Um alto responsável israelita afirmou à agência noticiosa AFP que os EUA e Israel tinham "chegado a acordo no sentido de que não se procederia a qualquer reimplantação ou reconstrução na Faixa de Gaza antes de o Hamas ser desarmado",
As reuniões do enviado especial dos EUA Jared Kushner com os líderes israelitas e do Hamas, esta semana, terminaram sem avanços significativos no plano de paz para Gaza proposto por Washington.
Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump, viajou para o Médio Oriente para se encontrar com o chefe político do Hamas, Khalil al-Hayya, e com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, depois de este ter rejeitado publicamente, no início deste mês, o mais recente roteiro de 15 pontos destinado a pôr fim ao conflito.
O plano, anunciado pelo Conselho de Paz de Trump no final de julho, prevê a retirada completa de Israel de Gaza, exigindo em contrapartida que o Hamas se desarme e abdique do controlo da governação do território. O grupo armado aceitou o plano, enquanto Netanyahu afirmou que qualquer retirada dependeria de o Hamas se desarmar de forma “genuína”.
Após o encontro entre Kushner e Netanyahu, que se prepara para as eleições israelitas de outubro, um responsável israelita de alto nível disse à agência AFP que ambas as partes “concordaram que não terá lugar qualquer novo posicionamento de forças nem reconstrução na Faixa de Gaza antes de o Hamas estar desarmado em todo o território”.
“Ficou igualmente acordado que o primeiro passo para a desmilitarização da Faixa de Gaza seria exigir ao Hamas que entregue as suas armas para serem desativadas sob supervisão de um general norte-americano”, acrescentou.
Num comunicado, o gabinete de Netanyahu qualificou a reunião como “profunda e construtiva”, acrescentando que tanto Israel como o Conselho de Paz estão “determinados” em que o “desarmamento e a desmilitarização de Gaza” sejam “rápidos e concluídos antes de qualquer reconstrução”.
O gabinete adiantou que foi igualmente acordada a criação de dois grupos de trabalho: um dedicado ao desarmamento e à desmilitarização e outro às questões de “saneamento, água potável e outros problemas de saúde pública” para os habitantes de Gaza.
Os encontros decorreram numa altura em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Egito, Indonésia, Jordânia, Paquistão, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos divulgaram no domingo uma declaração conjunta a condenar a rejeição, por Israel, do plano de Washington para Gaza.
“Rejeitar o roteiro constitui uma recusa explícita em avançar com a implementação do Plano Global e ameaça diretamente comprometer os esforços significativos desenvolvidos pelo presidente norte-americano Trump para pôr fim à guerra em Gaza e criar condições para uma paz duradoura”, lê-se na declaração.