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Número de países que forçam jornalistas ao exílio duplica em 5 anos, segundo RSF

Arquivo: Membros da RSF em Paris homenageiam jornalistas mortos ao acompanhar o conflito Israel-Hamas / Quinta-feira, 26 de setembro de 2024
Arquivo: Membros da RSF homenageiam em Paris os jornalistas mortos ao acompanhar o conflito Israel-Hamas. / 26 de setembro de 2024, quinta-feira Direitos de autor  Copyright 2024 The Associated Press. All rights reserved.
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De Sait Burak Utucu
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Na declaração pelo Dia Mundial do Refugiado, a Repórteres Sem Fronteiras revelou que, nos últimos cinco anos, 1468 jornalistas abandonaram mais de 60 países por medo de ameaça, prisão ou morte, e que a Turquia é simultaneamente rota de asilo e país de exílio.

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) revelou, num comunicado divulgado no sábado por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, assinalado em 20 de junho, que o número de países de onde os jornalistas se veem obrigados a sair duplicou em cinco anos.

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Segundo os dados da RSF, o número de países de onde os jornalistas são forçados a abandonar o seu território devido a crises políticas, tensões de segurança, guerras e à pressão do crime organizado passou de 19 em 2021 para 40 em 2025.

Neste período, a RSF apoiou 1 468 jornalistas oriundos de mais de 60 países. Entre eles contam‑se 677 afegãos, 160 russos e 101 jornalistas de Myanmar. De acordo com o Gabinete de Assistência da organização, pelo menos um jornalista foi empurrado para o exílio em 65 países e, em 20 desses Estados, incluindo a Turquia, esse número ultrapassou a dezena.

A organização de defesa da liberdade de imprensa publicou ainda um mapa que mostra a situação dos jornalistas no exílio apoiados pela RSF desde 2021.

O mapa divulgado pela RSF mostra, em 2025, os países de onde os jornalistas foram forçados ao exílio, os locais onde procuraram refúgio e as rotas de exílio entre uns e outros.
O mapa divulgado pela RSF mostra, em 2025, os países de onde os jornalistas foram forçados ao exílio, os locais onde procuraram refúgio e as rotas de exílio entre uns e outros. RSF

No mapa, os marcadores a vermelho assinalam os países que os jornalistas tiveram de deixar e os marcadores a verde indicam os países de acolhimento. As linhas traçadas entre países representam as rotas de exílio e a dimensão dos marcadores reflete a concentração de casos.

Segundo estes dados, em 2025 a RSF acompanhou pelo menos 243 jornalistas nos respetivos processos de exílio. O mapa mostra que os jornalistas são obrigados a abandonar não só zonas de guerra e de conflito, mas também muitos outros países devido à repressão política, a ameaças à segurança, a assédio judicial e à censura.

A Turquia surge no mapa tanto entre os países que os jornalistas são obrigados a deixar como entre os destinos de acolhimento para repórteres que fogem da região.

O país funciona como refúgio para jornalistas provenientes de zonas como o Afeganistão, a Síria ou a Palestina, mas é igualmente apontado como um dos Estados de onde os profissionais locais se veem obrigados a partir para o exílio.

'Calvário dos jornalistas no exílio não acaba aqui'

O jornalista de dados da RSF e responsável pelo Índice Mundial de Liberdade de Imprensa, Vianney Loriquet, descreveu este quadro como "um balanço preocupante que reflete as conclusões do Índice de Liberdade de Imprensa 2026 da RSF, na véspera do Dia Mundial do Refugiado".

Loriquet sublinhou: "Por muito chocante que seja, este número representa apenas uma parte de uma realidade muito mais vasta. E o calvário destes jornalistas não termina aí: depois de fugirem, a chantagem, a ameaça de deportação e a pressão administrativa passam a fazer parte do quotidiano de muitos deles".

Loriquet apelou aos Estados para que reforcem a proteção concedida aos jornalistas no exílio: "Para defender o direito de acesso a informação fiável, é essencial que os Estados garantam uma proteção eficaz aos jornalistas no exílio, que são o último baluarte contra a desinformação e a propaganda, cada vez mais generalizadas", afirmou.

Loriquet insistiu na necessidade de assegurar o princípio de não repulsão, a emissão de vistos de emergência, autorizações de residência permanentes, acesso a programas de reinstalação e apoio para que os jornalistas possam retomar a sua atividade profissional.

Afeganistão torna-se epicentro do exílio

Segundo a RSF, desde que os talibãs tomaram Cabul, em 15 de agosto de 2021, o Afeganistão tornou-se o principal epicentro mundial do exílio de jornalistas.

Em cinco anos, 677 jornalistas afegãos deixaram o país com o apoio da RSF. Este número representa quase metade dos casos registados no programa de assistência da organização.

