De glaciares do Alasca a uma ilha escocesa remota, célebre pelos papagaios-do-mar e por uma gruta marítima, um estudo com 54 mil opiniões revela maravilhas naturais escondidas que merecem mais atenção.
As mais deslumbrantes maravilhas naturais do mundo nem sempre figuram no topo das listas de destinos de sonho.
Na era do Instagram, cresce sem parar o apetite por visitar alguns dos lugares mais bonitos do planeta, enquanto as preocupações com o excesso de turismo não dão sinais de abrandar. Cada vez mais, os viajantes procuram destinos menos explorados e, sobretudo, menos cheios e urbanizados.
Um novo estudo identificou os destinos turísticos naturais mais subvalorizados, capazes de proporcionar algumas das experiências mais gratificantes do planeta.
A marca islandesa de roupa e equipamento de exterior Icewear analisou cerca de 54.000 avaliações no Google, relativas a 75 locais em todo o mundo, para classificar as maravilhas naturais mais subvalorizadas do planeta e elaborar uma lista das 30 principais.
As avaliações foram analisadas à procura de palavras positivas, como "relaxing", "amazing" e "beautiful", para determinar que locais oferecem as experiências mais subvalorizadas.
Embora entre os 30 primeiros figurem cinco destinos europeus, apenas um – a reserva natural nacional de Staffa, na Escócia – conseguiu entrar no top 5.
Islândia concentra os destinos mais subvalorizados da Europa
A nação nórdica da Islândia é o único país europeu que surge mais do que uma vez no ranking. Surge, aliás, duas vezes, com o desfiladeiro de Stuðlagil e o Parque Nacional de Vatnajökull entre os mais subvalorizados.
Situado no leste da Islândia, o desfiladeiro de Stuðlagil ocupa o 24.º lugar a nível mundial, com 35,2% de avaliações positivas. Escondido durante séculos, o dramático vale só surgiu em 2009, depois do nível de água do rio Jökulsá á Dal ter baixado no âmbito de um projeto hidroelétrico. Hoje, os visitantes acorrem para admirar as impressionantes colunas de basalto e, na época certa, o vívido rio glacial turquesa que atravessa o desfiladeiro.
Já o Parque Nacional de Vatnajökull surge em 29.º lugar, com 28,2% de avaliações positivas. Criado em 2008 em torno do maior glaciar da Europa, o vasto sítio classificado como Património Mundial da UNESCO cobre cerca de 13% da Islândia e inclui lagoas glaciares, planícies de areia negra e o ponto mais alto do país, o Hvannadalshnúkur, fazendo dele uma das paisagens mais diversas e espetaculares da ilha.
Destinos de beleza natural mais subvalorizados do mundo
Floresta húmida de Hoh, Washington, Estados Unidos
Situada no estado de Washington, a floresta húmida de Hoh lidera o ranking como a maravilha natural mais subvalorizada, com uns impressionantes 69,6% das avaliações a utilizarem palavras positivas como "beautiful" e "amazing".
No coração do Parque Nacional Olímpico, em Washington, a floresta é uma de cinco maravilhas naturais dos Estados Unidos presentes na lista das 30 primeiras.
É conhecida pela densa copa verde das árvores, incluindo Douglas fir, western red cedar e bigleaf maple, graças a uma precipitação média anual de 3,55 metros.
Há também inúmeras oportunidades para caminhadas e áreas de campismo abertas durante todo o ano, que conquistam quem a visita.
Crater Lake, Oregon, Estados Unidos
No estado vizinho do Oregon fica o lago Crater, que soma 68,5% de avaliações positivas.
Com cerca de 7.700 anos, este local impressionante formou-se após uma grande erupção vulcânica. Hoje, o lago, o mais profundo dos Estados Unidos, exibe uma das águas azuis mais belas do mundo e é notavelmente puro.
No verão, é possível fazer caminhadas, acampar e pescar e, no inverno, as caminhadas com raquetes de neve são extremamente populares.
