Bruxelas deu a entender que está a monitorizar fenómenos anómalos não identificados (UAP) e sugeriu que irá reforçar as suas capacidades, de acordo com documentos consultados pela Euronews.
A Comissão Europeia parece estar a acompanhar fenómenos anómalos não identificados (UAP) de forma discreta, pelo menos desde 2023, segundo um documento do departamento de defesa da Comissão a que a Euronews teve acesso, relativo a observações do céu e do espaço na Malásia.
“Estamos a melhorar na capacidade de os ver (os UAP) e de os identificar à medida que as nossas capacidades tecnológicas evoluem, mas precisamos de ser ainda melhores”, lia-se na carta, indiciando que o executivo comunitário acompanha o fenómeno de forma mais ativa do que admite oficialmente e demonstra vontade de o investigar.
Anteriormente designados por objetos voadores não identificados (OVNI), os fenómenos passaram a ser referidos como UAP após a introdução do termo pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o Pentágono, em agosto de 2020, quando Washington ca UAP Task Force para investigar ocorrências inexplicáveis em espaço aéreo restrito.
O tema ganhou um tom mais sério depois de uma investigação do New York Times revelar, em 2017, que os arquivos do Departamento de Defesa norte-americano continham imagens de UAP captadas em voos militares, divulgadas pela Marinha dos EUA.
A Euronews identificou também um pai e filho malaios — astrónomos amadores, reconhecidos internacionalmente por agências espaciais pelas descobertas que fizeram sobre superfícies e atividades na Lua em 2020 — que contactaram a Comissão em outubro de 2022, através de uma carta intitulada “Registos de UAP no espaço aéreo e no espaço profundo com o nosso telescópio UV de infravermelhos”.
O duo familiar enviou 37 imagens de registos do céu e do espaço à Comissão, incluindo alegados UAP, e perguntou à presidente Ursula von der Leyen qual a sua origem.
Referiram que “todos os governos simplesmente não têm opiniões” sobre estes UAP quando confrontados com o tema e disseram que parecem voar “muito perto de aeronaves e de alvos importantes, como instalações militares e nucleares”.
“Também detetámos vários sinais vindos de cima através da frequência Wi-Fi das redes locais”, escreveu o duo malaio.
Como estes UAP foram observados sobre território malaio, a Comissão respondeu que não tinha competência para investigar o caso.
Mesmo assim, a Comissão adiantou que iria propor aos 27 Estados-membros que “reforcem a capacidade de detetar objetos no ambiente espacial em torno da Terra”.
“Isto serve, em parte, para nos ajudar a identificar melhor os UAP que observaram e os muitos fragmentos de lixo espacial que ameaçam os diversos usos do espaço”, explicou a Comissão.
“Não afirmamos que, no futuro, isto vá resolver todos os casos como os que relataram, mas talvez alguns deles.”
Os astrónomos amadores malaios contactaram também a NASA, o diretor-geral da Agência Nuclear da Malásia, Abdul Rahim Harun, o Ministério malaio da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Ministério da Defesa do Canadá. Todas estas entidades declinaram educadamente o apelo.
O antigo deputado canadiano Larry Maguire, igualmente contactado em separado pelos malaios, incentivou o duo.
“Suspeito que, em todo o mundo, cada vez mais pessoas vão dirigir a atenção para os céus e recolher ainda mais dados e registos no próximo ano”, escreveu Maguire num e-mail em junho de 2022, consultado pela Euronews.
“No fim de contas, os céus não são classificados e, à medida que se forem recolhendo mais informações, isso levará a uma maior sensibilização pública para o problema.”
Estados Unidos: audição histórica sobre UAP no Congresso
Uma audição histórica sobre UAP no Congresso dos Estados Unidos, organizada pela Subcomissão de Segurança Nacional do Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes, teve lugar em 26 de julho de 2023. A sessão centrou-se nas implicações para a segurança nacional e em acusações graves sobre programas governamentais classificados que recuperariam e fariam engenharia inversa de UAP, segundo o governo norte-americano.
