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SpaceX perde 600 mil milhões em três dias ao estrear-se no mercado de dívida

Sol nasce por detrás do mega foguetão Starship da SpaceX enquanto é preparado para um voo de teste a partir de Starbase, Texas, 22 de maio de 2026
Nasce o sol por detrás do mega foguetão Starship da SpaceX, enquanto é preparado para um voo de teste a partir de Starbase, Texas, a 22 de maio de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Eric Gay
Direitos de autor AP Photo/Eric Gay
De Quirino Mealha
Publicado a Últimas notícias
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As ações da SpaceX caíram pela terceira sessão consecutiva, atingindo o nível mais baixo desde a entrada da empresa na bolsa e anulando a maior parte dos ganhos espetaculares registados após a Oferta Pública Inicial.

As ações da SpaceX fecharam na segunda-feira nos 154,63 dólares, uma descida de cerca de 16% no dia. O valor fica muito próximo dos 150 dólares a que os títulos começaram a negociar na abertura da cotação em bolsa, nível definido após os bancos colocadores concluírem a construção do livro de ordens, embora ainda acima dos 135 dólares a que foi lançada a própria oferta pública inicial.

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A correção já apagou mais de 600 mil milhões de dólares (524,2 mil milhões de euros) em valor de mercado em três sessões, fazendo a empresa recuar a partir de um pico que a tinha colocado acima da Amazon e, por breves momentos, da Microsoft em capitalização bolsista.

A avaliação da empresa situa-se agora ligeiramente acima dos 2 biliões de dólares (1,74 biliões de euros), abaixo da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), o que a torna na sétima empresa mais valiosa do mundo.

A queda desfaz uma estreia em bolsa particularmente impressionante.

Depois da abertura em torno dos 150 dólares, a 12 de junho, as ações subiram até perto de 226 dólares a 16 de junho, uma valorização de cerca de dois terços antes de a empresa ter divulgado quaisquer resultados enquanto sociedade cotada.

Atualmente, as ações da SpaceX estão a ser negociadas a um valor mais de 30% inferior à máxima intradiária de cerca de 226 dólares e apenas 3% acima do preço de abertura.

Aquele rali assentava desde o início num volume reduzido de ações em livre circulação e em expectativas elevadas quanto às ambições da empresa na inteligência artificial, deixando o título vulnerável a uma inversão brusca assim que o sentimento mudou.

SpaceX recorre à dívida para financiar aposta na IA

A mais recente queda, na segunda-feira, coincidiu com a primeira incursão da SpaceX no mercado de dívida corporativa.

A empresa anunciou uma oferta inaugural de obrigações seniores não garantidas, com fontes conhecedoras do processo a indicarem um montante de cerca de 20 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros).

A receita deverá servir sobretudo para reembolsar um empréstimo-ponte contraído durante a fusão com a xAI, o projeto de inteligência artificial de Elon Musk, concluída no início deste ano, sendo o restante destinado a fins corporativos gerais.

A estreia no mercado obrigacionista vem na sequência da atribuição, na sexta-feira, de notações de crédito de grau de investimento pelas três principais agências, com a Moody's a classificar a empresa em Baa1, a Fitch em BBB+ e a S&P Global em BBB, abrindo caminho a financiamento mais barato e a um universo mais alargado de credores institucionais.

Nos documentos relativos à operação, a SpaceX revelou ainda uma posição de caixa de cerca de 100,8 mil milhões de dólares (88 mil milhões de euros) em 19 de junho, grande parte obtida na oferta pública inicial, a par de 29,1 mil milhões de dólares (25,4 mil milhões de euros) em dívida de longo prazo.

Essa combinação de reservas de liquidez muito elevadas com novo endividamento tão pouco tempo depois de uma colocação recorde inquietou alguns investidores, que encaram o ritmo de captação de fundos como sinal de um aumento forte de despesa à medida que a SpaceX desenvolve os seus planos na inteligência artificial e nos centros de dados.

A opção por dívida em vez de nova emissão de ações poupa, contudo, os atuais acionistas a mais diluição, preservando a sua participação económica enquanto a empresa financia a expansão.

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