Irão executa dois homens ligados aos protestos de janeiro e à guerra e tribunal de Teerão condena quatro à morte por manifestações de 2022, apesar das críticas da ONU.
O Irão executou pelo menos duas pessoas em ligação com os protestos de janeiro e com a guerra em curso, enquanto um tribunal de Teerão condenou outras quatro à morte pelo homicídio de um estudante ligado à Basij durante os protestos de 2022.
Um homem identificado pela agência noticiosa Mizan, ligada ao poder judicial, como Abbas Akbari Feyzabadi foi enforcado depois de ser condenado por crimes que incluem moharebeh, ou 'inimizade contra Deus', destruição de bens públicos, conluio contra a segurança nacional e outras infrações relacionadas.
As autoridades iranianas disseram que participou em ataques contra o gabinete do governador na cidade de Naein, durante protestos em 8 e 9 de janeiro, na província de Isfahan, que integraram manifestações em todo o país desencadeadas pela persistente hiperinflação e pela subida do custo de vida em dezembro de 2025, e que disparou contra as forças de segurança com uma pistola.
Os responsáveis afirmaram que o processo se baseou em provas, imagens e confissões e que o Supremo Tribunal do Irão confirmou a sentença antes de a condenação ser aplicada.
Não foi disponibilizada informação independente sobre o desenrolar do julgamento, o acesso a defesa jurídica ou as circunstâncias em que foram obtidas as confissões.
Em separado, Mojtaba Kian foi executado no domingo, acusado de "espionagem" a favor de Israel e dos Estados Unidos.
Segundo o poder judicial, tinha transmitido informações sobre as indústrias de defesa do Irão a serviços de informação estrangeiros. A organização Iran Human Rights afirmou que Kian foi a primeira pessoa detida durante a guerra iniciada com os ataques norte‑americano‑israelitas de 28 de fevereiro a ser executada, menos de 50 dias após a detenção.
Quatro arguidos no chamado caso do Bairro de Ekbatan, ligado aos protestos nacionais de 2022 desencadeados pela morte de Mahsa Amini, foram condenados à morte pela 15.ª Secção do Tribunal Revolucionário de Teerão por efsad-e fel-arz, ou "corrupção na Terra". O juiz Salavati presidiu ao processo.
Foram identificados como Milad Armoon, Navid Najjaran, Mehdi Imani e Seyed Mohammadmehdi Hosseini.
Outros quatro arguidos receberam penas de cinco anos de prisão por reunião e conluio, dois anos por propaganda contra o Estado e uma proibição de dois anos de utilização das redes sociais, bem como restrições de residência nas províncias de Teerão e de Alborz.
Segundo a Iran Human Rights, os acórdãos foram comunicados verbalmente aos arguidos, sem presença dos seus advogados nem notificação prévia.
O processo centra-se na morte de Arman Aliverdi, estudante de seminário ligado à Basij, ferido durante protestos em novembro de 2022 e que morreu dois dias depois. As decisões podem ser recorridas para o Supremo Tribunal do Irão.
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse estar alarmado com a nova vaga de execuções. "Os direitos do povo do Irão continuam a ser retirados de forma dura e violenta pelas autoridades", afirmou.
Organizações de direitos humanos afirmam repetidamente que os detidos políticos no Irão não têm acesso a julgamentos justos e que as confissões usadas como prova em processos de pena capital são frequentemente obtidas sob coação.
O chefe do poder judicial do Irão, Gholamhossein Mohseni Ejei, rejeitou as críticas. "Não mostramos qualquer indulgência no julgamento e na punição legal daquele criminoso cujas mãos estão manchadas com o sangue do nosso povo", declarou.
A amnistia Internacional afirmou estar preocupada com aquilo que descreve como "julgamentos profundamente injustos" em vários casos recentes.