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Ucrânia nega ter como alvo a Bulgária após explosão de drone perto de gasoduto, Kiev abre inquérito

Militar da brigada ucraniana K-2 lança drone de médio alcance contra posições russas na linha da frente, na região de Donetsk, a 22 de junho de 2026
Militar da brigada K-2 da Ucrânia lança um drone de médio alcance contra posições russas na linha da frente, na região de Donetsk, a 22 de junho de 2026. Direitos de autor  2026 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor 2026 The Associated Press. All rights reserved
De Gael Camba & AFP
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Um drone não identificado, do tipo usado pelas forças de Kiev, explodiu perto de um gasoduto na fronteira entre Bulgária e Roménia, após entrar no espaço aéreo búlgaro proveniente da Roménia, a mil metros do gasoduto Trans-Balcânico.

A Ucrânia negou, no sábado, ter visado a Bulgária depois de um drone ter explodido perto do estratégico gasoduto Trans-Balcânico, que liga a Turquia à Ucrânia, junto à fronteira com a Roménia.

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O Ministério da Defesa búlgaro afirmou que o drone era de um tipo “amplamente utilizado pelas forças armadas ucranianas” e que, em resposta, a ministra dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador ucraniano para uma reunião na segunda-feira, indicou o seu gabinete.

Kiev afirmou estar “em estreito contacto com a parte búlgara para esclarecer as circunstâncias” do incidente, o mais recente caso de um drone a entrar no espaço aéreo da NATO numa altura em que a Ucrânia resiste à invasão russa.

“Podemos afirmar com certeza que as Forças Armadas ucranianas não dirigiram intencionalmente quaisquer meios contra a Bulgária”, declarou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Georgiy Tykhyi, que atribuiu o incidente à invasão russa.

Sem vítimas registadas

Embora a explosão não tenha causado vítimas, o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, afirmou que a quantidade de explosivos a bordo era “significativa”.

“O drone explodiu nas imediações da passagem fronteiriça de Kardam, com a Roménia”, perto do mar Negro, no nordeste do país, “a 1 000 metros da estação de compressão do gasoduto Trans-Balcânico”, afirmou num vídeo divulgado pelo governo.

Após analisar os destroços da queda, o Ministério da Defesa da Bulgária afirmou, no entanto, que “neste momento, nada indica que se tenha tratado de um incidente deliberado”.

O drone acabou por cair num campo de girassóis, adiantou Radev.

“Quantidade significativa de explosivos”

Segundo Radev, a polícia de fronteira romena registou o som do drone e, depois, uma patrulha da polícia de fronteira búlgara observou “uma forte explosão acompanhada de fumo negro”, declarou, após uma reunião extraordinária do conselho de segurança do governo.

“Uma coisa é certa: o drone transportava uma quantidade significativa de explosivos, uma vez que se podia ouvir à distância e produziu um fumo tão negro”, afirmou.

Disse ainda que o drone não tinha sido detetado por nenhum dos dois países vizinhos, acrescentando: “Como sabem, identificar e neutralizar estes drones representa um grande desafio”.

Incidentes com drones tornaram-se cada vez mais frequentes nos últimos meses em países do leste europeu membros da NATO e apoiantes da Ucrânia no conflito com a Rússia.

Desde o início da invasão russa em grande escala da Ucrânia, em 2022, a Roménia tem enfrentado incursões frequentes de drones, incluindo algumas quedas no seu território. No final de julho, o país ordenou a expulsão de um funcionário da embaixada russa.

Radev adiantou que, na sequência do mais recente incidente, a Bulgária reforçou a vigilância e iria reposicionar efetivos militares nas fronteiras para detetar drones e aplicar medidas anti-drone.

Turquia pede “moratória”

A Bulgária, a Roménia e a Turquia têm costa no mar Negro, transformado em palco de combates com drones entre a Ucrânia e a Rússia, que já levaram a ataques contra navios civis.

O ministro turco dos Negócios Estrangeiros apelou no sábado a uma “moratória” sobre os ataques russos e ucranianos naquela zona marítima, numa entrevista à agência noticiosa estatal Anadolu.

“Para começar, visavam os portos e os navios militares”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan. “Agora, estão a atacar todo o transporte comercial, sem distinção.”

Na terça-feira, a Turquia já tinha denunciado ataques com drones, no Mar Negro, contra dois navios civis turcos, ocorridos no dia anterior, dos quais resultaram feridos entre a tripulação.

A Bulgária suspendeu, em junho, a ajuda militar à Ucrânia. Radev afirmou que o país não fazia parte da coligação de aliados de Kiev que fornecem armamento e que preferia ver esforços diplomáticos para pôr fim à guerra.

Mais a oeste, um porta-voz do comando operacional das forças armadas alemãs disse à AFP, no sábado, que esta semana foram detetados drones sobre uma instalação militar no oeste da Alemanha conhecida por albergar um grande depósito subterrâneo.

Entre outros armamentos, o complexo especial de Mechernich guarda componentes para sistemas de defesa antiaérea Patriot, de fabrico norte-americano, há muito cobiçados por Kiev.

Estas deteções ocorreram poucos dias depois de ter sido encontrado um drone carregado com explosivos junto a um avião de carga ucraniano no aeroporto de Leipzig-Halle, que desempenha um papel central no transporte de material militar pelas forças armadas alemãs e pelos aliados da NATO.

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