Trump sublinhou a necessidade de pôr fim imediato a este conflito e garantiu que os Estados Unidos continuarão a apoiar os esforços nesse objetivo.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou a posição do seu país de apoio à soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental, classificando qualquer via alternativa para resolver este conflito, que se arrasta há décadas, como “inaceitável”.
O presidente norte-americano enviou uma mensagem ao monarca marroquino, o rei Mohammed VI, na qual reiterou a posição firme e pública de Washington quanto ao reconhecimento da soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental e ao apoio à proposta de autonomia apresentada por Marrocos, considerando-a “a solução séria, realista e única capaz de pôr termo ao conflito de forma justa e duradoura”.
O presidente norte-americano sublinhou, na mesma carta, que a manutenção do statu quo sem solução é “inaceitável”, acrescentando que a concretização desta solução permitirá “alcançar prosperidade e reforçar a integração entre os países do continente africano”. Reforçou ainda a necessidade de pôr fim ao conflito de imediato, assegurando que os Estados Unidos continuarão a apoiar os esforços destinados a atingir esse objetivo.
O início desta mudança no rumo das relações marroquino-americanas remonta a dezembro de 2020, quando Trump, nas últimas semanas do seu primeiro mandato, emitiu uma declaração oficial na qual reconheceu a soberania de Marrocos sobre o território do Saara Ocidental. Esse reconhecimento integrou um acordo pelo qual Rabat aceitou normalizar as relações com Israel, juntando-se assim ao grupo de países signatários dos Acordos de Abraão.
Para além da dimensão diplomática, a Casa Branca destacou o papel de Marrocos no reforço da segurança regional, classificando o reino como parceiro na luta contra o terrorismo e na resposta aos desafios da segurança internacional. Trump elogiou ainda o que descreveu como “a liderança sábia” do rei Mohammed VI na promoção da paz regional, sublinhando que o empenho de Rabat no combate ao extremismo e na proteção da segurança, tanto dos norte-americanos como dos marroquinos, evidencia a profundidade da parceria estratégica entre os dois países.
Neste contexto, o Presidente dos Estados Unidos anunciou o alargamento da cooperação operacional entre os dois países na região do noroeste de África, garantindo que Washington e Rabat trabalharão em conjunto para reforçar a segurança no Sahel.
Raízes do conflito
Continua o dossiê do Saara Ocidental, rico em recursos naturais, como fosfatos e recursos piscatórios, a ser uma das questões mais delicadas na cena diplomática do Norte de África e uma das fontes do diferendo histórico com a vizinha Argélia, que apoia a Frente Polisário na independência da antiga colónia espanhola. Marrocos propõe, por um lado, uma solução assente na atribuição ao território de amplas competências de autonomia, sob a soberania de Rabat. Por outro lado, a Frente Polisário insiste na realização de um referendo em que a população local decida sobre o seu futuro.
As origens do conflito em torno do Saara Ocidental remontam a 1975, quando Espanha pôs termo à ocupação do território então conhecido como “Saara Espanhol”, após mais de nove décadas de controlo (1884-1975). Após a retirada das forças de Madrid, as tensões intensificaram-se e evoluíram para um confronto armado entre Marrocos e a Frente Polisário, até à obtenção de um acordo de cessar-fogo em 1991, sob a égide das Nações Unidas.
Rabat encara o Saara Ocidental como parte integrante do seu território nacional, invocando laços históricos com a região, incluindo relações de vassalagem que ligavam os chefes tribais saarauis à dinastia alauita. A Argélia, pelo contrário, apoia a Frente Polisário, que proclamou a criação da “República Saarauí” em 1976, e considera que a questão está ligada ao princípio da autodeterminação e ao fim do que descreve como uma etapa colonial.
No ano passado, coincidindo com o 50.º aniversário da Marcha Verde, em que cerca de 350 mil civis marroquinos participaram em 1975 numa marcha que partiu de Agadir rumo à parte sul do território então sob controlo espanhol, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução que considerou a autonomia sob soberania marroquina “a base mais séria” para uma solução do conflito.
A resolução foi adotada na sexta-feira, 31 de outubro, com 11 votos a favor e sem qualquer oposição, apelando a todas as partes para que se envolvam em negociações com base no plano de autonomia que Marrocos apresentou à ONU pela primeira vez em 2007.
O texto indica que esse plano poderá constituir “a solução mais realista” e “a base” para futuras negociações destinadas a pôr termo a um conflito que perdura há cinco décadas.
Nessa altura, o rei de Marrocos afirmou que o reino entrou numa “fase decisiva da sua história moderna”, acrescentando: “Chegou a hora de um Marrocos unido”.