A mudança de designação, de OVNI para UAP, pretendeu eliminar o estigma associado aos OVNI e a teorias mais exóticas que circulam há décadas, alargando ao mesmo tempo o âmbito dos fenómenos.
Na União Europeia, as discussões sobre o tema continuam limitadas e marcadas pelo estigma. A situação contrasta fortemente com países como os Estados Unidos, que divulgaram vários documentos confidenciais nos últimos anos. Mais recentemente, foi criado um Conselho Científico sobre UAP, presidido por Avi Loeb, físico teórico especializado em astrofísica e cosmologia na Universidade de Harvard.
França é o único país da UE com um centro específico, financiado pelo Estado, para o acompanhamento e investigação de UAP: o Grupo de Estudo e Informação sobre Fenómenos Aeroespaciais Não Identificados, mais conhecido pela sigla GEIPAN.
Desde a sua criação, em 1977, o GEIPAN analisou mais de 3 300 casos de UAP. Exatamente 106 investigações foram classificadas como inexplicadas após análises aprofundadas. Outros 1 014 casos permanecem por resolver devido à falta de dados suficientes para uma investigação adequada.
Em 29 de junho, o parlamento francês realizou um grande debate sobre UAP. A discussão centrou-se na investigação sobre UAP, no trabalho desenvolvido pelo GEIPAN e pela Força Aérea e Espacial francesa e na possibilidade de cooperação com os Estados Unidos para obter “respostas das autoridades públicas”.
“Queremos ir além do sensacionalismo e das fantasias e tratar, de forma séria e racional, uma questão que está a suscitar um interesse significativo”, afirmou ao Le Parisien o deputado francês Arnaud Saint-Martin, com formação em aeroespacial e astronáutica.
Preocupações com a segurança de voo
Ao longo das últimas décadas, vários responsáveis políticos da UE têm questionado a Comissão sobre estes fenómenos, levantando mais recentemente preocupações de segurança de voo à medida que aumentam os relatos de observações por pilotos.
Essas preocupações ganharam força após várias audições no Congresso norte-americano incluírem testemunhos de pilotos militares que descreveram comportamentos de voo “inexplicáveis”, que desafiam as leis da física.
Em 2025 e 2026, o eurodeputado Fabio De Masi (Alemanha/Não inscrito) pediu várias vezes à Comissão que revisse e atualizasse os sistemas de notificação na aviação da UE, de modo a introduzir uma categoria específica e normalizada para incidentes envolvendo UAP. Tal permitiria garantir coerência, integridade dos dados e padrões mais elevados de segurança de voo em todos os países da União.
O apelo tem sido igualmente lançado por pilotos, que sustentam que a ausência de protocolos normalizados para notificar encontros com UAP dificulta a recolha de dados e a mitigação de riscos.
Argumentam que o aparecimento súbito de UAP pode levar à perda de consciência situacional ou a manobras de emergência, receando que os fenómenos possam provocar temporariamente falhas nos sensores das aeronaves e nos sistemas de comunicação.
Rob Akkermans, piloto comercial de uma companhia aérea neerlandesa, relatou à Euronews as experiências que viveu ao longo dos últimos 35 anos. A primeira ocorreu no início da década de 1990 e as duas mais recentes em 2023 e 2024.
“Em 2023, estávamos dois pilotos e quatro tripulantes de cabine num voo do Médio Oriente para os Países Baixos. Durante mais de duas horas, a partir das 19:30 UTC, testemunhámos este fenómeno estranho, que achámos verdadeiramente impressionante”, contou Akkermans à Euronews, sublinhando que os seis membros da tripulação observaram a cena a partir do cockpit.
