A alimentação e as bebidas escolhidas antes, durante e após o voo podem ajudar a atenuar os sintomas do jet lag
Em plena época alta de viagens, seguem alguns conselhos para minimizar os efeitos do jet lag, que acompanha os viajantes e provoca perturbações do sono, cansaço durante o dia, dores de cabeça e até sintomas gastrointestinais.
O jet lag é uma perturbação temporária do sono que pode afetar quem viaja através de vários fusos horários. O organismo tem um relógio interno que indica quando deve estar acordado e quando deve dormir. Quando esse relógio se mantém ajustado ao fuso horário de origem e não muda depois da viagem, surge o jet lag.
Apesar de os sintomas serem temporários e de não poder ser totalmente evitado, há medidas para reduzir os seus efeitos que vão além de acertar os horários de sono.
O que se come e bebe, e a forma como se faz, também pode fazer diferença.
Durante a viagem
Convém começar a preparar-se já durante a viagem. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido recomenda beber água, alongar com regularidade e dormir de acordo com o horário do destino.
Também é aconselhável evitar cafeína e álcool, que podem agravar o jet lag.
Comer segundo o horário local
Embora os sintomas de jet lag variem, problemas digestivos como inchaço abdominal, obstipação ou diarreia são frequentes, explicou Joanne Slavin, especialista em nutrição da Universidade do Minnesota, à Associated Press.
Nos dias que antecedem a viagem, os viajantes devem ir ajustando, aos poucos, os horários das refeições para coincidirem com aqueles que terão no destino. Já lá, o ideal é comer quando os locais comem. “Passe imediatamente para o novo horário”, aconselhou Slavin.
Se for de manhã, tome o pequeno-almoço. Um estudo (fonte em inglês) de 2023 concluiu que duplicar a quantidade do pequeno-almoço e saltar o jantar nos primeiros três dias após uma mudança de fuso horário pode acelerar a recuperação do jet lag.
Os especialistas também recomendam (fonte em inglês) escolher, nos primeiros dias, alimentos a que o organismo esteja habituado, o que pode ajudar a aliviar eventuais sintomas digestivos.
“Refeições mais pequenas tendem a ser melhor toleradas, sobretudo por quem tem um estômago sensível ou está a lidar com algum desses desconfortos gastrointestinais”, afirmou Tara Schmidt, nutricionista registada na Mayo Clinic, à AP.
Mais tarde na viagem, acrescentou, os viajantes poderão começar a comer mais de cada vez. Devem, no entanto, ter atenção a alimentos a que não estão habituados, sobretudo comidas muito gordurosas ou ricas em gordura.
Cuidar do que se bebe nas férias
Também é preferível prescindir daquele copo de vinho ou caneca de cerveja, sublinham os especialistas. “Por muito divertido que seja, quando viajamos, recomendamos mesmo evitar o álcool, porque o álcool é um grande perturbador do sono”, afirmou Schmidt.
Outra recomendação passa por usar a cafeína de forma estratégica. Quem costuma beber um café ou um chá de manhã pode manter esse hábito em viagem, mas deve evitar a cafeína ao final do dia, já que pode provocar insónias. Tanto a cafeína como o álcool podem ainda aumentar a desidratação.
“A desidratação pode agravar claramente a fadiga e os sintomas de jet lag que as pessoas sentem”, disse Schmidt.
Beber água antes, durante e após o voo ajuda a combater os efeitos do ar seco da cabine.
No regresso, retomar o horário habitual
Os especialistas lembram que o que se come e bebe em viagem é apenas parte da equação para reduzir o jet lag, mas estas mudanças complementam os conselhos mais conhecidos para adaptar o sono ao novo fuso horário.
Quando as férias se aproximam do fim, as recomendações para o sono e para a alimentação são semelhantes: ir regressando gradualmente ao horário habitual e tentar retomá-lo por completo em casa.
“Quanto mais depressa voltar a todos os seus hábitos”, disse Slavin, “melhor se vai sentir.”