Numa publicação na rede social X, Zelenskyy afirmou que a Ucrânia assinou um acordo sobre drones com a Letónia após a primeira reunião com o primeiro-ministro Andris Kulbergs.
Kiev intensificou os esforços diplomáticos numa tentativa de forçar Moscovo a negociações diretas para pôr fim à invasão em larga escala da Ucrânia.
Na Estónia, esta terça-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que o país está a construir uma "estratégia diplomática clara para garantir que a Rússia deixe de acreditar que a guerra lhe pode trazer qualquer benefício".
Salientou ainda que as forças de defesa ucranianas reforçaram de forma significativa as suas posições na linha da frente, o que poderá ser um fator importante para levar o Kremlin à mesa das negociações.
"As posições da Ucrânia na linha da frente são fortes. A Rússia está a perder mais de 30 mil soldados todos os meses, mortos ou gravemente feridos."
Outro argumento para pressionar Moscovo a negociar com Kiev é a intensificação dos ataques ucranianos de longo alcance em profundidade no território russo, acrescentou Zelenskyy.
"O nosso impacto de longo alcance sobre a logística russa, as refinarias e a produção militar russa também é significativo", disse, acrescentando que, na Crimeia anexada e em partes da Rússia, "já há falta de combustível e as comunicações normais estão interrompidas há meses".
"O orçamento russo está em frangalhos. Temos de manter a pressão e trazer a Rússia de volta ao caminho diplomático", acrescentou. Zelenskyy chegou à cimeira nórdico-báltica em Tallinn vindo de uma reunião em Londres com os líderes de França, da Alemanha e do Reino Unido.
Com uma reunião do G7 em França marcada para a próxima semana, antes de uma cimeira da UE em Bruxelas, em 18 e 19 de junho, o presidente ucraniano procura reunir um forte apoio diplomático para negociações com o Kremlin e garantir que a Europa esteja à mesa das conversações.
"Nas próximas reuniões e na cimeira da UE, vamos discutir precisamente isto: como deve a Europa comportar-se nas negociações e quando poderá haver progressos reais", afirmou Zelenskyy em Tallinn. "A Europa precisa de uma voz real e forte nas negociações e deve estar entre aqueles que tomam as decisões."
Acrescentou também que, apesar de a atenção da administração norte-americana se ter deslocado recentemente para o Médio Oriente, Washington não está a abandonar as conversações com a Rússia.
"Os EUA estão prontos para se envolverem ativamente nos processos diplomáticos – foi isso que discuti ontem com representantes do presidente norte-americano", disse Zelenskyy.
O porta-voz do Kremlin afirmou na terça-feira que o processo de mediação liderado pelos EUA está "atualmente suspenso".
Dmitry Peskov rejeitou igualmente a possibilidade de representantes da UE participarem em quaisquer conversações diplomáticas destinadas a pôr fim à guerra em larga escala da Rússia contra a Ucrânia.
"Quanto ao papel dos europeus como mediadores, parece que continuam, por assim dizer, longe de estar prontos para desempenhar esse papel", afirmou Peskov, repetindo as alegações de Moscovo contra os líderes europeus, alegando que "estão muito mais concentrados na continuação da guerra do que em conversações de paz".
Letónia fecha acordo de drones com a Ucrânia
A visita de Zelenskyy e a cimeira dos líderes nórdicos e bálticos decorrem num contexto de fricções devido a incursões de drones na região.
Nas últimas semanas, drones embateram na chaminé de uma central elétrica na Estónia, atingiram depósitos de combustível vazios na Letónia e foram abatidos por caças romenos estacionados na Lituânia.
Responsáveis ucranianos pediram desculpa, explicando que os drones tinham como alvo objetivos militares na Rússia, mas foram desviados por interferência eletrónica russa.
Numa publicação na rede social X, Zelenskyy afirmou que a Ucrânia assinou um acordo sobre drones com a Letónia, após a primeira reunião com o novo primeiro-ministro do país, Andris Kulbergs.
"São medidas concretas para reforçar a nossa defesa conjunta e a coprodução e, o que é importante, isto significa também que a experiência e o conhecimento da Ucrânia ajudam a fortalecer os nossos parceiros", escreveu Zelenskyy.
O presidente da Estónia, Alar Karis, afirmou que usar caças para abater drones é muito caro e disse esperar cooperar com a Ucrânia em tecnologia e conhecimento para o fazer de forma mais barata.
Zelenskyy garantiu que a Ucrânia está pronta para essa cooperação, apoiando-se na experiência acumulada ao ajudar países do Médio Oriente a abater drones, para onde enviou equipas de peritos para formar forças locais. "Fizemo-lo no Médio Oriente e funcionou", afirmou.
Disse que a Ucrânia pode fornecer os drones intercetores de baixo custo que usa no próprio território para criar um escudo pouco dispendioso contra ataques russos com drones e que Kiev pode enviar equipas de especialistas para os seus parceiros europeus "a qualquer momento".
Karis afirmou esperar que drones continuem a entrar no espaço aéreo báltico enquanto a guerra prosseguir e apelou à calma da população. A Estónia e os restantes Estados bálticos estão entre os mais firmes apoiantes da Ucrânia na guerra contra a Rússia.