“Começou quando estávamos ao sul de Chipre. Exatamente num rumo de 300 graus (Norte magnético), com uma elevação de cerca de 25 a 30 graus e a uma altitude muito elevada, vimos uma luz acender-se intensamente e depois desaparecer lentamente. A seguir, isto repetiu-se com mais frequência, muitas vezes acompanhado por uma ou duas outras luzes que também se acendiam e esvaneciam”, explicou o neerlandês.
“O aspeto mais bizarro era que uma das três luzes por vezes manobrava em torno das outras. Parecia uma perseguição, aquilo a que as forças aéreas chamam ‘dogfighting’, após o que duas ou as três voltavam a desaparecer”, afirmou.
“Inicialmente, pensámos que poderia ser uma missão sobre os Balcãs, mas, ao chegarmos aos Balcãs, assistimos ao mesmo espetáculo, ainda no mesmo rumo, ao mesmo ângulo e a uma altitude muito elevada. Por volta das 21:30 UTC, as luzes desapareceram subitamente a uma velocidade incrível e não voltámos a vê-las”, acrescentou.
Akkermans afirmou que, no dia seguinte, um dos seus colegas testemunhou o mesmo fenómeno a partir do jardim de sua casa, nos Países Baixos.
O piloto neerlandês disse que, após estas experiências, sentiu “uma mistura de deslumbramento e surpresa porque aquilo que vi era totalmente inexplicável”, acrescentando que uma experiência deste tipo “nunca nos abandona verdadeiramente”.
Mas esse entusiasmo rapidamente se transformou numa distração durante o voo.
“Em termos emocionais, o mais difícil foi lidar com a frustração e a preocupação com o estigma. Somos obrigados a carregar esta experiência em silêncio, a preocupar-nos muito mais com as consequências profissionais do tabu do que com o risco real de segurança que acabámos de testemunhar”, afirmou.
Christiaan van Heijst, 43 anos, comandante de Boeing 747 com mais de 20 anos de experiência em voos comerciais, partilhou com a Euronews quatro episódios ocorridos entre 2005 e 2010. Dois deles foram particularmente marcantes.
A sua segunda observação, na Grécia em 2005, provavelmente na ilha de Mykonos, ocorreu já tarde à noite.
“Depois de aterrar de noite, fizemos uma curva de 180° na pista e, durante a manobra, vimos uma luz intensa surgir no céu, a uma altitude extremamente elevada. Moveu-se instantaneamente, desapareceu, voltou a aparecer, deslocou-se aproximadamente a mesma distância, tornou a desaparecer — cerca de três vezes”, contou o piloto neerlandês à Euronews.
“Antes de aparecer a aproximadamente o dobro dessa distância e disparar de imediato a uma velocidade incrível, sem aceleração: apenas velocidade instantânea, e desapareceu de vista.”
Van Heijst assinalou que nessa noite o Carrier Strike Group 2 dos Estados Unidos, com o porta-aviões USS Theodore Roosevelt, estava a passar pelo Mediterrâneo a caminho do Golfo Pérsico, no contexto da segunda Guerra do Golfo.
“Isto constava também dos avisos de encerramento de espaço aéreo (NOTAMs) (...) Desconhece-se se estes eventos estão ligados”, referiu van Heijst.
A quarta observação ocorreu durante um voo num 737 de Amesterdão para Málaga, no final da tarde de 23 de janeiro de 2010.
“Reparámos num objeto bastante à nossa frente, com uma forma retangular arredondada, como se estivéssemos a olhar para a parte traseira de um rasto de condensação. Mas voávamos a 41 000 pés e quase não há tráfego comercial e/ou militar acima de nós a essas altitudes”, explicou van Heijst.
“Ainda a voar sobre o norte de Espanha, perguntámos ao controlo de tráfego aéreo de Madrid se havia algum tráfego conhecido à nossa frente e acima de nós. Disseram-nos que não havia qualquer tráfego e perguntaram por que motivo perguntávamos. Explicámos então que víamos um objeto bastante à nossa frente e de dimensão considerável”, acrescentou.