A situação vivida atualmente por estes jornalistas, hoje dispersos por 28 países, constitui, segundo a RSF, uma das maiores perdas para o jornalismo independente na história recente.

Guerras e crime organizado expulsam jornalistas dos seus países

A RSF sublinha que o agravamento das crises de segurança e políticas em várias regiões do mundo é um dos principais fatores que empurram os jornalistas para o exílio.

A retoma dos combates no leste da República Democrática do Congo abriu novas rotas de exílio. Em 2025, 21 jornalistas fugiram do país com o apoio da RSF, a maioria rumo ao Burundi e ao Uganda.

Na região do Sahel, as rotas de exílio dos jornalistas estenderam‑se de países como o Mali, o Chade, a Nigéria, a Guiné e o Burkina Faso até ao Senegal.

Na América Latina, a instabilidade institucional, a pressão dos cartéis sobre o jornalismo independente e o aprofundar do autoritarismo em países como El Salvador e a Venezuela compõem um cenário preocupante. De acordo com a RSF, desde 1 de janeiro de 2026, seis jornalistas foram mortos no México, na Colômbia e na Guatemala.

Turquia e Egito: refúgio e cenário de repressão

A RSF identifica a Turquia e o Egito no seu relatório como países que, por um lado, oferecem refúgio a jornalistas que fogem de zonas de conflito e, por outro, empurram para o exílio os repórteres locais que criticam o poder.

Segundo o Gabinete de Assistência da RSF, entre 2021 e 2025 pelo menos um jornalista foi forçado ao exílio em 65 países e, em 20 deles, incluindo a Turquia, esse número ultrapassou os dez casos.

De acordo com a RSF, para jornalistas que fogem de países como o Afeganistão, a Palestina ou a Síria, a Turquia funciona como um centro regional de acolhimento. Desde 2021, pelo menos 46 jornalistas no exílio instalaram‑se no país, segundo os dados da organização.

Mas a RSF salienta que trabalhar em liberdade continua a ser um problema de fundo para os jornalistas na Turquia. Entre 2021 e 2025, pelo menos dez profissionais foram obrigados a deixar o país, de acordo com os dados do Gabinete de Assistência. A organização admite que este número pode estar subestimado e apontar para a situação de dezenas de jornalistas.

No Egito, desde 2021, pelo menos 31 jornalistas — na maioria sudaneses e palestinianos — encontraram refúgio com o apoio da RSF. A organização estima que o número total de repórteres que fugiram dos combates no Sudão para se abrigarem no Egito ultrapasse os 300.

Turquia cai para o 163.º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa 2026

No Índice Mundial de Liberdade de Imprensa 2026 da RSF, a Turquia ocupa o 163.º lugar entre 180 países. Em 2025, estava na 159.ª posição e a sua pontuação desceu de 29,40 para 27,94 em 2026.

Na avaliação que faz da Turquia, a RSF considera que "o autoritarismo ganhou força, o pluralismo mediático passou a ser posto em causa e todos os meios possíveis são usados para enfraquecer a crítica".

No índice, a Turquia surge classificada no 163.º lugar no indicador político, no 166.º no indicador económico, no 159.º no indicador jurídico, no 162.º no indicador social e no 159.º no indicador de segurança.

'Há também precariedade, isolamento e pressão transnacional'

A responsável do Gabinete de Assistência da RSF, Victoria Lavenue, alertou que o exílio nem sempre põe fim às ameaças contra os jornalistas.

Lavenue explicou: "Aos obstáculos administrativos e linguísticos nos países de acolhimento juntam‑se frequentemente a precariedade, o isolamento e a pressão transnacional. Ainda assim, muitas vezes arriscando a própria segurança, continuam a produzir informações indispensáveis".

Sublinhando que proteger os jornalistas no exílio não é apenas um dever humanitário, Lavenue acrescentou que se trata também de uma condição essencial para o direito de acesso à informação e para a continuidade do debate democrático.

"É responsabilidade dos Estados oferecer‑lhes condições de alojamento, proteção e integração à altura da gravidade do problema", concluiu.

RSF Alemanha apoia 479 jornalistas em cinco anos

A secção alemã da RSF destacou‑se igualmente, entre 2021 e 2025, no apoio a jornalistas no exílio.

Nesse período, a RSF Alemanha acompanhou os processos de deslocação forçada de 479 jornalistas, dos quais 209 provenientes da Rússia e 192 do Afeganistão.

A organização esclarece que estes dados não foram incluídos no mapa do exílio, devido à falta de informação precisa sobre as datas de partida dos jornalistas. Para que os movimentos migratórios refletissem melhor a situação nos países de origem, o estudo tomou como referência o ano do exílio e não o ano de chegada ao país de residência.

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