aumentar os salários e reforçar a economia.

O PAICV, maior partido da oposição, quer regressar ao governo com Francisco Carvalho, atual presidente da Câmara Municipal da cidade da Praia, capital cabo-verdiana. No seu programa eleitoral, o autarca aposta na gratuitidade do ensino e no acesso à saúde e promete reduzir os custos dos transportes entre as ilhas do arquipélago. Cabo Verde é um arquipélago constituído por dez ilhas e oito ilhéus.

Estes dois partidos têm alternado a liderança do país desde as primeiras eleições livres em 1991.

A atual terceira força política é a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), liderada por João Santos Luís, que tenta “quebrar a bipolarização partidária”.

Uma mulher caminha por uma rua na Praia, em Cabo Verde,
Uma mulher caminha por uma rua na Praia, em Cabo Verde, AP Photo/Misper Apawu

Segundo os especialistas, esta eleição vai ser "renhida", mas a disputa vai se concentrar entre o MPD e o PAICV. “A sociedade cabo-verdiana continua dividida entre os dois maiores partidos, o que poderá dificultar o crescimento das formações menores”, interpreta a DW-África depois de conversar com o jurista cabo-verdiano João Santos.

O sufrágio está a decorrer nas 1.342 mesas de voto, sob a supervisão da CNE cabo-verdiana, sendo 1.058 no território nacional e 284 na diáspora. Ainda de acordo com este órgão eleitoral, estão inscritos 416.335 eleitores, dos quais 344.284 no território nacional e 72.051 na diáspora.

O país recebe missões de observação eleitoral internacionais. Nestas eleições, 218 observadores internacionais estão credenciados, informa a CNE.

Últimas eleições com maioria absoluta

Nas legislativas de 2021, o MPD renovou o mandato com maioria absoluta. O partido do atual primeiro-ministro elegeu 38 deputados contra 30 do PAICV e 4 da UCID. Foi, aliás, mais uma maioria conquistada por este partido. Nas últimas décadas, tanto o MPD como o PAICV têm governado sempre com maiorias parlamentares desde a consolidação do multipartidarismo naquela que é considerada “a melhor democracia e a mais livre de África”, segundo o Governo.

Ao todo, em 2021, votaram 225.761 cabo-verdianos, o que correspondeu a uma taxa de participação eleitoral de 57,57%.

Cabo Verde um arquipélago descoberto por italianos e portugueses

Captura de tela a partir do Google Maps do Arquipêlago de Cabo Verde em África.
Captura de tela a partir do Google Maps do Arquipêlago de Cabo Verde em África. Google Maps

Santiago terá sido a primeira cidade povoada pelos colonizadores. Ali, terão se fixado navegadores italianos e portugueses ao comando da coroa portuguesa, em 1460.

As dez ilhas e os oito ilhéus do arquipélago dividem-se entre o Barlavento, com as ilhas de Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia, São Nicolau, Sal e Boa Vista, e o Sotavento, formado pelas ilhas de Santiago, Maio, Fogo, Brava.

Dada a sua localização, a ilha de Cabo Verde tornou-se um importante entreposto nas rotas atlânticas entre a Europa, a África e a América Latina, sobretudo durante o período de tráfego de escravos para o Brasil.

Esta centralidade marcou profundamente a formação da sociedade cabo‑verdiana, construindo uma economia e uma estrutura social dependentes da coroa portuguesa.

Com a abolição do comércio de escravos, decretada em fevereiro de 1836 pelo marquês Sá de Bandeira, e, mais tarde, o fim da escravatura (1869), europeus livres e escravos da costa africana fundiram-se num só povo, o cabo-verdiano. O crioulo, língua local, emergiu e a comunidade, maioritariamente mestiça, formou-se com uma forma de estar e de viver muito própria. Ao longo dos séculos, Cabo Verde foi fustigado por secas recorrentes e por falhas na produção agrícola, o que levou o arquipélago a entrar em decadência e a viver numa “economia pobre e de subsistência”.

Em 1956, Amílcar Cabral fundou um partido para lutar contra a ditadura e o colonialismo portugueses. Um dos percursores da "descolonização das mentes", Cabral foi o principal estratega na luta contra o colonialismo na Guiné-Bissau e em Cabo Verde. Foi assassinado, em Conacri, no dia 20 de janeiro de 1973, em circunstâncias ainda hoje questionadas e dois anos antes da independência de Cabo Verde.

Adao Rocha, o administrador do Museu Amílcar Cabral, está sentado junto a um retrato de Amílcar Cabral, na Praia,
Adao Rocha, o administrador do Museu Amílcar Cabral, está sentado junto a um retrato de Amílcar Cabral, na Praia, AP Photo

Em dezembro de 1974, após uma longa guerra colonial no chamado ultramar português, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) assinou um acordo com Portugal para instaurar um governo de transição. Em 5 de julho de 1975, Abílio Duarte, presidente da Assembleia Nacional Popular, declarou a independência do país.

Em 1991, na sequência das primeiras eleições multipartidárias livres realizadas no país, foi instituída uma “democracia parlamentar com todas as instituições de uma democracia moderna”, o que fez de Cabo Verde um dos países africanos com maior estabilidade e paz social.

Outras fontes • Agências

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Péter Magyar inspirou os seus apoiantes em dois distritos fortes do Fidesz

Bolívia vota em eleições que podem pôr fim a 20 anos de governos de esquerda

Pela primeira vez, o mundo estará de olhos postos nas eleições na Gronelândia