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Ucrânia: ataques a centros de dados da Yandex fazem cair atividade de bots russos?

Fotografia de um hacker a trabalhar no portátil, 11 de julho de 2019
Fotografia de um hacker a trabalhar no portátil, 11 de julho de 2019 -  Direitos de autor  Unsplash/Clint Patterson
Direitos de autor Unsplash/Clint Patterson
De Sasha Vakulina
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O Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirmou que as redes sociais se tornaram menos hostis após os ataques de Kiev contra centros de dados da gigante russa de tecnologia Yandex, com utilizadores a relatarem forte quebra da atividade de bots.

Ataques ucranianos contra os centros de dados do gigante tecnológico russo Yandex foram seguidos por uma queda acentuada da atividade automatizada online, levantando dúvidas sobre se os ataques poderão também ter perturbado as operações de influência de Moscovo no estrangeiro.

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A súbita queda alimentou especulação na Europa e nos Estados Unidos sobre até que ponto o debate político nas redes sociais poderá ter sido impulsionado por bots russos.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reagiu esta segunda-feira, afirmando que as plataformas de redes sociais se tornaram visivelmente menos hostis.

“Quando começámos a responder à operação da Rússia contra os nossos centros de dados e quando os nossos ataques atingiram centros de dados da Yandex, de repente ficou um pouco mais fácil respirar em muitas plataformas de redes sociais”, disse Zelensky, ao intervir no Fórum de Segurança de Varsóvia.

“Muita gente, muita gente reparou nisso, e passou a haver menos ódio, menos divisão e menos provocações, porque havia menos bots.”

“E é bastante claro de onde vinham esses bots”, acrescentou.

“Se desapareceram quando a Yandex ficou offline, isto prova, vez após vez, que a Europa não é a origem dos problemas.”

“A Europa não é quem torna tudo mais difícil”, afirmou.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, discursa no Fórum de Segurança de Varsóvia, em Varsóvia, 12 de outubro de 2026
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, discursa no Fórum de Segurança de Varsóvia, em Varsóvia, 12 de outubro de 2026 AP Photo

Três centros de dados atingidos

Três centros de dados operados pela Yandex, frequentemente descrita como o equivalente russo da Google, foram atingidos por ataques de drones ucranianos nos últimos dias.

As instalações situavam-se em Sasovo, na região de Riazan, na região de Kaluga, a sudoeste de Moscovo, e na região de Vladimir, a leste da capital russa, onde o ataque mais recente foi registado no domingo.

Os ataques danificaram a infraestrutura da empresa e perturbaram os serviços. A Yandex confirmou que as operações no centro de dados de Vladimir foram suspensas após um ataque com drone.

“Na sequência de um ataque com drone, a infraestrutura do centro de dados de Vladimir foi danificada”, afirmou a empresa num comunicado publicado no Telegram.

“As operações no centro de dados foram totalmente suspensas. Os restantes recursos de infraestrutura são instáveis e a plataforma está inoperacional.”

De acordo com uma análise dos dados do Cloudflare Radar, o tráfego automatizado originário da rede da Yandex caiu cerca de 94% no domingo, em comparação com os níveis médios registados na segunda metade de setembro.

No entanto, os números incluem também tráfego automatizado legítimo, como os robôs de motores de busca, e não permitem determinar se os bots nas redes sociais ligados ao Kremlin foram afetados.

Repercussões políticas na Europa e nos Estados Unidos

Na Alemanha, circularam amplamente afirmações de uma forte descida da atividade online em torno do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) após os ataques, embora ainda não tenham surgido números verificados de forma independente.

O eurodeputado checo Tomáš Zdechovský questionou a aparente coincidência entre a interrupção e a alegada queda de atividade em torno do partido.

“Se for confirmado, isto é revelador: centros de dados russos são atingidos e a atividade online em torno da AfD cai de repente”, escreveu na plataforma X.

Afirmações semelhantes surgiram no Reino Unido, onde se relatou também uma diminuição da atividade online associada ao Reform UK após os ataques.

Nos Estados Unidos, utilizadores de redes sociais relataram menos respostas aparentemente automatizadas de apoio a posições conservadoras na X, a plataforma detida por Elon Musk.

A especulação chamou a atenção de figuras e comentadores políticos de destaque, incluindo Laura Loomer, ativista de direita e apoiante de Donald Trump, o opositor russo e antigo campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, e Michael McFaul, ex-embaixador dos EUA na Rússia.

O debate surge a poucas semanas das eleições intercalares para o Congresso dos Estados Unidos, no início de novembro, num contexto de preocupações persistentes sobre a interferência estrangeira e a influência de contas automatizadas no discurso político.

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