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Abrandamento económico da zona euro pressiona BCE

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De  Francisco Marques  com Lusa, Markit
Abrandamento económico da zona euro pressiona BCE

O índice dos preços (PMI) entre os 19 Estados-membros da zona euro sofreu, em fevereiro, um abrandamento em linha, confirmando que a expansão económica da moeda única cresceu ao ritmo mais lento desde janeiro do ano passado. O regresso à contração da economia francesa estará na base deste passo mais lento.

Com Portugal a liderar, por outro lado, nas vendas a retalho na União Europeia em janeiro, de acordo com Eurostat — o que revela um otimismo revitalizado este ano entre os consumidores portugueses — o índice PMI na moeda única denota cautela das empresas e explica-se pela muito incerteza entre os parceiros, como sublinha o economista chefe do grupo Charles Stanley.

“É nossa opinião que a atividade económica abrandou devido à preocupação com a muita incerteza que rodeia a zona euro. Por exemplo, no setor bancário. Depois, surgiu o ‘Brexit’. A instabilidade na Ucrânia ainda continua. Há um governo frágil, ou nem sequer governo de todo, em Espanha. Há o crescimento dos partidos políticos extremistas. Há ainda a incerteza sobre a continuidade de Angela Merkel como Chanceler alemã e, claro, também o debate sobre a eficácia das políticas do Banco Central Europeu. Por isso, sem surpresa, o setor empresarial está cauteloso”, afirma Jeremy Batstone-Carr.

Os dados revelados esta quinta-feira pela Markit mostram o índice PMI nos 53 pontos em fevereiro face aos 53,6 de janeiro e contrariando uma estimativa agravada de 52,7 pontos — de referir que um índice PMI inferior a 50 pontos significa contração e superior expansão da atividade.

Por países, a Markit detalhou que o crescimento económico desacelerou na Alemanha, em Itália, em Espanha e na Irlanda, tendo contraído em França. A empresa de serviços de informação financeira refere que as pressões deflacionsitas se mantém, tendo os preços pagos e faturados registado ligeiros recuos em fevereiro.

O economista chefe da Markit, Chris Williamson, considera que os dados “desanimadores” do mês de fevereiro aumentam as probabilidades de que o Banco Central Europeu (BCE) introduza estímulos mais agressivos em março — há uma reunião do Conselho de Governação do BCE marcada para 10 de março.

Williamson também defende que é provável que o crescimento económico desacelere para níveis abaixo de 0,3 por cento no primeiro trimestre, “salvo se houver uma recuperação repentina em março, algo que parece improvável a julgar pelas perspetivas de futuro do PMI”.