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Fórum Económico Mundial de Davos "desconvida" chefe da diplomacia iraniana

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, gesticula durante uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, na mansão de Zinaida Morozova, em Moscovo, quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, gesticula durante uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, na mansão de Zinaida Morozova, em Moscovo, quarta-feira, 17 de dezembro de 2025 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
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O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão não vai participar na cimeira de Davos, na Suíça, esta semana, informou o Fórum Económico Mundial na segunda-feira. Abbas Araghchi deveria comparecer no palco de Davos na terça-feira.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, não participará na cimeira de Davos, na Suíça, esta semana, informou o Fórum Económico Mundial (FEM), sublinhando que a sua participação não seria "correta" após a recente repressão mortal de Teerão contra as manifestações no país.

Araghchi deveria falar em Davos na terça-feira, à hora do almoço, numa conversa individual em pessoa.

"O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros não participará em Davos", declarou o WEF num post no X. "Embora tenha sido convidado no outono passado, a trágica perda de vidas de civis no Irão nas últimas semanas significa que não é correto que o governo iraniano esteja representado em Davos este ano", acrescentaram os organizadores da cimeira.

O diretor-geral do FEM, Mirek Dušek, confirmou à Euronews que Araghchi foi convidado "há algum tempo". Dušek disse ao programa matinal Europe Today, da Euronews, que até segunda-feira de manhã, o FEM não tinha "uma sessão com ele no programa".

O senador norte-americano Lindsey Graham foi uma das várias vozes que criticaram a possibilidade de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano participar no encontro anual do FEM.

"Para os responsáveis por estes programas, em que raio estão a pensar? Não consigo pensar numa mensagem pior para enviar aos manifestantes", disse Graham num post no X.

"Tenho a certeza de que um convite ao Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano para participar no Fórum Económico Mundial em Davos será um estímulo moral para os manifestantes que estão a morrer nas ruas para conseguir as liberdades e as liberdades que a Europa considera garantidas - talvez não", disse.

"Convidar o Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano para discursar agora seria o mesmo que convidar Hitler para um evento mundial depois da Noite de Cristal. Esta decisão dá um novo significado à surdez. Deus abençoe os manifestantes. Continuem a protestar. Façam o Irão grande outra vez".

Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, deverá fazer a sua primeira aparição em Davos em seis anos, levando consigo o que se espera ser a maior delegação de sempre de Washington ao evento dos Alpes suíços.

A Agência de Notícias dos Activistas dos Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos, calculou o número de mortos no domingo em cerca de 3.919 pessoas, alertando para a possibilidade de este número aumentar.

O número de mortos excede o de qualquer outra ronda de protestos ou distúrbios no Irão em décadas e faz lembrar o caos que envolveu a Revolução Islâmica de 1979.

Segundo a Euronews, há pessoas no interior do Irão que receiam que o número de mortos possa atingir as 15.000 pessoas.

Todos os olhos postos no Irão

No fim de semana, Trump apelou ao fim do reinado de 37 anos do Ayatollah Ali Khamenei no Irão.

"É tempo de procurar uma nova liderança no Irão", disse Trump, por entre especulações sobre uma possível operação militar na região envolvendo forças americanas e israelitas.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian reagiu, dizendo que qualquer ataque ao líder supremo do país significaria uma declaração de guerra.

"Um ataque ao grande líder do nosso país é equivalente a uma guerra em grande escala com a nação iraniana", disse Pezeshkian num post no X.

Trump também anunciou uma tarifa de 25% sobre os países que fazem negócios com Teerão, visando especificamente os parceiros comerciais da República Islâmica, para além das sanções existentes. O presidente dos EUA ainda não tomou uma decisão sobre uma possível intervenção militar.

Na semana passada, Trump ameaçou repetidamente Teerão com uma intervenção militar, prometendo ajuda e apoio aos manifestantes.

Na passada terça-feira, apelou à população para que continuasse a protestar e "tomasse conta das instituições", afirmando que "a ajuda está a caminho".

Apesar de o pessoal norte-americano ter sido retirado das bases aéreas da região, devido a preocupações com um confronto direto entre os EUA e o Irão, Trump não avançou com a intervenção militar, dizendo que tinha sido informado de que as mortes tinham parado.

Khamenei acusou repetidamente Trump e Washington de fomentarem a agitação no Irão, numa guerra de palavras cada vez mais intensa.

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