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BCE mantém garrote nos juros do euro perante incerteza de ameaças externas

BCE mantém garrote nos juros do euro perante incerteza de ameaças externas
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O Banco Central Europeu deixou inalterada a política financeira da zona euro ao anunciar esta quinta-feira a permanência das taxas de juro em zero por cento, o mínimo histórico fixado em março do ano passado. ao mesmo tempo, reviu ligeiramente em alta as previsões de crescimento do Produtor Interno Bruto (PIB) da zona euro deste e do próximo ano.

A taxa de juro aplicável à facilidade de depósito permanece nos 0,40 por cento negativos e a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez fica em 0,25 por cento.

“O Conselho do BCE continua a esperar que as taxas de juro diretoras do BCE permaneçam nos níveis atuais ou em níveis inferiores durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos”, lê-se no comunicado divulgado após a reunião desta quinta-feira.

Pelas novas previsões, o BCE estima um crescimento de 1,8 por cento este ano e de 1,7 por cento em 2018, aumentando uma décima a cada um dos períodos. Em 2019, a previsão mantém-se nos 1,6 por cento.

Já a estimativa de inflação na zona euro, foi revista este ano de 1,3 por cento para 1,7 por cento. No próximo ano, a revisão aumenta uma décima para os 1,6 por cento e, em 2019, mantém-se nos 1,7 por cento.

O Presidente do BCE defende a manutenção da política de estímulos à economia até pela incerteza que colocam ao euro alguns eventos extra moeda única, como a saída do Reino Unido da União Europeia e as eleições norte-americanas, e outros diretamente compromentidos com o euro como as eleições legislativas na Holanda (quarta-feira, 15 de março), as de França (23 de abril) e as da Alemanha (24 de setembro).

“Estamos a prever alguns impactos significativos das várias ameaças que se tem vindo a materializar.
Lembram-se do ‘brexit’, do referendo italiano e da entrada da nova Administração norte-americana? Agora temos eleições na Europa. Algumas destas ameaças já se materializaram, mas ainda não assistimos a significativos impactos económicos”, reforçou Mario Draghi, em conferência de imprensa realizada em Frankfurt, na Alemanha.

O presidente do BCE não coloca de parte a política defendida recentemente numa minicimeira europeia a quatro, em Versalhes, França, onde sobretudo a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente gaulês, François Hollande, defenderam uma União Europeia a várias velocidades.

Mario Draghi avisa, no entanto, que os problemas que se colocam são supranacionais e que não há alternativa a um progresso a não ser em cooperação.

“O euro está a ser encarado como um pré-requisito do mercado único. Se não houver mercado único, não haverá União Europeia e os países, independentemente dos respetivos pontos de vista, beneficiaram muito com o mercado único”, lembrou o máximo responsável do BCE.

Um dos destinatários deste recado de Mario Draghi é, claro, a Holanda, o próximo membro da zona euro a ser chamado às urnas e onde o partido eurocético PVV (Partido da Liberdade), de extrema-direita e liderado pelo controverso islamofóbico Geert Wielders, surge em destaque nas últimas sondagens.

Caso a ascensão dos nacionalistas se confirme ao nível do poder legislativo, o futuro dos holandeses na União Europeia e na moeda única pode ficar já este ano em risco.