Após os mais recentes ataques dos EUA, os Emirados Árabes Unidos afirmaram que o Irão atacou com mísseis dois navios no estreito de Ormuz, enquanto Teerão afirmou ter atingido alvos no Bahrein.
As forças norte‑americanas lançaram ataques contra o Irão pela terceira noite consecutiva, na madrugada de terça‑feira, numa altura em que as hostilidades se agravam apesar de o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que um acordo ainda é "possível".
O Comando Central dos EUA escreveu na rede X que as suas forças "atingiram com êxito alvos militares em todo o Irão, incluindo Bushehr, Chah Bahar, Jask, Konarak, Abu Musa e Bandar Abbas", numa operação que durou cinco horas.
Momentos depois de os militares anunciarem os novos ataques, Trump classificou a operação como "outro ataque de grande envergadura".
"Estamos a atingi‑los com muita força. E isso vai continuar, e veremos o que acontece", disse a jornalistas no Salão Oval. "Estamos a neutralizar toda a sua capacidade ofensiva e a controlar os estreitos. Estamos a repor o bloqueio".
O Irão respondeu com ataques ao Bahrein e a dois petroleiros ligados aos Emirados Árabes Unidos no estreito de Ormuz.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou, no início da manhã de terça‑feira, que o ataque matou um marinheiro e feriu outros oito.
A Guarda Revolucionária iraniana assumiu o ataque aos petroleiros, afirmando que os navios "ignoraram repetidos avisos" e que tinham realizado ataques com mísseis e drones contra o Bahrein, depois de o país do Golfo ter aconselhado os cidadãos a procurar abrigo ao som das sirenes.
"Foram visados vários armazéns de apoio de armamento, um centro de comunicações por satélite e o edifício residencial das forças norte‑americanas no Bahrein", referiu a televisão estatal iraniana IRIB, citando a Guarda Revolucionária.
Irão diz que acordo está "em crise"
Os ataques surgem numa altura em que Irão e Estados Unidos disputam o controlo do estreito por onde, em tempo de paz, chegou a passar um quinto de todo o petróleo bruto e gás natural.
Trump sugeriu que a sua administração poderia começar a cobrar portagens aos navios que atravessam o estreito, depois de anteriormente ter indicado que não o faria.
Numa publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que os Estados Unidos seriam conhecidos como "Guardiões do estreito de Ormuz" e imporiam uma taxa de 20% a todo o transporte marítimo.
"Estamos a proteger uma parte muito rica do mundo", disse. "Estamos a gastar dinheiro. E, por isso, o que fizemos foi decidir que vamos ser ressarcidos pela proteção".
Apesar da mais recente escalada, Trump afirmou que um acordo para pôr fim à guerra continua a ser possível. "Sim, penso que um acordo é possível. Claro que sim", disse o presidente a jornalistas no Salão Oval.
"Tínhamos um acordo com eles há dois dias e depois disseram: 'Não podemos fechar esse acordo, temos de o negociar mais'", acrescentou.
Antes disto, na segunda‑feira, Trump disse ao locutor de rádio conservador Hugh Hewitt que o acordo alcançado no mês passado tinha sido "concebido para pôr à prova" o Irão, acrescentando que "quando se lida com tipos pouco sérios, os acordos não significam muito".
"Não passaram no teste", afirmou.
O porta‑voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmaeil Baqaei, afirmou também na segunda‑feira, que o memorando de entendimento de junho, que serviu de base às negociações e levou ao levantamento do bloqueio norte‑americano, está "em crise".
Trump notificou formalmente o Congresso, na semana passada, de que os Estados Unidos tinham retomado o conflito militar contra o Irão, informou a Casa Branca, concedendo ao Pentágono mais 60 dias para operar na região sem aprovação do Congresso.