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Astrónomos descobrem açúcar no espaço, pista para origem da vida

Ficheiro – imagem divulgada pela NASA em 16 de março de 2022 mostra a estrela 2MASS J17554042+6551277 usada para alinhar os espelhos do Telescópio Espacial James Webb
Arquivo - imagem divulgada pela NASA em 16 de março de 2022 mostra a estrela 2MASS J17554042+6551277 usada para alinhar os espelhos do Telescópio Espacial James Webb Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Una Hajdari com AP
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Ao que parece, o universo tem fraqueza por doces. Astrónomos detetaram um novo tipo de açúcar no espaço profundo que pode ajudar a explicar como surgiu a vida na Terra.

Ficou um pouco mais doce o espaço entre estrelas.

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Astrónomos detetaram no espaço um tipo de açúcar que também existe em framboesas e em autobronzeadores. Este açúcar, chamado eritrulose, encontra-se no chamado meio interestelar: finas nuvens de gás e poeira espalhadas entre as estrelas.

O açúcar faz mais do que adoçar o chá e envolver donuts. Diferentes variedades alimentam as nossas células e compõem o ADN, e os cientistas querem perceber como se formam porque são um ingrediente-chave da vida tal como a conhecemos.

Recorrendo a dois radiotelescópios em forma de prato, em Espanha, os investigadores recolheram dados de uma grande nuvem de gás perto do centro da Via Láctea.

Identificaram o açúcar na forma gasosa ao comparar os sinais dos telescópios com amostras recolhidas em laboratório. É a variedade mais recente de açúcar detetada no espaço, numa região atravessada pelas duas sondas Voyager da NASA, as naves espaciais que mais se afastaram da Terra.

Os resultados foram publicados na segunda-feira na revista Nature Astronomy.

Os cientistas já tinham identificado antes uma química notável na nossa galáxia, incluindo blocos de construção do material genético e componentes celulares.

Há cerca de 25 anos, detetaram um parente próximo do açúcar de mesa perto do centro da Via Láctea e grãos negros recolhidos do asteroide Bennu pela missão OSIRIS-REx da NASA revelaram outros açúcares, entre eles um componente essencial do ADN.

Este novo açúcar não é essencial para a vida, mas converte-se facilmente numa forma considerada crucial para lhe dar início na Terra. É também um dos açúcares mais complexos identificados até agora no espaço, afirmou a astrofísica Erika Hamden, da Universidade do Arizona.

É "um exemplo intacto do material que anda simplesmente a flutuar pela galáxia", disse Hamden, que não participou na nova investigação.

Estas investigações interestelares procuram sobretudo compreender como começou a vida. Terão cometas longínquos ou rochas espaciais trazido os ingredientes essenciais para a Terra? Ou estariam já presentes, acabando por dar origem ao Sistema Solar?

O novo açúcar reforça esta segunda hipótese. Os investigadores querem agora procurar mais açúcares no espaço e perceber como se transformam de umas formas noutras.

Encontrá-los num único local sugere que estarão provavelmente escondidos em regiões remotas da galáxia, a par de outras moléculas importantes, afirmou a autora do estudo, Izaskun Jiménez-Serra, astrofísica do Centro de Astrobiologia, em Espanha.

"Os ingredientes-chave para a origem da vida podem estar presentes noutras regiões da galáxia, o que abre a possibilidade de a vida se desenvolver noutros pontos do universo", disse Jiménez-Serra.

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