Chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, anulou um novo grupo consultivo de defesa dias após o apresentar, após contestação dos Estados‑membros.
Anunciado apenas na semana passada pela chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, o novo grupo destinava-se a aconselhar sobre as necessidades de defesa da Europa, mas a iniciativa foi abandonada após forte oposição dos Estados-membros.
Numa reunião informal de ministros da Defesa na Irlanda, na semana passada, a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, anunciou um novo órgão consultivo que juntaria responsáveis políticos e militares para ajudar a definir uma nova abordagem à defesa europeia.
“O objetivo é reunir algumas das mentes mais brilhantes em matéria de segurança e defesa e que elas apresentem soluções verdadeiramente inovadoras sobre como podemos ser mais rápidos a colmatar estas lacunas e mais eficazes”, afirmou Kallas durante a conferência de imprensa.
Poucos dias depois, a iniciativa foi discretamente posta de lado. Os convidados para o evento de lançamento, uma conversa informal com Kallas prevista para segunda-feira, num espaço acolhedor em Bruxelas, foram informados do cancelamento na tarde de domingo.
A decisão súbita surgiu depois de vários Estados-membros se terem oposto à proposta, considerando que não era o caminho certo a seguir, apesar de o grupo ter sido concebido apenas como órgão consultivo, sem poderes para tomar decisões em nome dos Estados-membros.
“O diagnóstico não mudou: a Europa tem de avançar mais depressa na área da defesa. A Europa continua a ter de enfrentar a questão para a qual o grupo foi criado, a de como reforçar mais rapidamente a defesa europeia”, disse um responsável da UE à Euronews, sob condição de anonimato.
O Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) já enfrenta pressão, uma vez que a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, tem vindo a procurar um papel mais determinante na política externa do bloco, entrando em choque com Kallas em temas centrais como as relações com Israel.
A mais recente proposta franco-alemã colocaria o SEAE sob supervisão direta da presidente da Comissão Europeia, embora também atribuísse à alta representante uma carteira muito mais ampla.
A pressão para travar a iniciativa antes de ser sequer lançada, antes de os nomes dos participantes terem sido anunciados, representa uma derrota política significativa para Kallas, que apenas recentemente tinha nomeado uma nova liderança no SEAE para reforçar a sua posição.