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Artes performativas com encontro marcado no Alkantara Festival 2016 de Lisboa

Artes performativas com encontro marcado no Alkantara Festival 2016 de Lisboa
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Com a contribuição de António Oliveira e Silva

Sempre que um ator fala, cada noite, as pessoas respondem de forma diferente.

Thomas Walgrave Diretor Artístico

Como acontece desde há 14 anos, o Alkantara Festival tem como convidado especial a vontade de entender o mundo que nos rodeia, utilizando as artes performativas como arma contra a apatia e a ignorância. Encontro fundamental para artistas de criadores de todo o mundo, o Alkantara Festival aposta na transversalidade. Os espetáculos e a permanente interação com o público são complementados com projetos de formação para as artes, que incentivam a aproximação das pessoas à Arte Contemporânea.

O Alkantara Festival começou com o festival Danças na Cidade e evoluiu para um evento onde cabem quase todos os tipos de expressão. Thomas Walgrave, o diretor artístico do festival desde 2009, disse à EURONEWS que o importante é aproveitar os artistas que se sentem confortáveis ao vivo e com o público:

“Quisemos dar prioridade aos artistas que aproveitam ao máximo o facto de atuarem ao vivo. E também ao facto de que a audiência seja diferente todas as noites. Sempre que um ator diz algo, as pessoas respondem de forma diferente, a cada noite que passa. Gera-se um diálogo. E cada noite dá origem a um espetáculo diferente,” disse Walgrave.

A EURONEWS acompanhou os ensaios de alguns espetáculos, como o do autor canadiano residente em Londres Christopher Brett Bailey, enquanto este dava uns últimos retoques a “This is how we die” (É assim que morremos), o seu espetáculo, que inclui leituras e a atuação de uma banda. Os textos de Bailey inspiram-se nos trabalhos de Lenny Bruce, comediante de stand up, de William Burroughs, escritor e agudo crítico sopcial norte-americano, e nos filmes de série B.

“Escrevi umas coisas que me agradaram bastante. Como não era conhecido, era muito pouco provável que alguém quisesse publicar as minhas coisas. Por isso, comecei a ler o que escrevi em noites de poesia e aventurei-me em encontros de teatro. A resposta foi imediata e decidi montar todo um espetáculo com o que tinha andado a fazer,” explicou Bailey à EURONEWS.

“Como o resultado tem muita influência da Literatura Vanguardista norte-americana e dos primeiros tempos da Literatura Punk, foi algo muito natural termos colocado uma banda no espetáculo”.

A bailarina portuguesa Cláudia Dias estreou novo espetáculo no Alkantara Festival. No programa, dois eventos que tiveram lugar em 1974. A Revolução de 25 de abril, que pôs fim à ditadura salazarista em Portugal e a famosa Luta na Selva, o combate entre Muhammad Ali e George Foreman em Kinshasa. O trabalho resulta da colaboração com o autor espanhol Pablo Fidalgo Lareo e convida-nos a um choque entre corpos e palavras em permanente conflito. A EURONEWS falou com a artista lusa:

“Eu penso que é uma bela metáfora com a ideia de luta. E a luta que nós precisamos de desenvolver nos dias de hoje, tanto na Europa como no resto do mundo. Nós, estou a referir-me a democratas, humanistas e, portanto, penso que esta é a linguagem fundamental, não é?.. Para dar esta ideia de luta,” conta Cláudia.

O grupo de teatro belga Tg STAN, de Antuérpia, (fundado em 1989) ensaiava a peça clássica de Anton Tchekhov “O jardim das Cerejeiras”, numa reinterpretação moderna. A obra conta a história de uma aristocrata russa quando esta volta com a família a uma casa que possuem, uma grande propriedade, pouco antes de que seja vendida para serem pagas dívidas. A propriedade inclui um famoso jardim com cerejeiras. A estreia da peça foi um sucesso, no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa. A obra Jardim das Cerejeiras mistura comédia, farsa e tragédia, e continua muito atual, como explicou à EURONEWSFrank Vercruyssen, fundador do grupo Tg STAN:

“São textos clássicos, ou seja, universais. São textos que, quando utilizados, seja quando for, nos vão sempre falar de um momento que é o presente, que é atual. É isso que procurámos, encontrar o momento, o agora nesse texto de Tchekhov. Não temos a ambição de apresentar uma história passada no século XIX, mas algo recente, com um toque clássico.”

O enviado da EURONEWS a Lisboa, Wolfgang Spiendler, explica que, “quando o público gosta de uma peça reage como se tivesse o rato do computador na mão, com um clique, ao aplaudir, mas que, no caso do Alkantara Festival, pode apreciar-se o teatro como se faz desde os tempos dos gregos, porque saborear uma peça neste evento, não perdeu o encanto.”

Alkantara é uma organização da cidade Lisboa que se dedica ao desenvolvimento das artes performativas em Portugal e num contexto internacional. Aposta numa visão global menos eurocêntrica da criação contemporânea. É membro de diversas plataformas de intercâmbio (Como, por exemplo, Danse Bassin Mediterraine, On the Move, Fundação Anna Lindh, REDE– associação de estruturas para a dança contemporânea em portugal) e parceira em programas de colaboração internacional (Como a Next Step– promoção da criação artística europeia e a Départs– práticas para o desenvolvimento integrado da dança contemporânea europeia).