O aumento dos preços do café, cacau e outros alimentos não resulta só da inflação ou de falhas de abastecimento; fundos e grandes grupos que investem em matérias-primas agroalimentares têm um peso crescente, afirmou Adam Mokrysz, presidente da Mokate
Em entrevista à Euronews, à margem do Congresso Económico Europeu, o presidente da Mokate, empresa polaca do setor alimentar e das bebidas, salientou que a escassez de produtos baratos é particularmente visível nos mercados do café, do cacau e dos óleos vegetais, incluindo o óleo de coco, cujos preços subiram de forma acentuada nas bolsas.
"Há muita movimentação no mercado de especulação. Muitos fundos e grandes grupos de capital investem em matérias-primas agroalimentares nas bolsas, influenciando os preços. Historicamente, a amplitude destas oscilações é muito elevada", afirmou Adam Mokrysz.
O presidente da Mokate assinalou que uma escala de especulação tão grande no mercado alimentar não se via há muitos anos. Todo o setor alimentar sente as consequências e, em última análise, também os consumidores.
Na opinião de Mokrysz, a era da alimentação barata na Europa já terminou.
"Os alimentos baratos na Europa acabaram há alguns anos. O valor do cabaz de compras é elevado e os consumidores fazem escolhas cada vez mais cuidadosas nas lojas", destacou.
Como referiu, os clientes recorrem cada vez mais às promoções e optam por produtos mais baratos, incluindo as marcas próprias das cadeias de retalho.
Produtores polacos apostam na exportação
Perante a difícil situação no mercado europeu, os produtores polacos de alimentos apostam cada vez mais na exportação.
"Costumamos dizer que o mercado interno alimenta, mas é a exportação que faz crescer. O mundo é muito maior e a expansão internacional abre oportunidades enormes", sublinhou o presidente da Mokate.
Fundada há 36 anos como negócio familiar, a empresa cresce hoje sobretudo graças à presença nos mercados externos e à diversificação da atividade. Embora mais de metade do negócio do Grupo Mokate continue centrado na Europa, o maior crescimento regista-se fora do continente.
"A maior expansão e o desenvolvimento mais fortes verificam-se hoje em países fora da Europa – no Médio Oriente, em África, na América do Sul e no Sudeste Asiático", referiu Adam Mokrysz.