Centro de visitantes do glaciar Mendenhall, Alasca, Estados Unidos
Com a capital do estado do Alasca, Juneau, como pano de fundo, fica o centro de visitantes do glaciar Mendenhall.
A porta de entrada para o glaciar Mendenhall, reúne 67,2% de avaliações positivas dos visitantes.
Esta maravilha natural é um rio de gelo com cerca de treze milhas de comprimento (quase 21 km), ligado ao campo de gelo de Juneau, que se estende por 1.500 milhas quadradas (3.885 km²).
Os visitantes podem observar icebergs azuis a flutuar no lago Mendenhall, em contraste com picos montanhosos imponentes. Há também numerosos trilhos que passam por cascatas e cursos de água onde se veem salmões. A observação de fauna é igualmente notável, com possíveis avistamentos de ursos-negros, porcos-espinhos e águias-carecas.
Reserva natural nacional de Staffa – gruta de Fingal, Escócia
Ao largo da costa oeste da Escócia, a ilha desabitada de Staffa acolhe uma das mais notáveis maravilhas naturais da Europa: a gruta de Fingal. O local ocupa o quarto lugar a nível mundial e é o mais bem classificado da Europa, com 62,8% das avaliações a incluírem palavras positivas.
Integrada nas Hébridas Interiores, Staffa é famosa pelas impressionantes colunas hexagonais de basalto e pela gruta, semelhante a uma catedral, que inspirou a Abertura das Hébridas de Felix Mendelssohn.
Os visitantes chegam à ilha de barco e podem explorar a costa escarpada, muitos na esperança de avistar papagaios-do-mar, mergulhões-pretos e outras aves marinhas que aqui nidificam durante os meses de verão.
Grand Prismatic Spring, Wyoming, Estados Unidos
No Parque Nacional de Yellowstone, no estado do Wyoming, a Grand Prismatic Spring ocupa o quinto lugar entre as maravilhas naturais mais subvalorizadas do mundo, com 61,9% das avaliações a utilizarem linguagem positiva.
A maior nascente termal dos Estados Unidos – e a terceira maior do mundo – é conhecida pelas cores vívidas em forma de arco-íris, criadas por bactérias termófilas que prosperam na água rica em minerais. Com cerca de 110 metros de diâmetro e 50 metros de profundidade, é um cenário difícil de acreditar sem ver.
Passadiços e trilhos de caminhada nas proximidades oferecem vistas espetaculares sobre os azuis, verdes, amarelos e laranjas em turbilhão da nascente, que continua a ser um dos locais mais fotografados de Yellowstone.
Maravilhas naturais mais sobrevalorizadas
No extremo oposto, o estudo analisou as maravilhas naturais mais sobrevalorizadas, classificadas com base no menor número de avaliações que incluíam palavras positivas como "beautiful", "amazing" e "breathtaking".
Königsstuhl Kreidefelsen e Saalfeld Fairy Grottoes, ambas na Alemanha, foram identificadas como as atrações turísticas mais sobrevalorizadas, com apenas 1,4% das avaliações a descrevê-las com palavras como "beautiful", "breathtaking" ou "amazing".
Em terceiro lugar surge o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no Brasil, que, apesar de ter sido classificado como Património Mundial da UNESCO em 2025, registou apenas 2,8% de comentários positivos.
Segue-se o rio Tinto, em Espanha. Apesar de ser uma espécie de ícone natural devido às suas marcantes águas vermelhas, obteve apenas 3,8% de avaliações favoráveis.
A encerrar o top 5 está o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no Brasil.
Conhecido sobretudo pelas dunas de areia branca e pelas lagoas sazonais de água da chuva, recebeu apenas 7,2% de avaliações positivas, de acordo com o ranking.
Para consultar a lista completa de destinos mais subvalorizados e sobrevalorizados, visite https://icewear.is/en-GB/blog/overrated-and-underrated-natural-wonders.