Aliados da família Bolsonaro disseram ao jornal Folha de São Paulo que a administração Trump está a par da fuga e que vai conceder asilo ao ex-candidato presidencial.
Dois dias após ser derrotado por Lula da Silva na segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, Flávio Bolsonaro abandonou o país e está num voo a caminho dos Estados Unidos (EUA).
A informação foi confirmada à Reuters por uma autoridade norte-americana e também à Folha de São Paulo por aliados da família Bolsonaro, que avançam que a administração Trump está a par da saída de Flávio e que lhe vai conceder asilo.
O ex-candidato presidencial deve chegar nas próximas horas a território norte-americano e, de acordo com o jornal Metrópoles, deverá entrar pelo estado da Flórida. Viajou acompanhado da esposa e das duas filhas.
Na segunda-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu uma ordem para apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, com o senador a garantir que iria cumprir a intimação e fazer chegar os documentos às autoridades na manhã desta terça-feira.
Depois de a decisão não ter sido respeitada, a Polícia Federal (PF) cancelou o passaporte comum e o diplomático, tendo também emitido um alerta nas fronteiras. No entanto, já não foi a tempo de evitar que o filho de Jair Bolsonaro saísse do Brasil.
A fuga foi motivada pelo medo de ser preso, de acordo com a CNN Brasil. Flávio é alvo de duas investigações criminais por suspeita de crimes como corrupção, branqueamento de capitais e evasão de divisas.
A partir de fevereiro, terminava o mandato de senador pelo Rio de Janeiro e perdia a imunidade.
Fuga via Argentina
Durante a madrugada, o ciberjornal argentino Infobae avançou que o filho do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, usando o documento de identidade nacional, chegou às 2:00 de terça-feira à localidade argentina de Puerto Iguazú, na província de Misiones, e estaria preparado para seguir viagem em direção aos Estados Unidos (EUA) num voo particular.
Segundo o Infobae, o meio utilizado é uma aeronave Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly SA, que solicitou autorização alfandegária para quatro passageiros e três tripulantes. O avião partiu de Buenos Aires rumo a Puerto Iguazú na segunda-feira por volta das 22:15, tendo aterrado às 23:45.
O piloto Mauro Mattosinho disse à Folha de São Paulo ter recebido de um funcionário do aeroporto de Puerto Iguazú a informação de que o nome de Flávio Bolsonaro aparece na lista de passageiros de um voo executivo local. Problemas de documentação terão impedido a descolagem.
Desde o início da manhã de hoje, aliados de Flávio tinham tentado contactá-lo, mas sem sucesso, de acordo com o portal UOL.
A Euronews pediu esclarecimentos à PF, sem ter recebido resposta até ao momento.
Coordenador de campanha e governo argentino desmentiram fuga
O coordenador-geral da campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro negou que o ex-candidato presidencial tivesse abandonado o território brasileiro. “Não saiu”, afirmou, esta terça-feira, Rogério Marinho ao jornal Metrópoles.
Também o governo da Argentina, liderado por Javier Milei, aliado da família Bolsonaro e o único líder das Américas que ainda não reagiu à vitória de Lula da Silva, afastou qualquer fuga. À agência Bloomberg, o gabinete de Milei deixou claro que Flávio não tinha entrado em solo argentino e que não foi feito um pedido de asilo político.
Eduardo Bolsonaro, o irmão de Flávio, pronunciou-se sobre o assunto com ironia.
"Sim. E é o Elon Musk que está a mandar um foguete", declarou ao portal UOL o ex-deputado federal que reside desde 2025 nos Estados Unidos, onde se estabeleceu após ter sido condenado a prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no processo sobre a tentativa de golpe de Estado levada a cabo pelo pai, Jair, no seguimento das eleições de 2022.
Na sexta-feira, dois dias antes da segunda volta das presidenciais, Eduardo defendeu que o irmão deveria deixar o Brasil se fosse derrotado.