Este sábado de manhã, os Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irão, o que levou o Irão a retaliar com ataques de mísseis e drones contra Israel e instalações militares americanas no Golfo.
Os Estados Unidos e Israel lançaram o que o presidente Donald Trump descreveu como "grandes operações de combate" contra o Irão este sábado, naquela que é uma escalada dramática nas tensões regionais. Os ataques parecem ter como alvo instalações militares, dos serviços secretos e ligadas ao governo em todo o país.
Trump afirma que "tentou fazer um acordo" com o Irão e acusa o país de desenvolver mísseis capazes de ameaçar a Europa.
Trump apela ao povo iraniano para "assumir o controlo do seu destino", enquanto o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu diz que a operação visa criar condições para que os iranianos "tomem o destino nas suas próprias mãos".
Quais foram os alvos?
Os meios de comunicação social iranianos noticiam ataques em todo o país. As estradas de acesso ao complexo d onde estão os escritórios do líder supremo Ali Khamenei, no centro de Teerão, foram encerradas pelas autoridades, enquanto outras explosões se faziam ouvir por toda a capital.
Khamenei não apareceu em público nos últimos dias e não foi visto na sequência dos ataques Durante a guerra de 12 dias, em junho, acredita-se que tenha sido levado para um local seguro, longe do complexo em Teerão.
Em Teerão, testemunhas ouviram uma primeira explosão junto ao gabinete de Khamenei. A televisão estatal iraniana noticiou posteriormente a explosão, sem indicar a causa.
Mais explosões atingiram a capital iraniana depois de Israel ter afirmado que estava a atacar o país. As autoridades não forneceram informações sobre as vítimas dos ataques.
Os alvos da campanha israelita incluem militares iranianos, símbolos do governo e alvos dos serviços secretos, de acordo com um funcionário informado sobre a operação, que falou sob condição de anonimato para discutir informações não públicas sobre o ataque.
Há notícia de um ataque a uma escola no sul do Irão, que terá feito mais de 50 mortos, segundo o governador regional.
Irão e Israel fecham espaço aéreo aos voos civis
Israel declarou o estado de emergência. As sirenes soaram em todo o país. As autoridades anunciaram que o chamado "alerta proativo" se destina a preparar a população para possíveis ataques com rockets.
O Corpo dos Guardas da Revolução do Irão emitiu uma declaração após os ataques a Israel, dizendo: "Em resposta à agressão do inimigo hostil e criminoso contra a República Islâmica do Irão, teve início a primeira vaga de ataques com mísseis e drones em grande escala por parte da República Islâmica do Irão contra os territórios ocupados", diz o comunicado.
Os rebeldes Houthi, apoiados pelo Irão no Iémen, afirmam que vão retomar os ataques à navegação.Este grupo anunciou a retoma dos ataques com mísseis e drones às rotas marítimas e a Israel, em apoio ao Irão, isto de acordo com dois altos responsáveis Houthi que falaram sob condição de anonimato, visto não haver nenhum anúncio oficial da liderança Houthi.
Qual a reação do Irão?
O Irão respondeu em poucas horas. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado uma "primeira vaga" de mísseis e drones contra Israel.
As sirenes soaram em todas as cidades israelitas enquanto as defesas aéreas tentavam intercetar os projécteis que se aproximavam.
O Irão também lançou ataques contra instalações militares norte-americanas no Bahrein, Kuwait e Qatar, de acordo com funcionários regionais e jornalistas da Euronews no Dubai. O Iraque e os Emirados Árabes Unidos fecharam temporariamente o seu espaço aéreo.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão emitiu uma declaração desafiadora, afirmando que o país "não hesitará" em defender-se.
Qual a reação dos europeus?
Os dirigentes europeus reagiram rapidamente e estão a avaliar as consequências dos ataques contra o Irão, preocupados com as repercussões regionais.
A União Europeia começou a retirar alguns funcionários do Médio Oriente e convocou consultas de emergência. A Alemanha agendou uma reunião de crise, enquanto França e Itália exortaram os seus cidadãos na região a ter "extrema cautela"
A líder da política externa da UE, Kaja Kallas, descreveu a situação como "perigosa" e disse que Bruxelas estava a coordenar com funcionários israelitas e árabes a exploração de opções diplomáticas. Ao mesmo tempo que reafirma a sua preocupação com os programas nucleares e de mísseis do Irão, a UE apela também à contenção e ao desanuviamento da situação.
Vários governos europeus afirmaram ter sido pouco ou nada avisados dos ataques. A Suíça instou todas as partes a respeitarem o direito internacional e a protegerem os civis, o que reflete os esforços europeus para evitar o agravamento do conflito.
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