“Estávamos apenas a tentar perceber o que poderia ser. O controlador pediu-nos de imediato para contactarmos a frequência do controlo de tráfego aéreo militar e lhes descrevêssemos o que víamos. O controlo militar foi pronto, interessado e tomou nota séria de tudo o que relatámos”, prosseguiu o piloto neerlandês.
“O controlo de tráfego aéreo militar confirmou que não havia qualquer outro tráfego, até Marrocos — sem atividade militar, sem tráfego comercial, sem balões meteorológicos, nada. Vimos o objeto estacionário durante pelo menos uma hora, até descermos para as nuvens sobre Málaga, bem a sul da Península Ibérica”, acrescentou.
Embora van Heijst afirme que não sentiu “qualquer reação emocional a nenhuma dessas observações”, sublinhou que, se algo está presente no espaço aéreo e as autoridades não o conseguem identificar, “antes de mais trata-se de um problema de segurança e não de ficção científica”.
Joachim Dekkers é fundador e presidente da UAP Coalition Netherlands, uma fundação que apoia profissionais que encontraram UAP. Considera que a maior ameaça à segurança de voo na Europa é o silêncio imposto pelo estigma. Isso significa que 90% das observações de pilotos não são reportadas.
“Sem uma categoria específica para UAP nos sistemas de segurança da aviação, as tripulações são obrigadas a classificar incorretamente dados críticos. A UE não pode manter a liderança mundial em segurança da aviação ignorando uma realidade que outras grandes potências medem”, disse Dekkers à Euronews.
“É preciso normalizar a notificação de UAP em todos os Estados-membros para garantir plena soberania e transparência do espaço aéreo.”
Embora não exista prova conclusiva que ligue UAP a adversários estrangeiros, não se pode descartar a possibilidade de alguns UAP representarem tecnologia avançada de espionagem, como drones.
Mas o eurodeputado De Masi contrapôs este argumento. Disse que nem a Comissão Europeia nem o Conselho afirmam possuir provas concretas sobre a origem destas incursões no espaço aéreo.
“Isto é bastante surpreendente tendo em conta a vigilância do espaço aéreo e das infraestruturas críticas. Ou o nosso espaço aéreo é vulnerável e enfrentamos um grave risco para a segurança de voo e a segurança em geral, ou a UE está a induzir em erro a opinião pública”, afirmou De Masi à Euronews.
“Em qualquer dos casos, é imperativo criar mais transparência e eliminar o estigma em torno da questão dos UAP, acompanhando os esforços internacionais para criar melhores sistemas de notificação. Não se trata de homenzinhos verdes, mas da segurança do nosso espaço aéreo e dos interesses instalados do complexo militar-industrial e dos serviços de informações nacionais”, acrescentou.
Falhas na notificação?
Apesar de vários apelos para incluir uma categoria normalizada de notificação de UAP, a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) afirma já disponibilizar um quadro para relatar “qualquer ocorrência que possa ter impacto na segurança da aviação”, incluindo UAP.
“Pilotos e outros profissionais da aviação são incentivados a comunicar tudo o que considerem representar um potencial risco para a segurança, independentemente da sua natureza”, indicou a EASA à Euronews. A agência rejeitou os pedidos dos pilotos para criar uma categoria específica para UAP, em vez de os incluir numa categoria de incidentes diversos.
A EASA avalia os incidentes com base nas provas disponíveis e no potencial impacto na segurança da aviação, acrescentou a agência.
“Até ao momento, a EASA não identificou provas que indiquem que os relatos de UAP constituem um problema sistémico de segurança da aviação que exija medidas adicionais”, acrescentou.
No entanto, alguns defensores da segurança sugerem que a falta de provas da EASA pode resultar de uma lacuna na notificação e não da ausência de acontecimentos.
