Pelo menos 47% das execuções levadas a cabo no Irão em 2025 estiveram relacionadas com delitos relacionados com drogas, afirmou o gabinete dos direitos humanos da ONU.
O Irão parece estar a utilizar as execuções "como um instrumento de intimidação do Estado", afirmou a Organização das Nações Unidas na segunda-feira, ao denunciar um salto na pena capital a nível mundial em 2025.
A república islâmica terá executado 1 500 pessoas no ano passado, afirmou Volker Türk, responsável pelos direitos humanos da ONU, num comunicado.
"A escala e o ritmo das execuções sugerem uma utilização sistemática da pena capital como instrumento de intimidação do Estado, com um impacto desproporcionado nas minorias étnicas e nos migrantes", alertou.
O aumento das execuções no Irão, que, segundo os grupos de defesa dos direitos humanos, é o país que mais executa no mundo, a seguir à China, contribuiu para "um aumento alarmante" da utilização da pena capital em todo o mundo no ano passado, afirmou Türk.
Embora a tendência global continue a evoluir no sentido da abolição universal da pena de morte, o Irão e alguns outros países, como a Arábia Saudita e os Estados Unidos, assistiram a um aumento das execuções.
Muitas dessas execuções foram "por infrações que não atingiram o limiar dos 'crimes mais graves' exigido pelo direito internacional", disse Türk, criticando também "a continuação da execução de pessoas condenadas por crimes cometidos quando crianças, bem como o persistente secretismo em torno das execuções".
O aumento acentuado foi especialmente impulsionado por um número crescente de execuções por crimes relacionados com a droga que não envolvem mortes intencionais.
"Isto não só é incompatível com o direito internacional, como também é ineficaz para dissuadir o crime", insistiu Türk.
No caso do Irão, pelo menos 47% das execuções em 2025 estiveram relacionadas com crimes de droga, segundo o gabinete dos direitos humanos.
A percentagem foi ainda mais elevada na Arábia Saudita, onde 78% das 356 pessoas executadas no ano passado foram condenadas por crimes relacionados com drogas.
"Pelo menos dois dos executados na Arábia Saudita foram condenados por crimes cometidos quando eram crianças, o que levanta sérias questões no que respeita aos direitos das crianças em particular", afirmou Türk.
Entretanto, nos Estados Unidos, foram efetuadas 47 execuções em 2025, o número mais elevado dos últimos 16 anos, afirmou o gabinete dos direitos humanos, sublinhando que a utilização generalizada de asfixia com gás para as execuções suscitou "sérias preocupações em relação à tortura ou a penas cruéis".