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RD Congo: diretor da OMS visita epicentro do Ébola para apelar à ação comunitária

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chega a Bunia em plena escalada do surto de Ébola na província de Ituri, Congo, sábado, 30 de maio
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chega a Bunia, com o surto de Ébola a agravar-se na província de Ituri, Congo, sábado, 30 de maio Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Sertac Aktan com AFP, AP
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O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou este sábado a Ituri para apoiar a resposta a uma rara estirpe de ébola. Perante mais de mil casos suspeitos e 246 mortes, Tedros sublinhou a importância crucial do trabalho com as comunidades.

O responsável máximo da saúde da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou no sábado à província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, o epicentro mais atingido por um surto grave de um tipo raro de Ébola.

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A visita acontece numa altura em que o vírus se propaga mais depressa do que a capacidade de resposta, apesar de unidades de saúde mais organizadas e da chegada de nova ajuda.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde deverá visitar um centro de tratamento e reunir-se com as autoridades locais, profissionais de saúde e famílias afetadas em Bunia, a capital provincial.

“A melhor forma de responder a esta situação é garantir todo o apoio necessário para combater a doença no seu epicentro e continuar a prestar toda a ajuda de que haja necessidade”, disse Tedros aos jornalistas. Acrescentou que a comunidade internacional está a ajudar o governo da RDC a lidar com a crise, mas “ao mesmo tempo, é importante o envolvimento das comunidades. Estamos aqui para falar com a população, ver como está a decorrer a resposta e, se houver desafios, ajudar”.

Dimensão do surto

A febre hemorrágica altamente contagiosa já está presente em três províncias do leste da RDC e no vizinho Uganda. A verdadeira extensão do surto na RDC, que se pensa estar a circular antes de ter sido detetado, deverá ser muito mais ampla, advertiu a OMS. Vasto e instável, o país da África Central tem capacidade limitada para realizar testes laboratoriais e confirmar casos.

Dados recentes mostram um balanço crescente: pelo menos 1 077 casos suspeitos, incluindo 246 mortes, segundo os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças. O Ministério da Saúde ugandês confirmou na sexta-feira nove infeções e uma morte.

A OMS anunciou que um doente recuperou na quarta-feira, deixou o hospital e recebeu alta para a comunidade após dois testes negativos. Anais Legand, da OMS, disse a jornalistas em Genebra que se trata do “primeiro” caso entre os doentes confirmados como portadores do vírus do Ébola neste surto.

O Ébola, transmitido através de contacto próximo e de fluidos corporais, matou mais de 15 000 pessoas em África nos últimos 50 anos. O surto mais mortal na RDC causou quase 2 300 mortes em 3 500 casos entre 2018 e 2020.

Conflito e fecho de fronteiras

Os serviços do Estado são largamente inexistentes na província de Ituri, onde o acesso é dificultado pela insegurança provocada pela presença de militantes das ADF, afiliadas ao grupo Estado Islâmico, e por uma coligação de milícias étnicas que mata civis com regularidade.

As vizinhas províncias do Norte e Sul Kivu também registaram casos de Ébola e são palco de violência quase contínua há três décadas. Grandes áreas da região estão sob controlo do grupo armado M23, apoiado pelo Ruanda, que combate as forças governamentais e reportou dois casos em cidades-chave sob o seu controlo, incluindo Goma e Bukavu.

Milhões de pessoas fugiram dos combates e vivem em campos de deslocados com fracas condições de higiene. Quase um milhão destes deslocados encontra-se na província de Ituri, onde a possibilidade de a epidemia se espalhar pelos campos causa alarme.

“Se o Ébola chegar, vamos ser dizimados, porque estamos aqui apertados como sardinhas”, disse Dorcas Mapenzi no campo de Kingonze, nos arredores de Bunia.

Em resposta à crise, Uganda e o Ruanda fecharam as fronteiras, tendo Uganda decretado uma quarentena de 21 dias para quem chega da RDC. Além disso, a administração Trump proibiu, na semana passada, a entrada de pessoas sem passaporte dos EUA que tenham visitado recentemente o Congo, o Uganda ou o Sudão do Sul.

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