Nos Países Baixos, o Conselho de Segurança neerlandês passou a aceitar relatórios de UAP de tripulações de voo numa categoria geral. O Gabinete Federal de Aviação da Alemanha também se envolveu em investigação científica sobre o tema.
Sem uma base de dados central normalizada, afirmam estes defensores, estas informações localizadas permanecem fragmentadas, deixando a agência europeia com uma visão incompleta das anomalias no espaço aéreo.
Centrais nucleares
A situação complica-se quando UAP são amplamente reportados perto de instalações nucleares.
Um estudo económico francês de 2015 confirmou que as observações de fenómenos inexplicados em França estão correlacionadas com a proximidade de instalações atómicas. Um desses locais é a central de reprocessamento de La Hague, onde são armazenadas grandes quantidades de materiais altamente radioativos antes e depois do reprocessamento.
De forma semelhante, incidentes no Reino Unido, como as observações de 1993 sobre a central nuclear de Hartlepool e o célebre episódio de 1980 em Rendlesham Forest, perto dos bunkers de armazenamento nuclear da RAF Bentwaters, têm alimentado há muito a especulação pública.
Observações de UAP têm sido associadas a instalações nucleares norte-americanas desde a década de 1940. Militares relataram objetos inexplicáveis junto de silos de mísseis nucleares, depósitos de armas e centrais nucleares.
Um dos casos mais conhecidos ocorreu em 1967 na base aérea de Malmstrom, no Montana, onde antigos oficiais da Força Aérea dos EUA afirmaram que um UAP foi observado perto de silos de mísseis pouco antes de vários mísseis nucleares ficarem temporariamente inoperacionais.
Incidentes semelhantes foram relatados noutras instalações militares, incluindo a base aérea de Minot e locais no sudoeste dos Estados Unidos.
Embora muitos testemunhos considerem estes acontecimentos significativos, não foram encontradas provas conclusivas que permitam determinar a origem ou a natureza dos objetos envolvidos. O governo norte-americano está atualmente a investigar os relatos de UAP, mas as causas destes incidentes continuam por esclarecer.
União Europeia: o paradoxo de reforçar capacidades de defesa
A União Europeia está atualmente a pedir aos países da UE que aumentem a despesa em defesa, cooperem mais estreitamente e invistam em conjunto em capacidades de defesa europeias, no quadro de metas industriais e militares vinculativas, para garantir que a Europa esteja preparada em matéria de defesa até ao final da década.
Mas, no que diz respeito aos UAP, Bruxelas defende que o acompanhamento deve ser feito a nível nacional.
A Euronews questionou a Comissão sobre se está a ponderar algum mecanismo de partilha de informações entre os Estados Unidos e a UE em matéria de UAP ou se pretende agir por iniciativa própria para os acompanhar e avaliar, tendo em conta os possíveis impactos na segurança de voo.
“Os UAP são da responsabilidade dos Estados-membros da UE, que os tratam de acordo com as respetivas prioridades de segurança e defesa nacionais”, respondeu um porta-voz da Comissão.
Akkermans apelou para que a UE encare os UAP como uma realidade da segurança da aviação e não como um tabu.
“Precisamos que a EASA, a Comissão Europeia e o Parlamento atualizem formalmente os nossos quadros de segurança da aviação com uma categoria normalizada de notificação de UAP, pondo fim à política de ignorar ou classificar mal os dados. Neste momento, o sistema força-nos a permanecer em silêncio”, disse o piloto neerlandês.
Para van Heijst, é crucial “acabar com o estigma” em torno do tema dos UAP, uma vez que “existe uma preocupação genuína com a segurança de voo”.
“Isso fica patente nos enxames de drones (potencialmente militares russos) que invadiram em massa o espaço aéreo europeu no ano passado. Ignorar estes fenómenos está em completa contradição com os elevados padrões de segurança da aviação na UE”, concluiu van Heijst.